quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

1322 - Nosso blog chega a 100 mil visualizações


O passado, mas também o presente e até o futuro do Vale do Caí são retratados no blog, que já tem repercussão mundial

O Fato Novo vem alcançando grande sucesso com os blogs que mantém na internet. No dia de ontem, o principal deles, Histórias do Vale do Caí chegou a 100 mil visualizações de páginas. 
Um grande feito, já que o blog trata de assunto de interesse restrito (apenas Vale do Cai e a sua história) e não é de apelo popular.
O conhecimento da história da região é tão importante, ou até mais, que o da história da humanidade. Precisamos mais  conhecer e compreender o que está perto de nós do que o que está longe. Tanto é assim que as pessoas lêm mais os jornais locais do que os de âmbito estadual ou nacional. Mas os assuntos culturais, inclusive a história, interessam menos do que as notícias da atualidade.
Por outro lado trata-se de assunto difícil, pois existem pouca pesquisa e publicações sobre a história da região. Mesmo assim, em apenas dois anos e meio de trabalho, o blog conseguiu produzir 1.321 artigos sobre o assunto que, antes, parecia bastante restrito.
Essa coleção de material, se fosse publicada em livros de tamanho médio, teria 26 livros (cada um deles com 50 capítulos). 
O blog mudou uma realidade. Se antes era difícil encontrar informações sobre a história do Vale do Caí, agora ficou extremamente fácil.
Basta abrir o blog na internet (Google) escrevendo Histórias do Vale do Caí, que a página inicial aparece na tela do computador. Mais fácil que pegar um livro na estante. Que dirá 26 livros. E o blog tem acesso gratuito, além de prático e rápido. Além disso o material, além de textos, conta com riquíssimo conteúdo de ilustrações.
O difícil seria encontrar as informações desejadas. São necessários muitos dias, ou meses, para ler todas as 1337 postagens já publicadas. E dezenas de outras são publicadas a cada mês.
Mas isso também não é problema no blog. Usando o sistema de busca que se encontra na página de abertura, o computador seleciona as postagens em que se encontram informações sobre o assunto desejado.
Se você se interessa por um determinado personagem - Por exemplo, Bruno Cassel - basta escrever o nome corretamente na barra de busca.
No caso do Doutor, aparecem 36 postagens nas quais ele é citado.
O mesmo acontece se fizermos a busca sobre o pequeno, e jovem, município de Linha Nova, ou qualquer outro município da região.
O blog, sem dúvida, é uma grande conquista para a cultura do Vale do Caí. Poucas outras regiões, pequenas como a nossa, contam com uma fonte de informações sobre a sua história que seja tão ampla e facilmente acessível. Além de gratuita.
O blog é editado pelo Fato Novo. Mas é, também, uma criação coletiva, pois muitas pessoas já colaboraram para o enriquecimento do seu conteúdo. Elas mandam fotos e informações que, sendo relevantes, são acrescentadas ao acervo do blog.
Além de proporcionar informação aos moradores do Vale do Caí sobre a história da sua terra, o blog divulga a região por grande parte do mundo. Pessoas de 82 países já o acessaram.
Animado com a receptividade do blog e cientes da contribuição que ele dá à cultura e à autoestima do povo da região, o Fato Novo está comprometido na continuação do seu trabalho com o blog e com o seu contínuo aprimoramento.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

1321 - Times caienses da década de 1950

Times do Comando e do Auto Center
(clique sobre a foto para ver melhor)
Time da Vila Rica
Comando
.

A professora Vânia Laux de Leão, além de ser filha de Dary Laux, é interessada em história e tem dado importantes contribuições para as Histórias do Vale do Caí. Ela nos apresenta agora times de futebol dos tempos em que Dary foi jogador.


