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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

5035 - Entrevista com o Doutor Cassel 6

O prefeito Léo Klein (à esquerda) com o Doutor,
já debilitado pela idade avançada


FN - O Sr. com a sua experiência de médico, considera que o Caí, agora, tem tanta popresa quanto há dez ou vinte anos atrás?
CASSEL - Não, não. A situação do Caí, agora, é bem outra. O colono está bem de vida. Você vai na casa de um colono e encontra-o com televisor, máquina de lavar, refrigerador...há dez anos, não tinha nada disto. O colono era um desamparado. Mas era honesto. A gente atendia um colono doente e ele dizia: “ Olha, eu não tenho dinheiro pra lhe pagar”. Mas depois de seis meses, um ano ou dois, ele pagava.

FN - E aqui na cidade?
CASSEL - Na cidade, era horrível. O operário era um mártir. Uma coisa medonha. A situação dele começou a melhorar com as leis trabalhistas...Um mérito que o Getúlio Vargas teve. Aliás, quem fez as leis trabalhistas não foi o Getúlio. Foi o Lindolfo Collor> Um homem duma inteligência extraordinária.
Outra melhora muito grande para o operariado, veio com a criação do INPS.

FN - E quanto ao desemprego. Também houve melhora?
CASSEL - Melhorou muito. Aqui no Caí, hoje em dia, não trabalha quem não quiser. Nós praticamente não temos desemprego. Eu sei porque eu forneço muitos atestados para pessoas que ingressam em firmas. Agora, por exemplo, com estas obras da CRT, os condutores estavam sempre pedindo que eu arrumasse gente para trabalhar.
Antigamente não era assim. Os jovens para conseguir algum emprego, tinha de ir embora do Caí.

FN - Havia, também pouca oportunidade para a nossa juventude estudar aqui?
CASSEL - Nós tínhamos aqui apenas o Felipe Camarão que, pra mim, é uma das melhores escolas de primeiro grau do Estado. Muito bem administrada. E mais o Ginásio São Sebastião igualmente muito bom. Este, por sinal, foi erguido por um grupo de grande lutadores, verdadeiros beneméritos, entre os quais o falecido Schultz.
Mas quem se formava no Ginásio, se obrigava a estudar noutra cidade, caso quisesse continuar.
Então nós instalamos o Contador, através da CNEC e por iniciativa de outros abnegados, principalmente o Dr. Borgatto, aos quais nós, como Prefeito, demos todo o apoio. Trouxemos para cá, igualmente a Escola Normal, ainda no governo de Ildo Meneghetti. Eu insisti com ele até conseguir. Tínhamos então, o Normal e o Contador.
Depois, ainda conseguimos o Científico. Aliás, isto foi até interessante. Nós preparamos a papelada aqui, para encaminhar o processo de criação deste curso na cidade. Então, eu fui a Porto Alegre. Lá, eu falei com o Secretário da Educação e ele me disse: “ Olha. Fala com a fulana que ela vai te encaminhar o negócio direitinho”.
Eu procurei a mulher, mas parece que ela não foi com a minha cara. Toda hora eu ia lá, e, cada vez, tomava um chá de banco e não se resolvia nada. Eu já estava enjoado.
Um dia cheguei lá de novo e a mocinha que me recebeu falou que não era mais ali. Que agora tinha de tratar com a Maria Roth. Fui falar com ela. Era uma senhora, loira, alta. Ela me perguntou na cara: “Tu ainda continua muito sem vergonha?”
Eu fiquei surpreso. Então ela me disse: “ Tu não te lembra mais de mim? Tu me puxava as tranças. Nós fomos colegas de aula em Santa Maria.”
Só então eu reconheci. Era uma velha amiga que há muito tempo eu não via. Foi assim que, graças a esta amizade, conseguimos logo a vinda do Científico aqui para o Caí.
Neste importante setor que é o ensino, conseguimos dar uma grande contribuição à cidade, o que faz com que eu me sinta muito realizado.

FN - E como foi a sucessão? O senhor não conseguiu eleger o seu sucessor?
CASSEL - Não. Não deu. O Dr. Mário Leão foi quem articulou a estratégia da campanha. Escolheu o Clóvis Kroeff para vice como candidatos a prefeito na sub-legenda entraram o Othelo Peters e o Dr. Angelo. Ficou fora o Cantarola que, se concorrese, teria feito uns mil votos e garantido a vitória para o partido. Do outro lado, o Heitor Selbach teve a ajuda grande do Joir Silva que fez mais de dois mil votos e assim ele ganhou a eleição.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na sua edição 
de 13 de dezembro de 1984

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