sábado, 24 de outubro de 2009

497 - O grande líder

Armindo Carrard foi o maior líder da comunidade de Bom Princípio nas décadas de 30 a 50. Foi também, por mais de 50 anos, o regente do coral masculino de Bom Princípio. Como subprefeito de Tupandi, ele se destacou pela boa conservação que conseguia dar às estradas daquele distrito.
Apesar de tantas realizações meritórias, Armindo Carrard tornou-se uma pessoa polêmica. Despertou sentimentos de respeito e reconhecimento por um lado, mas também algum ressentimento e mágoa.
O sentimento negativo em relação a ele deriva da sua atuação como subprefeito e subdelegado na época da Segunda Guerra Mundial. Ocorre que ainda na década de 40 a população de Bom Princípio falava predominantemente o alemão e mantinha um forte vínculo sentimental com a pátria de onde vieram os seus antepassados. Por isto, quando começou a Segunda Grande Guerra, em 1939, a população local posicionava-se favoravelmente à Alemanha. Na época as famílias mais abastadas possuíam equipamentos de rádio com os quais costumavam ouvir programas transmitidos da Alemanha, impregnados de propaganda nazista. Como o Brasil, inicialmente manteve-se neutro no conflito, não havia nenhum problema nisto. Mas o presidente Getúlio Vargas, que na época governava o Brasil de forma ditatorial, acabou se posicionando a favor das forças Aliadas (Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética) e contra os países do Eixo (aliança constituída basicamente pela Alemanha, Itália e Japão). Com isto, a Alemanha passou a ser considerada país inimigo e qualquer vínculo mais estreito com aquele país passou a ser encarado como traição. Havia mesmo pessoas da região que se envolveram na guerra em favor da Alemanha, inclusive o jovem Carlos Henrique Hunsche, filho do médico caiense Carlos Frederico Hunsche.
Carlos Henrique, que mais tarde se tornaria o mais destacado pesquisador da imigração alemã no Rio Grande do Sul, na época era estudante na Alemanha e atuou como locutor na rádio nazista transmitindo propaganda de guerra em programas dirigidos especialmente para o Brasil.
Mesmo quando Getúlio Vargas colocou o Brasil na posição de inimigo dos nazistas, não mudou o sentimento da maioria da população de origem alemã na região. Era predominante a simpatia pela Alemanha e pelo próprio nazismo. Por isto, o governo brasileiro instituiu uma política de repressão especial para as colônias alemãs, italianas e japonesas que chegava até, em certos casos, à proibição de falar publicamente os idiomas dos países inimigos.

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