1) Time da Vila Rica:
O time era patrocinado pela Padaria Laux & Rangel, sendo  que o campo estava situado na área onde foi construído o pavihão da ERAM do Brasil (depois ocupados pela Vacchi , mais tarde Azaléia e, agora pela Conservas Oderich.. A foto foi tirada em junho de  1957.                           
Este campo ficava à direita, mais para trás, onde é hoje o estacionamento da Oderich. A propriedade
pertencia à família Noronha (de Lourdes e Abelardo Jacques Noronha, ele um dos mais importantes dirigentes da história do Esporte Clube Internacional e ela uma grande fazendeira). Com Abelardo foi 
negociada a doação da área para construir a Escola Josefina da Vila 
Rica, uma brizoleta de madeira. A escola recebeu o nome da mãe deles (Josefina Jacques Noronha).
Dary jogava no time, mas neste jogo faltou e não está na foto.
Os jogadores são, da esquerda para a direita: Edilar Schneider, Arlindo Liehl, João 
Taglieber, goleiro Ataíde (veio de Taquara trabalhar na padaria como 
padeiro), Erni Peters, Pedro Silva.
Agachados são .....Lenhardt, Julinho...., Aparício Kohl, Laurindo 
Raimundo e Laurindo Lorscheiter.
Os mascotes, são o Mauri Rangel, com 7 anos, e o Juarez Taglieber, 9 anos.

2) Esporte Clube Comando ou Comando Esporte Clube.
Numa das fotos,do início dos anos 60, vemos a equipe caiense do Comando e o Auto Geral, equipe de uma empresa de Porto Alegre. Dary escreveu atrás da foto: Comando 0 - Auto Geral 1. Os visitantes venceram. O fato de haver sido terada um foto. O que ainda era raro naquela época, mostra a importância que se dava à visita de uma equipe de Porto Alegre.

3) A outra foto, sem dúvida, mostra o Comando, que era um time do Centro, dissidente do Guarany e Riachuelo. Time que teve vida efêmera. A foto foi no mesmo jogo, mesmo dia, com os seguintes jogadores:
Da esquerda para a direita: Henrique Fisch, Dary Laux, Maurício Fortes, 
..........., Armênio Henzel, ... Welter (apelido Craiolo),
Agachados: Manoel Câmara, Waldir Dias, Heitor Piovesan, ............ e Beto Adam.
Vânia conta com a ajuda de sua mãe, Vera, para obter essas informações. Aceitamos ajuda para a identificação dos demais jogadores. Figuras destacadas da vida caiense faziam parte da equipe.

1320 - Biografia de Dary Laux

Dary na campanha de 1976 (paletó xadrez, naquele ano, era moda)

