sábado, 24 de outubro de 2009

467 - Princípio difícil

Na medida em que as áreas oferecidas para a colonização nos lugares mais próximos ao rio Caí eram todas ocupadas, os colonos iam se estabelecendo em áreas um pouco mais afastadas, mais distantes da civilização e mais entranhadas na selva. Lugares onde os colonos ficavam perigosamente sujeitos ao ataque dos índios. Assim, ainda no ano de 1857 o colono Nikolaus Rempel, que morava na Picada de Alta Feliz, foi morto pelos bugres. Em conseqüência deste fato, o governo organizou uma patrulha constituída por colonos da região e liderada por Jakob Vetter (o Capitão Fetter), com o objetivo de proteger os colonos contra o ataque dos selvagens.
Em localidades como São Vendelino e também Bom Princípio, as comunidades dispunham de canhões que eram disparados para espantar os índios sempre que estes se aproximassem. Mesmo assim, no ano de 1868, aconteceu o rumoroso episódios do seqüestro pelos índios da esposa e dos filhos do colono Lamberto Versteg que tinha sua casa ao norte de São Vendelino. A mulher de Lamberto, chamada Valfrida, e a filha Maria Lucila, de 12 anos, foram mortas e apenas um filho chamado Jacó, de 14 anos, foi poupado pelos selvagens. O garoto viveu no meio dos índios por vários anos, até conseguir fugir e retornar à sua civilização. Depois disto as autoridades e os próprios colonos tomaram medidas mais efetivas para afastar os índios do Vale do Caí e este foi, felizmente, o último episódio de violência entre índios e colonos registrado na região.
Só aos poucos, na medida em que novos colonos iam se fixando na localidade, Bom Princípio passou a se tornar um lugar seguro para os seus habitantes. Em 1856 foi construída a primeira capela na atual cidade de Bom Princípio. Entre os seus fundadores estavam o próprio Guilherme Winter e mais alguns moradores dos primeiros lotes por ele vendidos, como Peter Liesenfeld, Jacó Ritter e José Taglieber. Com o passar dos anos, Winter chegou a vender 72 lotes, o que tornou Bom Princípio uma localidade bastante povoada, considerando-se os padrões daquela época. Em cada lote vivia pelo menos uma família de colonos e as famílias de então eram bastante numerosas. Eram comuns os casais com dez filhos ou mais.
Os colonos alemães de Bom Princípio, Feliz e de outras localidades prósperas como a Picada Cará, Vale Real e Alto Feliz eram muito produtivos e logo colocaram o Vale do Caí em posição de destaque como uma das mais importantes regiões produtoras do país. Já no final do século XIX o Vale do Caí era o maior centro produtor de feijão e depois veio a ter destaque também na produção de suínos e de alfafa. Isto explica o vigor econômico que Bom Princípio apresentava no final do século XIX e que possibilitou a realização de uma grande obra como a igreja matriz.

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