Hugo Fridolino Müller, pai de Heitor e de Hélio Müller, foi verador de MontenegroEntretanto os casos de colonos que ficaram ressentidos com as atitudes de Armindo Carrard no exercício da sua função de subprefeito durante a guerra foram poucos e não chegaram a afetar muito o seu grande prestígio em Bom Princípio. Tanto que pouco depois do término da guerra, em 1947, ele foi um dos dois vereadores eleitos por Bom Princípio para a Câmara de Vereadores de Montenegro: ele pelo Partido Libertador (PL) e Antônio Scherer pelo PSD (o partido de Getúlio Vargas).
Armindo teve grande votação e saiu prestigiado. A ponto de disputar as próximas eleições municipais de Montenegro, no ano de 1952, como candidato a prefeito. Ele perdeu a eleição, por pequena diferença de votos, para o candidato do PSD Germano Roberto Henke. Henke era apoiado pela poderosa família Rosa, que dominava a política de Montenegro naquela época. A grande votação do PL na região colonial alemã levou o partido a eleger quatro vereadores montenegrinos naquele mesmo pleito: Arno Rinaldo Selbach, de Bom Princípio; Hugo Fridolino Müller, de Tupandi; José Zeno Kerber, de Harmonia e Remo Ignácio Hartmann, de Barão.
A disputa para prefeito foi muito apertada e teria sido decisivo para a derrota o recurso utilizado pelo PSD de distribuir por toda a região colonial um panfleto no qual Armindo Carrard era apontado como perseguidor dos colonos alemães no período da guerra. Estes panfletos foram distribuídos no momento final da campanha, com o uso de avião. E constava deles que Armindo Carrard pisava em cima da santa, cuspia no terço, perseguia e batia nos alemães durante a guerra.
Mesmo com esta propaganda insultuosa e caluniosa, Armindo Carrard obteve vitória esmagadora em Bom Princípio e nos distritos vizinhos de São Vendelino e Tupandi, onde era mais conhecido. Perdeu a eleição para prefeito apenas devido ao grande peso que tinha o eleitorado da cidade de Montenegro na soma total de votos do município. No ano seguinte, Armindo Carrard teve participação decisiva no movimento pela desanexação de Bom Princípio e São Vendelino do município de Montenegro e sua anexação ao Caí. Depois disto Armindo foi, por quase dez anos, vereador do município de São Sebastião do Caí tendo atuação destacada e expressivas votações.
Além dos importantes papéis que desempenhou nos setores político e comunitário de Bom Princípio e região, Armindo Carrard também teve participação importante como empresário. No ano de 1948 ele foi um dos responsáveis pela criação da Eletro Industrial Bom Princípio Ltda, empresa privada que se dedicou, por vários anos, à produção de energia elétrica e a sua distribuição na localidade. A pequena usina foi instalada numa serraria existente no centro da vila, próximo à ponte sobre o arroio Forromeco que dá acesso ao Bom Fim Baixo. Não passava de um motor que acionava um gerador de energia. O fornecimento de energia ia apenas até as dez e meia da noite e um pouco antes disto uma rápida interrupção dava o aviso aos usuários de que o fim das atividades do dia estava próximo. O gerador só voltava a funcionar na manhã seguinte. Quem cuidava da manutenção do serviço era Eugênio Elimar Brandt, com assistência técnica de Pedro Bartzen Sobrinho. Já na década de 50 a empresa cessou as atividades quando foi atendido o pleito da comunidade para que uma rede de energia elétrica fosse estendida do Caí até Bom Princípio.
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