Dary Laux nasceu na localidade de Angico, no dia 17 de janeiro de 1930. Era  filho do casal Alfons Laux e Sibylla Ströher Laux, e o irmão mais velho das gêmeas Dilva, Delva e  Dione. Muito jovem, trabalhou junto com a família na propriedade dos pais, que mantinham também uma olaria e uma atafona.
Começou seus estudos na pequena escola da localidade onde nasceu e deu continuidade na Escola Duque de Caxias, antiga escola alemã, mantida pela Comunidade Evangélica Luterana. Com o intuito de prosseguir nos estudos, aos 14 anos se mudou para Porto Alegre. Iniciou o curso ginasial na Escola do Sindicato dos Empregados do Comércio. Para se manter, foi trabalhar em um armazém de secos e molhados do caiense Arthur Fetzer e após, por três anos, trabalhou no escritório da Empresa A. J. Renner, indústria de vestuário que havia se transferido de São Sebastião do Caí para Porto Alegre.
Em 1947, com 17 anos, voltou para o Caí, indo trabalhar na Mecânica Caiense Ltda, revendedora dos veículos da marca Dodge, que pertencia a um grupo de empresários. Entre eles, seu tio Arlindo Laux e Otávio Lamb.
            Foi convocado para o serviço militar e rumou para o quartel da cidade de São Gabriel, retornando depois de um ano. No Exército fez inúmeras amizades, sendo que algumas ele conservou por toda a vida e outras resgatou nos seus últimos anos.
Em agosto de 1950, aos 20 anos, formou sociedade com Lauri Rangel, adquirindo a parte de Antônio Martinez na Padaria Princesa, no bairro Vila Rica. Como fazia entrega dos produtos da padaria em várias localidades do município, que era muito grande, foi tornando-se conhecido e muito estimado por todos  na região.
            Nesta fase, após casar-se com a também caiense Vera Diesel, em 29 de setembro de 1951, iniciou a dedicação às entidades sociais e esportivas, principalmente na Sociedade Esportiva e Cultural União da Vila Rica e no Esporte Clube Guarani, fazendo parte das diretorias.                                                                                                                                            No final dos anos 50, colaborou na criação do Ginásio São Sebastião, administrado pela congregação das irmãs Bernardinas e foi fundamental  sua atuação na implantação da Escola Estadual Josefina Jacques Noronha, escola de madeira (brizoleta) inaugurada em 1963 no governo de Leonel de Moura Brizola. Teve participação, também, na implantação da Escola Cenecista Alceu  Masson.,  escola de ensino médio profissionalizante,conhecido como “Contador” .
            Nos anos  60 e 70 foi sócio fundador do Country Tenis Club e do Clube Rio da Mata, e, também, presidente da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em São Sebastião do Caí..
Como empreendedor, Dary Laux em 1965 fundou, em companhia  com o seu cunhado Décio Arthur Wiederkehr, uma metalúrgica, a Balanças São Sebastião, com fundição própria.   Em sociedade  com suas  3 irmãs, na propriedade situada no Angico,  criou o Loteamaento Jardim Residencial Laux.
Convidado pelo Doutor Orestes José Lucas, ingressou na política em 1959, elegendo-se vereador pela primeira vez pelo PTB e venceu novamente o pleito para vereador quatro anos depois pela mesma sigla partidária.
Com as mudanças políticas no cenário brasileiro, ao lado de Heitor Pedro Selbach, pelo Movimento Democrático Brasileiro que ajudou a fundar, em novembro de 1968 se elegeu vice-prefeito, e em 1972, novamente vereador com expressiva votação.
Voltou a concorrer junto com o prefeito Heitor em 1976, elegendo-se pela segunda vez vice-prefeito.
Com a abertura política e a criação dos novos partidos, pela sigla do PMDB retornou como vice-prefeito nas eleições de 1988, juntamente com o prefeito Egon Schneck, finalizando as atividades políticas  que duraram  32 anos.
Ao final desta última administração, portanto, depois de 3 vezes vereador e 3 vezes vice- prefeito, retirou-se da vida pública e passou a cuidar somente de suas empresas até a sua aposentadoria. Porém, permaneceu ainda como Presidente de Honra do PMDB em São Sebastião do Caí, e, continuou participando de reuniões e apoiando o seu partido.
A política nunca deixou de ser um dos seus assuntos preferidos e tinha um grande sentimento de satisfação pela a amizade com o Senador Pedro Simon, considerado um “velho amigo”. Em nenhuma ocasião deixou de votar e ainda foi às urnas, em 2008, na eleição para prefeito.
Dary Laux era grande torcedor do Grêmio. Também gostava de jogar futebol e foi atleta do Esporte Clube Comando, como  também, jogou no time de futebol da Vila Rica que existiu nos anos 60.
O seu maior prazer, foram as viagens que realizou com a esposa e amigos, enquanto a saúde permitiu. Conhecia cada pedaço do chão gaúcho e viajou para quase todos os estados brasileiros,  como também para algumas cidades da América do Sul.
O estilo preferido de música foi o tango argentino e teve oportunidade de conhecer casas de tango em Buenos Aires.
Nos últimos anos, gostava de contar suas memórias para a família e para os amigos, relembrando fatos de sua vida, bem como seus feitos e os marcantes acontecimentos na política, enquanto atuava. 
Em 19 de maio de 2002, Dary Laux sofreu um AVC hemorrágico ficando com sua saúde bastante debilitada. Aos oitenta anos, no dia 18 de setembro de 2010 faleceu em decorrência de uma pneumonia no Hospital da UNIMED, em Montenegro, após ter sofrido, dias antes,  um infarto do miocárdio. Além de um imensa lista de amizades, deixou  a esposa Vera, as filhas Vânia e Jane, os genros Vasco e Itovar e os netos Aline e Marcos.

Texto e pesquisa de Vânia Laux Leão

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

1319 - Cem anos do Volksverein


O Hospital Sagrada Família foi uma das grandes criações da Sociedade União Popul
Histórico e ideário da Sociedade União Popular
100 anos (1912 - 2012)

No dia 12 de abril de 1912, em grande concentração popular pelo “Katholikentag” realizado em Venâncio Aires, RS,  fundou-se a Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul, o popular “Volksverein”. Seu idealizador e maior propugnador foi, sem dúvida, o jesuíta suíço radicado no Brasil desde 1885, Padre Theodor Amstad.
O seu principal objetivo era congregar os descendentes de imigrantes alemães, incentivando-os para uma vida comunitária intensa e ativa sob os parâmetros da solidariedade cristã, que conduzisse a um desenvolvimento equilibrado e sadio das suas comunidades nos aspectos religioso, social, político e econômico.

