Eugênio Isidoro Carrard era culto e atuava como correspondente de jornais da capital. Teve importante participação no movimento que resultou na atração dos Irmãos Maristas que vieram estabelecer, em Bom Princípio, o primeiro colégio desta ordem religiosa no Sul do Brasil: o Colégio Sagrado Coração de Jesus. Ele chegou a hospedar Irmãos Maristas em sua casa quando eles vieram da França, até que as obras do colégio fossem concluídas e a escola inaugurada, em 1900. Quando isto aconteceu, o comerciante tratou de matricular os seus filhos nesta escola e um deles, chamado Armindo Carrard, figurou entre os mais brilhantes alunos. A ponto dos irmãos haverem manifestado interesse em encaminhá-lo para estudos mais avançados na França. Seus pais, entretanto, não o liberaram para isto. Uma das funções que as escolas dos Maristas e demais educandários católicos tinha naquela época era a de selecionar alunos talentosos e estimulá-los a seguir a vida religiosa.
Armindo era homem de grande cultura, sabendo expressar-se em francês, alemão gramatical, alemão dialetal, e português, além de latin. Naquela época vinha muita gente de fora estudar na escola dos Maristas, inclusive Egydio Michaelsen (que foi ministro da Indústria e Comércio no governo do presidente João Goulart), Nicanor Kraemer da Luz (que foi deputado, secretário estadual da fazenda e ministro do Tribunal de Contas do Estado) e Euclides Triches (governador do Estado).
Armindo Carrard destacava-se também pelas suas qualidades de orador. Por isto ele logo passou a desempenhar importantes tarefas na sua comunidade. Com menos de 24 anos tornou-se o líder do movimento pela construção do Hospital São Pedro Canísio. Ele teve extraordinário êxito neste empreendimento, pois os prédios do hospital formam um complexo que pode se considerar como sendo monumental, se for levado em conta o tamanho de Bom Princípio naquela época.
Poucos anos depois, Armindo foi nomeado subprefeito e subdelegado de Bom Princípio, que era então o 5º distrito de Montenegro. Mais tarde passou a exercer esta mesma função em Tupandi (embora ele tenha sempre residido em Bom Princípio). Com isto Armindo costumava a ir constantemente a Montenegro, que era a sede do município naquela época, resolvendo lá todas as questões de interesse dos munícipes residentes em Bom Princípio e, depois, os de Tupandi. O subprefeito era praticamente o único representante do poder público no distrito, atuando em diversas frentes. Acumulava funções executivas, como a conservação das estradas, com as de juiz e de chefe da polícia. Armindo foi também vereador em Montenegro e, mais tarde no Caí. Graças à boa formação da escola marista e aos seus esforços pessoais, Armindo Carrard tinha noções de direito e de contabilidade que o tornaram o mais destacado profissional a prestar serviços nestas áreas em Bom Princípio e adjacências.
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