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quarta-feira, 18 de junho de 2014

4147 - Os canoeiros do Campestrão

Agricultores do Campestrão e de outras localidades da região, levavam
os seus produtos em canoas para serem vendidos na feira, em Porto Alegre




A localidade de Campestre situa-se junto ao bairro Conceição, no interior do município do Caí, próximo à cidade de Lindolfo Collor. Por incrível que nos possa parecer hoje, nas décadas iniciais do século XX alguns moradores locais iam até Porto Alegre para vender, na feira local, produtos que cultivavam nas suas roças ou nas dos vizinhos. Pela foto reproduzida acima, pode se perceber que as laranjas e, provavelmente, aipim (nas caixas) eram produtos assim transportados e comercializados. Esses agricultores/comerciantes iam até Porto Alegre remando. Na volta, pagavam uma pequena quantia para virem a reboque num barco a vapor ou gasolina. Para irem do Campestrão ao rio Caí, seguiam pelo arroio Cadeia, onde, além de remos, usavam também varas. Eles conseguiam, assim, empurrar a sua canoa encostando uma das pontas da vara no barranco do arroio.
O incrível é a baixa produtividade desse sistema. Como se vê na foto, a canoa levava muito pouca carga e era necessário o trabalho de mais de um homem para impulsionar a pequena embarcação. O sistema era utilizado  porque não haviam estradas praticáveis na região. E também porque os veículos motorizados eram muito deficientes, além de caros. Só no fim da década de 1930 se tornou viável andar de carro de Porto Alegre a São Sebastião do Caí. Mesmo assim, os motoristas costumavam levar pás e  enxadas para desatolar o veículo quando necessário, além de facões e machados para cortar os galhos de árvores que cresciam invadindo as precaríssimas estradas da época. O arroio e o rio, até o final daquela década era um caminho mais fácil.
A localidade de Campestrão (ou Campestre da Conceição) pertenceu, até o final do século XIX à fazenda do Capitão Thomé Pires Serveira, que se estendia pela margem esquerda do arroio Cadeia desde o Pareci Velho até as proximidades de São José do Hortênicio e Linha 48 (hoje Lindolfo Collor).

No dia 28 de outubro de 2012 ocorreu, naquela localidade, um encontro da família Bueno. A buenada, como gostam de ser chamados, se reuniu na localidade de Campestre da Conceição (Campestrão, para diferenciar do Campestre de Santa Terezinha, do outro lado do arroio Cadeia) para um encontro da família. Essa localidade tem uma cultura peculiar. Talvez decorrente do fato de, até uns 70 anos atrás, haver vivido num certo isolamento. Na época as estradas eram quase inexistentes e o transporte era feito em grandes canoas, pelo Arroio Cadeia, chegando até o rio Caí e, por ele a Porto Alegre. Esse isolamento fez com que no Campestrão se desenvolvesse uma cultura peculiar que se reflete no modo de falar e de pensar da população.

Sérgio Flores Nonô, Adriano Ferreira Negrão e Flávia Juchem, que têem suas origens na localidade, contam histórias e lembram expressões que fazem parte do folclore local:

Sérgio Flores Nonô - O Cabo de Rêio, encostado num poste de luz, se papiando que tinham colocado um póste de luz novo na Conceição e tal... Dizendo que agora tinha de tudo lá.. Nisso veio uma abelha e picou ele enquanto se papiava, e ele já largou essa pérola: Ué... E dá um chóquiinho ... 

Adriano Ferreira Negrão: Cabo de Rêio, estava almoçando com o Ivan Padeiro. Dai chegou um famoso massagista da cidade. O Ivan apresentou os dois e o Cabo de Rêio disse.." tu não é aquele que matou um destroncado???" O massagista, educado como sempre, levantou-se e saiu da mesa... O Cabo de Rêio, então, olha para o Ivan e diz "Ué. Já perdi o amigo".

Sérgio Flores Nonô: Essa aconteceu na rodoviária de São Leopoldo: Cedo, o Cabo de Rêio passou de ônibus e viu a abertura das Olimpíadas de São Leopoldo. Um cara com a tocha Olímpica correndo, duas motos da Brigada acompanhando e o resto dos corredores mais atraz acompanhando. Depois do meio dia quando ele ia voltar pro Caí, chegou num brigadiano na Rodoviária e perguntou: E aí? Venceram a pegar aquele Nego que roubou um candieiro na Scharlao? Quando passei demanhã tinha duas moto e uma turma correndo atrás e não venciam de atacar!

Adriano Ferreira Negrão: Certa feita, o Baduc fez uma sociedade com o Bastião Pereira em um porco. Eles brigaram e desfizeram a sociedade. O Baduc contava que, só de raiva,  engordou só a metade do porco que era dele....

Adriano Ferreira Negrão: Numa festa do Santuário, chegou uma fina mulher toda de branco e de helicóptero. Dai deu aquela revoada de pombos, que lá existe muito. Daí, nesse voo, um pombo deu uma cagada na cara da tal mulher, então ela disse; "Quem fes isto???"   "Quem fez eu não sei," disse o BADUK, "mas que tem um montão de cu pra inestigar tem ....."

Adriano Ferreira Negrão: Certa feita o Baduk estava indo pro Campestre e o ôniibus enguiçou. Daí, o motorista levantou e disse a todos: "Calma, pessoal. Tá vindo um ônibus de Taquara ( Taquara=cidade)". O Baduk levata e diz: "Ué, se este de ferro não aguentou,  bem capaz que um de taquara vai aguentar".


Flavia Juchem: Vocês lembram do Salmerão ?  Era um negro muito parceiro. Ele foi no Arroio Bonito, num baile de casais, e não deixaram entrar porque não tinha companheira. Ficou pela rua. Nisso chegou o doutor juiz, seu Sejalmo, também de raça negra. Perguntou para o Salmerão: "É aqui o baile?"  E ele logo foi respondendo:" É aqui , mas já vô avisando negão não entra !!!"

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