Na época, as regiões coloniais mais antigas já apresentavam excedentes populacionais, constituindo uma geração de jovens agricultores sem terra. Estes jovens eram atraídos para as cidades em expansão sem estarem preparados para adaptar-se ao meio urbano; e, sem perspectivas, entravam em perigo de proletarizar-se e perder os rumos social, religioso e ético de suas vidas.

A solução óbvia e imediata do problema era a abertura de novas fronteiras agrícolas no Brasil, para o que sobravam terras férteis e devolutas, mas faltavam iniciativas e recursos governamentais. Então as Igrejas, conscientes da sua responsabilidade pelos membros de suas comunidades rurais, assumiram a tarefa de realizar uma verdadeira “Reforma Agrária”. Uma primeira tentativa conjunta, num arroubo ecumênico para o qual o tempo ainda não estava maduro, levou à fundação do Bauernverein (Assosciação de Agricultores). Esta tentativa não conseguiu empolgar as comunidades devido aos preconceitos então dominantes. Mas as Igrejas não desistiram do intento, e partiram para a ação independente.

Foi assim que nasceu o “Volksverein”, que logo partiu para a mobilização das comunidades e a concretização de metas voltadas para a valorização de seus membros. As mais relevantes de suas realizações foram a instalação de grandes colonizações: Serro Azul, Santo Cristo, e, já fora dos limites do Rio Grande do Sul, Porto Novo. Milhares de jovens agricultores foram assentados ali com suas famílias. Nada recebiam gratuitamente, mas adquiriam seus lotes em condições amplamente favoráveis e eram assistidos em suas necessidades sociais, culturais e espirituais. Entretanto, outras medidas foram aos poucos sendo tomadas: de assistência médica através do Hospital Sagrada Família, em São Sebastião do Caí; de atendimento a idosos através de um lar adequado; de atendimento a crianças através da formação de professores no Seminário Católico de Professores em Novo Hamburgo. Ressalte-se aqui: os professores formados eram capacitados e estimulados a agir nas comunidades rurais isoladas, não só como educadores nas escolas, mas como agentes culturais na direção de corais e organização de eventos, e econômicos na orientação às cooperativas que se constituíam (especialmente as “caixas rurais” do sistema Raiffeisen, de tão grande importância para o desenvolvimento rural). Eram ainda líderes religiosos oficiando cultos dominicais naquelas comunidades que só com grandes intervalos de tempo recebiam a visita de padres para a celebração da missa.

Esta amplitude e profundidade da ação do “Volksverein” se tornou possível devido à adequação de sua ação aos objetivos e necessidades da época, à sua intensa divulgação na sociedade teuto-brasileira, e à mobilização solidária de todas as categorias sociais da mesma. Porque era consenso, então, que o cerne do elemento teuto-brasileiro estava na colônia e o colono era o seu representante mais autêntico. O apoio a esta classe, portanto, constituía um apelo a todos os descendentes dos imigrantes e mesmo de simpatizantes em outras denominações eclesiásticas e etnias. As módicas contribuições dos membros se multiplicavam e instrumentalizavam a concretização dos objetivos comuns. Assim, o lema latino do “Volksverein”: OMNIBUS OMNIA – Tudo para Todos – se entranhou naturalmente nas consciências individuais e constituiu uma mentalidade solidária que se tornou (e transformou a entidade) num fator preponderante no desenvolvimento da “colônia”, do Rio Grande do Sul e de todo o Sul do Brasil.

