Google+ Followers

Google+ Followers

Google+ Followers

domingo, 25 de fevereiro de 2018

5315 - A guerra

Soldados do império brasileiro sofriam muito desconforto,
mesmo quando não estavam na frente de batalha


Em suas memórias, Lenz (1997, p. 20) relata: Dez ou 12 dias após a nossa chegada no Rio de Janeiro, fomos trazidos a bordo de um vaso de guerra brasileiro, e seguimos para o Rio Grande do Sul. Com o que teve início uma vida miserável.
Dez dias como arenques imprensados na cobertura, praticamente impossível de se deitar por causa da sujeira e da umidade. Comida também miserável de charque mal preparado e feijão preto.
Quando à noite não se era enganado pelos homens do navio, podia se falar de sorte.
Em Desterro, onde paramos por algumas horas, vieram até o navio botes com ovos e frutas que naturalmente logo acabavam.
Ainda no relato de Lenz, ao chegarem a Pelotas - RS, foram alojados de forma rude e sem as mínimas condições de abrigo.
Diz o autor (p. 12): A 1ª e 2ª baterias de nosso regimento estavam acampadas em grandes alojamentos perto da praia; a 3ª e 4ª (a bateria de Michelsen), em casas de moradia em local afastado da cidade.
Para melhor aproveitar o acanhado espaço, os homens dormiam em beliches. Colchões não havia, de sorte que tivemos que deitar sobre a tábua crua. Quem podia, comprava uma esteira de junco e uma coberta leve.
Quem conservou sua coberta do Rio, utilizou-a, mais o manto, para improvisar uma cama.
O pior eram os insetos. Pulgas e mais pulgas! Especialmente judiadas estavam a 1ª e 2ª baterias junto do rio.
Para nos defendermos um pouco da praga, surgiu a ideia de se fazer um saco do lençol, meter-se nele à noite e amarrá-lo próximo ao queixo. Assim estávamos de certa maneira protegidos.
A casa não podia ser lavada porque não era assoalhada.
 As condições de sobrevivência reveladas por Lenz demonstram, mais uma vez, que os imigrantes europeus no século XIX, ao chegarem ao Brasil, seja na condição de mercenários, seja na de colonos com suas famílias para trabalhar na terra, encontraram uma realidade diversa daquela prometida e que servia de atração para seduzi-los.
Ao tocarem o nosso solo, os sonhos se desfizeram e as promessas de abundância se transformaram numa dura realidade de pobreza, num território inóspito e desconhecido.

MEMÓRIAS DE UM PROFESSOR Luiz Alberto de Souza Marques 

Nenhum comentário:

Postar um comentário