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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

5036 - Entrevista com o Doutor Cassel 5

O doutor Bruno Cassel foi homenageado, ainda em vida,
com a inauguração de um busto 
FN - Então o Sr. foi o primeiro prefeito eleito?
CASSEL - Sim. Depois da candidatura do Getúlio, eu fui o primeiro prefeito eleito.
Governei por quatro anos. Aliás, acho que fiz um péssimo governo. Eu não tinha experiência nenhuma.
Na eleição seguinte concorreram o seu Aloísio Fortes, pelo PSD e o Dr. Orestes, do PTB. Ganhou o Orestes, por uma diferença muito grande. Depois o Dr. Mário Leão concorreu com o seu Egon Veith. Ganhou o Dr. Mário. Eu enquanto isto, estava afastado, cuidando dos meus afazeres de médico.
Perto da eleição seguinte começaram a me assediar novamente. “ Tu tens que concorrer outra vez”, eles diziam. Eu não queria. Cheguei até a deixar o pessoal sentado na sala de espera e fugir pela porta dos fundos, tentando me escapar da candidatura.
Mas, então, fizeram uma coisa que não deviam ter feito. Havia um acordo entre nós para lançarmos um candidato único, que unisse toda a cidade, evitando as brigas políticas. Então apareceram uns elementos de fora que organizaram uma reunião e uniram o PL e o PTB para lançar a candidatura do Dr. Mário Leão.
Eu era muito amigo do Dr. Mário, como sou até hoje. Mas os companheiros do PSD pediram e insistiram para que eu concorresse de novo. Muita gente me provocava dizendo que eu estava com medo de concorrer. Então, eu propus pro Mário que nós dois ficássemos de fora. Mas ele não aceitou a proposta. Disse que já estava comprometido.
No fim, nós dois acabamos competindo e, por azar, ganhei de novo.
Assim eu entrei no meu segundo mandato. Foi uma época muito difícil. Depois da revolução de 1964. Uma fase de transição. Muitas pressões políticas, cassações, ameaças daqui e dali. Não havia condições de administrar. Os recursos eram escassos. Eu não pude fazer muita coisa pelo município.
Quando terminou meu mandato, o Selbach foi eleito para me suceder. Em 1972, mais uma vez, fui assediado pelos companheiros, me pedindo pra concorrer.
Eu sempre dizia pro pessoal, “ Eu fui muito bem recebido aqui no Caí e tenho uma dívida de gratidão com esta terra. Tudo o que eu tenho, está aqui. O meu filho nasceu aqui. Eu gosto do Caí e o que eu posso fazer por ele eu faço. Mas vocês já estão exigindo demais de mim”.
Mas não adiantou. Tanto me assediaram, que eu tive de concorrer pela terceira vez. Ganhei. Foi uma eleição muito fácil.
Eleito eu parti pra fazer alguma coisa que, verdadeiramente contribuísse para o progresso do município. A época já era melhor e dava condições para administrar com mais eficiência. Quando eu aceitei concorrer, já foi com o compromisso do Governo do Estado de dar uma mão.
Já que na época, quase não havia indústrias aqui no Caí, só a Oderich e a Fábrica de Vassouras. Resolvi que devia atrair algumas novas empresas.
Então eu fui falar com o Ivo Silveira, em Novo Hamburgo que era muito meu amigo. “Se tiver uma indústria grande querendo se instalar na região, vamos levar para o Caí”, eu falei. “ E mesmo”, ele concordou, “ O Caí merece”.
Assim nós conseguimos a Cimar. A prefeitura deu o terreno e ela veio. Depois veio a Eram, dos franceses. Uma gente muito correta.
Tinha um diretor, o seu Kessler, que eu, uma vez levei para almoçar no Variani. A esposa dele, quando viu a variedade de comida que havia na mesa, comentou comigo em alemão: “ Se eu apresentasse uma comida dessas na Alemanha eu ia pra cadeia”.
Eu ainda trouxe a SGS, a Ambergen, que estava condenada lá em Porto Alegre. Houve também, um desequilíbrio na Arrozeira e eu tive de ir até Brasília para agitar a situação. Depois trouxe a Reichert, a Lígia e a fábrica que fazia a desidratação de alfafa, que acabou não dando certo, mas serviu para instalar, depois a fábrica de bicicletas da Odomo.
Afinal de contas, estas fábricas todas que vieram pra cá, fui eu quem trouxe na minha última administração. A fábrica de carrocerias do Sehnem, os Gegler e outros que não lembro agora.
A vinda destas indústrias ocasionou uma verdadeira revolução na nossa comunidade. Foi uma coisa que eu fiz e não me arrependo. A industrialização trouxe um grande incremento para o comércio. Quantas boutiques e lojas surgiram na cidade nos últimos anos? Isto aconteceu graças aos empregos e aos salários que estas fábricas proporcionam.
Conseguir a vinda destas fábricas nos custou muito, porque tivemos de dar os terrenos e ajudar na instalação. E a minha administração não chegou a beneficiar-se do retorno de ICM, que estas indústrias geraram.  Quem usufruiu deste benefício foi a atual administração.
Por isto, achei injusta a crítica feita pelo Heitor Selbach, quanto a dívida que deixei. De fato, deixei Cr$ 700.00,00 de dívida. Mas deixei só um pedaço de terra que foi comprado na minha administração e agora vendido para a Fasolo instalar a sua nova fábrica, já deu para pagar com sobra a dívida.
Outra injustiça que sofri foi o processo que me moveram devido a alguns erros de escrituração. A promotora pública de então me denunciou por peculato e a juíza aceitou a denúncia. Uma coisa absurda. Depois o Léo Angst impetrou um habeas corpus e o atual juíz, quando pegou o processo, disse que não teria nem aceito, se fosse ele o juíz, na época. Me absolveu e ainda deu uma sentença muito bonita, me elogiando.
Por isto, eu acho que mulher não deve ser promotora nem juíza. Embora eu não seja contrário aos direitos da mulher, nem seja machista. Acho até que elas podem ser muito boas advogadas.

FN - Com os investimentos que o Sr. na sua administração, fez na instalação destas indústrias, não houve muita condição de fazer calçamentos e compra de equipamentos?
CASSEL - Equipamentos, nós tínhamos. Eu comprei um trator; comprei uma patrola, tombadeira. Só não comprei auto. Eu usava o meu próprio automóvel.
Além dos gastos que tivemos para atrair as indústrias, gastamos muito, também com o Parque Centenário, que nós compramos a um bom preço, mas que atingiu muito beneficiamento. Aquilo era um banhado medonho e nós tivemos de instalar mais de mil metros de canos.
Também a área de um hectare onde se localiza a Tratoria do Variani foi doada por nós. Como o Caí se ressentia muito de um restaurante de gabarito, abrimos uma concorrência pública e doamos a área para a firma vencedora.
Todas estas coisas trouxeram grandes benefícios para o Caí.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na sua edição 
de 13 de dezembro de 1984

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