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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

5040 - Entrevista com o Doutor Cassel 1

Para falar sobre o doutor Cassel e sua vida de dedicação à comunidade caiense, ninguém melhor do que o próprio doutor. Com sua sinceridade e visão clara das coisas ele dá um retrato vivo nesta entrevista da sua vida que é também uma parte importante da vida da própria cidade de São Sebastião do Caí.

CASSEL - Nasci em Santa Maria, em 26 de fevereiro de 1910. Meus pais foram Guilherme Cassel Sobrinho, e Josefina Scirmer Cassel. Os meus antepassados mais remotos foram aqui desta zona de Ivoti, Sapiranga. O meu bisavô, foi que saiu daqui para ser um dos fundadores de Santa Maria.

FN - Onde o Sr. fez os seus estudos?
CASSEL - Estudei no Ginásio dos Maristas, de Santa Maria, no qual cursei tanto o primário quanto o ginásio. Depois vim para Porto Alegre, em 1928, para fazer faculdade. Estudei numa faculdade particular reconhecida pelo Governo e dirigida pelo velho Sarmento Leite Filho.
Me formei em 1934. Eu perdi um ano de estudo por... problemas meus. Não convém relembrar (ri).

FN - O Sr. não era um aluno muito aplicado?
CASSEL - Não, não. Eu era muito bom aluno. Eu fui mal aquele ano por outros motivos fora da faculdade.

FN - Coisas da juventude?
CASSEL - Pois é. Como diz o  castelhano, “malacabeça”.

FN - Então o senhor se formou e foi clinicar...
CASSEL - Em Sananduva

FN - Como médico auxiliar?
CASSEL - Não. Aconteceu que a minha intenção era ficar trabalhando em Porto Alegre. Eu já havia trabalhado por três anos na Santa Casa, quando ainda estudante, e lá muito  boas relações. Quando me formei, podia ficar trabalhando lá. Mas ocorreu que o médico de Sananduva, o dr. Silveira Neto, que era um grande médico, foi assassinado. Você pode imaginar como era Sananduva em 1935. Um verdadeiro faroeste.
Os padres capuchinhos foram, então, até Porto Alegre para conseguir um novo médico. Na Santa Casa, uma freira que me conhecia desde Santa Maria, e era muito minha amiga, disse pros padres: “Olha tem um médico aí que serve e ele tem vontade de trabalhar no interior”. Um outro médico, o dr.  Ricardom, amigo meu e dos padres, me recomendou também. E assim, eu acabei indo para Sananduva e ficando por lá três anos e meio.

FN - E o senhor se deu bem por lá?
CASSEL - Muito bem. Eu lá deixei muitas amizades. Ganhei dinheiro, pois era uma colônia rica.

FN - Por que o senhor resolveu mudar-se?
CASSEL - Por vários motivos. A minha filha nasceu lá. A minha esposa perdeu a mãe e queria ficar mais próxima da família. Lá em Sananduva era muito frio e isolado. Eu achei que devia vir mais para perto de Porto Alegre.

FN - O Sr. já era casado quando foi para Sananduva?
CASSEL - Não. Quando fui para lá ainda era solteiro. Depois de seis meses foi que casei.

FN - Qual é o nome de sua esposa?
CASSEL - Maria das Marcês Rey.

FN - De onde ela era?
CASSEL - Ela nasceu em Itaqui e cresceu em Uruguaiana, mas quando nós nos conhecemos, ela morava em Porto Alegre.

FN - O Sr., então, ainda estudava na faculdade?
CASSEL - Sim. Eu era amigo do irmão dela e, como eu frequentava a casa, nós fomos nos conhecendo e a coisa foi dando certo. E agora já estamos certos há 46 anos.

FN - Qual é a data do seu casamento?
CASSEL - Nós casamos em 28 de setembro de 1935, o ano do centenário farroupilha.

FN - Quando o Sr. deixou Sananduva, pra onde foi?
CASSEL - Voltei pra Porto Alegre. Deu-se aí um outro caso interessante. O meu plano era ir pra Jaguari, que fica perto de Santa Maria. Tinha um amigo meu que havia me convidado a ir prá lá. Mas então um médico que foi meu professor e trabalhava na Santa Casa teve de viajar pra Uruguaiana, pois a sua sogra estava lá muito doente. E ele, então, me pediu que eu ficasse na Santa Casa atendendo a enfermaria. E eu fiquei. Daí aquela freira a irmã Francisca, me falou: “Olha tu não sai cedo hoje, que vão vir aí uns alemães te buscar. Eles querem te levar pra São Sebastião do Caí”. Eu até brinquei com ela: “Mas onde é que fica isto?”.
A irmã havia me recomendado muito bem. Disse que eu operava, que falava alemão. E eles, de fato, foram à Santa Casa falar comigo. Foi o seu Both, o Petry e o dr. Krekel. Eles me prensaram de tal maneira que me trouxeram naquele mesmo dia. Ainda vim no caminhãozinho do seu Geraldo Diefenthaeler, ele fumando um criolo. Ali no Morro do Picapau, nós atolamos. Se levava, naquela época, para vir de São Leopoldo até aqui, quatro horas de viagem.
Chegamos aqui, eu gostei muito do lugarzinho. O hospital era bem novo. Tinha sido inaugurado em 1937. Estávamos então, em fins de fevereiro de 38. Então eu disse. “Olha, eu vou em casa. Vou saber a opinião da minha senhora. Se ela gostar daqui, eu venho”. No outro domingo eu voltei com a minha mulher. Ela gostou muito daqui do Caí. Em fins de março, nós nos mudamos e ficamos até hoje.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na sua edição de 13 de dezembro de 1984

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