A ponte que havia perto da usina era pênsil, servindo apenas para o uso de pedestres. Do outro lado do arroio as terras pertenciam ao município de São Sebastião do Caí. A partir de 1948, quando passou a ser vereador em Montenegro, Armindo Carrard tratou de fazer um acerto entre os dois municípios para a realização conjunta desta obra. Com muito empenho, a obra acabou por concretizar-se. Mas só foi inaugurada em 1955, quando Bom Princípio já havia se desligado de Montenegro e passou a integrar o município de São Sebastião do Caí. A ponte serviu para facilitar o intercâmbio entre Feliz (que já era distrito caiense há muitas décadas) e Bom Princípio que se tornara território caiense há apenas dois anos. Desde 1975, quando foi criado o município de São Sebastião do Caí o arroio Forromeco servia de divisa entre os dois municípios.
A inauguração mereceu grande festa, com a participação do prefeito do Caí Orestes José Lucas, do arcebispo Dom Vicente Scherer e do secretário estadual de obras públicas, Major Euclides Triches. Armindo Carrard foi o orador oficial. Esta ponte era importante porque, naquela época, não havia a ponte da RS-122 sobre o rio Caí e, quando o rio estava cheio tornando inviável cruzar o rio pelo Passo ou pela barca (que ficava um pouco abaixo do Passo Selbach), a melhor opção para quem ia de Bom Princípio ao Caí era seguir até a Feliz cruzando o rio pela Ponte de Ferro.
Em 1962, quando ocorreu a eleição para escolher o sucessor de Leonel Brizola no governo do estado, houve uma acirrada disputa entre o candidato da situação, Egydio Michaelsen, e o oposicionista Ildo Meneghetti. Egydio era caiense (foi prefeito municipal de 1936 a 1944) mas perdeu a eleição no seu município de origem. Armindo Carrard, por questões partidárias, foi um dos líderes locais que apoiou Meneghetti naquela eleição. A derrota de Egydio aconteceu na parte do município com predomínio da colonização alemã (Bom Princípio, Feliz, São Vendelino etc) e, curiosamente, um dos aspectos que contribuiu muito para a sua derrota na região colonial foi a fama de ter sido contra os alemães durante a guerra. Como era prefeito na época do conflito mundial, Egydio teve a obrigação de fazer cumprir as leis que eram impostas pelo governo federal naquela situação excepcional. E isto o prejudicou politicamente.
Em 1967, quando Carrard tinha já 61 anos, ainda exercia a vereança no Caí. Era prefeito, na época, o doutor Bruno Cassel e ocorreu então uma grave crise institucional. Quatro vereadores (o que representava quase a metade dos componentes da Câmara) decidiram renunciar aos seus mandatos em vista do que consideravam ser graves desmandos administrativos praticados pelo poder executivo municipal. Renunciaram, além do caiense João da Silva Reis, três representantes de Bom Princípio: Armindo Carrard, Círio Clemente Hartmann e Alberto Libório Schmitz.
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