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quarta-feira, 21 de maio de 2014

4048 - Olíbio Peters: a morte por atropelamento aos 83 anos

No seu último dia de vida, Olíbio Peters viu seu time do coração
ser derrotado na final do campeonato, mas grandes vitórias foram
alcançadas nos anos seguintes


Quem estuda a fundo a história brasileira da segunda metade do século XX, fica impressionado com a enorme quantidade de mortes por atropelamento ocorridas naquele período. 
Embora houvesse um número incomparavelmente menor de veículos nas estradas do que o atual, as mortes por acidente veicular eram muitíssimo comuns. E isso se devia, certamente, à má qualidade dos carros da época, inclusive no que diz respeito à segurança. Mas também à má qualidade dos motoristas e a sua temeridade. Na época, o cinto de segurança era muito pouco usado e dirigir sob o efeito de álcool era muito comum e socialmente aceito.
Chama atenção, por exemplo, que no pequeno bairro Rio Branco, por exemplo, os dois maiores comerciantes locais morreram acidentados.
Uma dessas mortes foi narrada pelo jornal Fato Novo na sua edição de 3 de maio de 1984. O fato aconteceu no domingo anterior, dia 29 de abril de 1984.

A matéria tem por título 
Olíbio Peters: o Rio Branco perde seu mais fiel torcedor
e o seu teor é o seguinte:
"No último domingo, por volta das seis horas e 45 minutos da tarde, um atropelamento causou a morte de Hermano Olíbio Peters. O acidente ocorreu na RS 122 nas proximidades do acesso ao bairro Rio Branco em frente ao armazém Bennemann (1).
Seu Olíbio desceu do ônibus que pegou para ir do Caí para o Rio Branco. Ao atravessar a faixa, foi colhido por uma Brasília azul com reboque, de  placas de São Leopoldo. O veículo era conduzido por Valmor Cesar Michelon, de 24 anos, no sentido Caí-Bom Princípio.
O acidente
Ao tentar atravessar a faixa, seu Olíbio não percebeu a aproximação do veículo e já estava em cima da pista de rodagem quando foi atingido. O motorista e único ocupante da Brasília ainda tentou frear o carro e desviar. O barulho da freada chamou a atenção de populares que se encontravam no armazém. Alguns viram quando seu Olíbio foi atingido e projetado para o ar. O corpo caiu há cerca de dez metros do local, no meio da pista e acredita-se que este tenha passado por cima do corpo. Mas não há nenhum registro deste fato na Polícia Rodoviária Estadual, que atendeu a ocorrência.
Apesar de não se ter certeza, é difícil duvidar que este segundo atropelamento não tenha ocorrido, pois o corpo, além de escoriações generalizadas, estava com  a perna direita muito danificada.
Local perigoso
Neste mesmo local já morreram outras cinco pessoas. O trecho possibilita que os veículos desenvolvam grande velocidade a frequência de pedestres atravessando a pista torna o local muito perigoso.
Desde que a rodovia recebeu a atual pavimentação, seis acidentes fatais se sucederam no mesmo lugar. A primeira vítima foi Matias Egon Peters, em 1970. Mais tarde, Armando Dresch. Depois foi ainda atropelada uma jovem natural de Farroupilha que trabalhava para uma família do Rio Branco. E um homem do Pareci morreu ao chocar a Kombi que dirigia com um cavalo que estava sobre a pista. Mais recentemente, Erno Klein foi atropelado também, no ano de 1983.
Atitude curiosa
Antes de sair de casa, seu Olíbio disse a sua filha Neusa onde estava a chave do cofre. Dona Neusa estranhou muito, pois ele nunca havia dito onde colocava a chave. No dia seguinte ao da morte, o cofre foi aberto. Dentro de uma caixa foram encontradas a sua aliança e a ponte de ouro (2). Ele nunca, antes, havia saído de casa sem esses objetos.

1 - Atual Supermercado Calsing
2 - Prótese dentária

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo em 3 de maio de 1984

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