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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

5196 - O primeiro pastor da comunidade luterana de Montenegro

Philipp Keller, o primeiro pastor de  Montenegro
O atual prédio da igreja  luterana de Montenegro se destaca pela sua imponência






No próximo dia 14 de fevereiro a Comunidade Evangélica de Montenegro - IECLB comemora seus 152 anos de fundação. 

Consta na história que em 1861 os teuto-brasileiros residentes em Montenegro já se reuniam na casa e armazém de Jacob Schilling para rezar e cantar. Seus cultos eram presididos pelo professor Philipp Keller que lia uma prédica e conduzia o coral. Durante a semana ele ministrava aulas para as crianças ali mesmo na venda do Jacob entre sacos de farinha e garrafas de cachaça.

Por isso é justo considerarmos que o coral da Igreja Evangélica e a Escola estão completando 155 anos. Nessa época apenas nove famílias residiam na povoação às margens do Rio Caí, mas esse número aumentou muito em três anos. Em 1864 o pastor Johann Peter Haesbaert é convidado para atender essa comunidade que se oficializa. “Provavelmente ele já estivesse em contato com vários dos moradores da região do Vale do Caí”, observa o pesquisador Eduardo Kauer. 

Primeira igreja
Num domingo, 14 de fevereiro, 18 famílias oficializam a fundação dessa comunidade constituindo-se como uma agremiação evangélica. Entre os fundadores há luteranos, calvinistas, reformados e católicos. Como elo comum apenas a sua origem germânica como elemento agregador. O pastor vinha esporadicamente até a vila de São João do Montenegro. 

Ás vezes suas visitas ocorriam uma vez por ano ou até uma vez por bimestre. Por isso, o professor Keller continuava seu trabalho ensinando as crianças e realizando sepultamentos na falta do pastor. Os evangélicos começaram a se organizar melhor, ganharam um terreno doado e construiram um pequeno templo para seus cultos e a educação. 

Primeiro Pastor
Philipp Keller foi o primeiro professor e pastor (sem formação teológica) que começou a atender os evangélicos em Montenegro a partir de 1861. Sua biografia demonstra bem seu elevado caráter e trabalho em prol da nossa região. No livro dos Cem anos da Colonização Alemã no Rio Grande do Sul, o padre Theodor Amstad publica sua foto como a única de um montenegrino (alemão que adotou Montenegro como lar) significativa para a História de nossa cidade.

Philipp Keller nasceu a 30 de agosto de 1824 em Nahbollenbach [consta Nahpollenbach] perto de (Idar) Oberstein, falecido a 23 de setembro de 1892 de ataque cardíaco, sepultado a 24 de setembro de 1892 em Montenegro. Foi casado com Karoline Geiss, o casal não permaneceu por muito tempo na atividade agrícola. Em 1857, Philipp Keller já atuava como o primeiro professor evangélico em Santa Maria da Soledade, também conhecido como Badenserberg (atual São Vendelino).

Recebeu prêmio pelo seu trabalho em tecelagem na Exposição Nacional do Rio de Janeiro em 1860. Em 1861 trabalha como tecelão de linho no Porto das Laranjeiras (Montenegro). Posteriormente recebe prêmios em 1875 na Exposição Nacional no Rio de Janeiro e, em 1881, na Exposição Teuto-Brasileira em Porto Alegre. 

Por sua contribuição em prol da indústria nacional foi condecorado pelo Imperador Dom Pedro II com a Ordem da Rosa, grau de Cavalheiro. Em 1884 sua fábrica foi modernizada, equipada com máquinas a vapor, denominando-se Fábrica de Fiação e Tecelagem a Vapor de São João de Montenegro. Carlos Von Koseritz elogia-a, em 1885, como o início da indústria têxtil na então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Em 1887 a empresa é transformada em sociedade anônima, não conseguindo, porém, resistir à concorrência das novas fábricas do gênero, surgidas na cidade de Rio Grande, em Porto Alegre e em São Paulo.

Philipp Keller visitou a Alemanha depois de 1872 patrocinado pelo governo imperial brasileiro. Esteve em sua terra natal onde entrou em contato com parentes. Figura entre os primeiros moradores da vila de Montenegro em 1860. Atuou como professor e regente de coral em Montenegro a partir de 1861 de forma improvisada na venda de Jacob Schilling às margens do Porto das Laranjeiras. Apesar de não ter formação teológica foi escolhido como pastor pelos evangélicos da região. Atuou entre 1864 e 1876 como regente de coral, professor e pastor substituto em parceria com o Pastor Haesbaert. 

Colaboração de Eduardo Kauer, publicada no jornal Fato Novo 
em 13 de fevereiro de 2016

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