Sabe-se hoje que este desenvolvimento sofreu uma ruptura violenta pela




1318 - Amstad, o cavaleiro da fé

Caixeiro-viajante de Deus

18 de fevereiro de 20129
O padre Theodor Amstad. Foto: reprodução do livro "Sesquicentenário da Imigração Alemã, Editora Edel"
Um padre católico nascido na Suíça tornou-se um grande personagem dentro da comunidade gaúcha de origem alemã. No mínimo, por sua presença física: calcula-se que o jesuíta Theodor Amstad (1851 – 1938) chegou a percorrer uns bons 5 mil quilômetros, montado em um burro, percorrendo regiões de colonização alemã no Estado. Primeiro, ele visitava as famílias na condição de sacerdote. Depois, como representante da Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul (Volksverein), entidade fundada por ele – que, no próximo dia 26, completa cem anos de atividade.
Amstad chegou ao Estado em 1885 e, em 23 anos de ministério pastoral, conheceu bem as dificuldades dos agricultores estabelecidos nas regiões de colônia alemã. Tanto que os incentivou a se unirem em associações. O ponto culminante desse processo foi a criação, em 1912, da Volksverein, hoje chamada Associação Theodor Amstad – entidade que tornou-se decisiva para a organização do meio rural da região nas décadas seguintes.
De tanto andar pelo Interior em seu burro, o próprio Amstad se definia como um "caixeiro-viajante de Deus". Numa queda sofrida às margens do Rio Taquari, o padre ficou paraplégico, mas seguiu em atividade na cadeira de rodas.
Monumento para Amstad em Nova Petrópolis. Foto: reprodução do livro "Sesquicentenário da Imigração Alemã, Editora Edel"
O monumento erguido em homenagem a ele em Linha Imperial, dentro de Nova Petrópolis, será um dos cenários das comemorações marcadas para a manhã do dia 26.
A inauguração do monumento, em 1942. Foto: reprodução
Também será lembrado o centenário da revista mensal Sankt Paulusblatt ("Folha de São Paulo", em tradução literal), editada em alemão até hoje.
Publicado no Almanaque Gaúcho, de Zero Hora, com colaboração de Hugo Hammes

1317 - O Padre Amstad, o cooperativismo e a União Popular

A Sicredi Pioneira RS, primeira Cooperativa de Crédito da América Latina completará 110 anos de atividades em 2012

January 1st, 2012No comments
A Sicredi Pioneira RS completará 110 anos no dia 28/12/2012
A Revolução Industrial que transformou a Europa no século XVIII, fez com que inúmeros imigrantes, inicialmente alemães e italianos, vissem no Brasil uma nova esperança de vida. A difícil situação vivida pelas famílias europeias, tanto nas grandes cidades como no meio rural, provocou o surgimento de cooperativas não só naquele continente como também na América do Sul. O mesmo cenário de fome e miséria vivido na Inglaterra pelos tecelões de Rochdale era também a preocupação de Hermann Schulze e de Friedrich Raiffeisen, na Alemanha. No período compreendido entre 1824 e 1899 78 mil alemães desembarcaram no Brasil, vindo a maior parte deles a se instalar no Rio Grande do Sul, região do país em que tudo estava por fazer, mas ao menos haviam terras para todos.
Neste cenário, em 1885, chega ao Brasil, aos 34 anos de idade, o Padre Jesuíta Theodor Amstad, suíço de nascença, mas ordenado padre na Inglaterra. Amstad recebeu como primeiro trabalho missionário doutrinar as famílias de imigrantes que estavam chegando ao Rio Grande do Sul.Como era jovem, Amstad era destinado, pelos padres mais idosos, para o atendimento às capelas do interior e, especialmente, à assistência a pessoas doentes, que precisavam ser visitadas em casa. Após diversos anos (1885 a 1905) percorrendo de mula o então município de São Sebastião do Caí, que na época tinha uma vasta extensão territorial, o Padre percebera que muitas eram as carências dos imigrantes que aqui chegaram, sendo a necessidade de segurança, de educação, de saúde e a adequada alimentação algumas delas. Foi então, que no ano de 1899 o Padre Amstad  lança sua plataforma cooperativista e associativista, fundando o Bauerverein (Associação de Agricultores), uma entidade interconfessional formada por católicos e evangélicos e que começou a discutir os rumos para o futuro e que em 1912 foi substituída pelo Volksverein (Sociedade União Popular), formada apenas pela Igreja Evangélica.
O Volksverein completará seu centenário em 2012
Foi neste período de nossa história que a igreja assumiu para si um papel de fundamental importância, organizando os agricultores em torno dos objetivos que eram necessários ser alcançados, sendo constituídas escolas, asilos, hospitais sindicatos e cooperativas, agropecuárias e de crédito. As cooperativas de crédito forneceriam o suporte financeiro para o desenvolvimento que estava sendo buscado, principalmente fornecendo o financiamento para que os agricultores pudessem comprar novas terras em novas regiões que estavam sendo colonizadas.
Foi assim, que no ano de 1902, em Linha Imperial, distrito do município de Nova Petrópolis/RS, surge a primeira cooperativa de crédito da América Latina, a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, atual Sicredi Pioneira RS, uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil. Logo nos anos seguintes outras cooperativas de crédito são fundadas, a exemplo de Bom Princípio (1903), Lajeado (1906) e São José do Herval (1907), sendo atribuídas ao movimento iniciado pelo Padre Theodor Amstad e ao Volksverein a fundação de 36 cooperativas de crédito, sendo uma delas em Santa Catarina. Atualmente permanecem em funcionamento 7 das 36 cooperativas constituídas neste período.
As cooperativas criadas nesta época seguiam o modelo de Raiffeisen, que se adaptava ao perfil econômico e social das comunidades dos imigrantes alemães, caracterizadas pela presença nas pequenas comunidades, capital limitado e produção voltada para o mercado interno. Este movimento atingiu um bom nível de desenvolvimento, chegando inclusive a constituir em 1925 uma Central das Caixas Rurais, a primeira do tipo no Brasil, que posteriormente foi extinta por força governamental.
Segundo o Presidente da Sicredi Pioneira RS, Márcio Port, “o ano de 2012 será repleto de comemorações, principalmente junto aos associados das cooperativas da região em que atuamos. Além do aniversário da Sicredi Pioneira RS comemoraremos os 100 anos da fundação do Volksverein, entidade que também teve o Padre Amstad como fundador e que foi fundamental para a expansão do cooperativismo de crédito no Rio Grande do Sul. Também a Cooperativa Agropecuária Piá completará 45 anos de atividades. Em agosto/12 será realizado em Nova Petrópolis o Concred (Congresso Brasileiro das Cooperativas de Crédito): tudo isto em um ano especial, o ano em que a ONU declarou como Ano Internacional das Cooperativas“.
Saiba mais sobre o Padre Amstad e sobre a fundação da cooperativa nohttp://cooperativismodecredito.com.br/sicredi_pioneira/
Fonte: Casa Cooperativa de Nova Petrópolis

