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sábado, 27 de dezembro de 2014

5065 - O prédio hoje pertencente ao Country Clube

O prédio  em que hoje  funciona o Country Clube, foi construído
para nele funcionar o tiro de guerra

No local hoje ocupado pelo Country Clube, funcionou antigamente a Schützen Verein (Sociedade de Atiradores), que foi a primeira entidade recreativa criada no Caí. Ela surgiu em 1880. Uma época em que as guerras e revoluções eram comuns e o governo brasileiro, com dificuldade para proteger o seu extenso território, incentivava os cidadãos ordeiros a treinar o uso de armas. Os homens precisavam estar preparados para defender a sua comunidade e a pátria, em caso de necessidade. 
O governo imperial brasileiro confiava nos imigrantes alemães, pois os imigrante que vieram para o Brasil no século XIX foram grandes aliados do império, enfrentando os revolucionários farroupilhas. Durante a revolução, a maioria dos imigrantes alemães ficaram do lado do império e guerrearam contra os farroupilhas.
O prédio dessa sociedade era bastante rude, longe da imponência desse prédio que até hoje existe.
Os exercícios e competições de tiro, conforme apurou Helena Cornellius  Fortes, ouvindo relatos feitos por pessoas  idosas. Os exercícios e as  competições de tiro eram realizados no Morro do Hospital, e o vencedor da competição, declarado Rei do Tiro, era homenageado com festa, banda e foguetório, no salão rústico do Schützen (pronuncia-se chítzen farrain). Os demais competidores e sócios do clube, traziam o campeão carregado nos ombros, até a sede do clube, onde acontecia a festa. No domingo seguinte, ocorria a Festa do Rei, com baile, comida e bebida. Era a festa de coroação do rei.
O alvo com a marca do tiro mais certeiro dado pelo campeão era afixado na parede do clube, ficando como homenagem ao grande atirador.
Não só os atiradores, mas suas famílias inteiras  participavam do evento, comendo churrasco e bebendo cerveja com muito gosto, apesar de gelo não existir ainda, naquela  época.
As pessoas, ali, só falavam o alemão, que era o idioma mais falado na cidade. Todos cantavam cantigas alemãs, em arranjos elaborados, com primeira, segunda e terceira voz.
Havia  baile, com as moças usando saias rodadas e cabelos  enfeitados. Os cavalheiros tinham grandes bigodes, de acordo com a moda na época. Eles usavam fatiotas  pretas e botinas lustradas.
O rei, com uma faixa de louros e muitas medalhas, dançava com o seu par, sendo aplaudido por todos. Vivas a ele eram lançados pelos presentes.
O Shützen Verei sofreu duro golpe quando o Brasil aliou-se aos ingleses e outros países aliados, declarando guerra à Alemanha. Tendo aquele país como inimigo de guerra, o governo brasileiro não podia mais permitir que uma sociedade composta de alemães praticasse exercícios militares. Foi, provavelmente, durante a primeira guerra mundial (de 1914 a 1918) que o clube foi extinto.
No seu local foi erguido o prédio acima, no qual funcionou o Tiro de Guerra, uma escola militar na qual os jovens brasileiros (mesmo os de origem alemã) recebiam treinamento militar e eram doutrinados a ter o Brasil como sua pátria, que tinham o dever de defender.
Na década de 1930, o Tiro foi transferido para o prédio onde hoje funciona a loja Lebes (esquina da rua Tiradentes com a avenida Egydio Michaelsen). Serviu depois para o funcionamento de uma sociedade chamada de Liga Esportiva. Por volta de 1950, ali foi instalada uma fábrica de extrato de tomate. A fábrica não deu certo e o prédio ficou desocupado, sendo então adquirido para que ali fosse instalado o Country Clube.

Foto do acervo de Mário Glaeser e informações do livro Reminiscências, de Helena Cornelius Fortes

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