Padre Theodor Amstad, um pioneiro na construção de comunidades

July 17th, 20111 comment
Texto de José Odelso Schneider sj (PPGCS/CESCOOP/UNISINOS) falando do Padre Theodor Amstad, o fundador da Sicredi Pioneira RS, a primeira Cooperativa de Crédito da América Latina, e também de muitas outras cooperativas de crédito.
Padre Theodor Amstad
Amstad foi seguramente um relevante e criativo pioneiro na articulação e no desenvolvimento dos micro e pequenos agentes de produção rural, industrial e de serviços, especialmente em Municípios dos Vales do Rio dos Sinos e do Vale do Rio Caì. Padre Teodoro Amstad nasceu na Suíça em 09 de novembro de 1851. Veio para o nosso país em 1885, procedente da Inglaterra, onde concluiu seus estudos teológicos.
Trabalhou na região do Vale do Rio Caí de 1885 a 1905, tendo como sede a paróquia de São Sebastião do Caí; e que atendia às comunidades de São Salvador/Tupandi, Pareci Novo, Bom Princípio, Santo Inácio da Feliz, Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Cima da Serra – atual São Francisco de Paula.
Como suíço dominava também a língua italiana, o que facilitava suas visitas à Região de imigração italiana articulando-os em torno de cooperativas.
Posteriormente, de 1905 a 1923 atendia pastoralmente na região do vale do Rio Taquari , ano em que teve uma queda de cavalo, com seqüelas na coluna que o obrigaram desde então, a andar em cadeira de rodas.
Nestes 38 anos de atividades pastorais e sociais diretas, percorreu segundo depoimentos da época cerca de 80 mil km no lombo da mula (em média, cerca de 40 km por semana) . Por isso, após o acidente, em 1923 foi transferido para uma casa dos jesuítas em São Leopoldo, ali permanecendo até sua morte em 1938. Mas, com seus escritos e suas múltiples correspondências, continuou acompanhando as 13 cooperativas que havia ajudado a fundardiretamente e a própria Sociedade União Popular (Volksverein), da qual era o Secretário.
Segundo o depoimento do próprio Pe. Amstad, como auxiliar por 15 anos do pároco de Caì, percorria em média 5.000 km anuais (em torno a 96 km. semanais), desde Pareci Novo até a atual Caxias do Sul no lombo da mula, que considerando as dificuldades das estradas de então, em sua “viatura ” percorria em média uns  7 km por hora.
Como sacerdote católico, desenvolveu uma benemérita ação pastoral, manifestada em meritórias iniciativas de cunho apostólico e social, destacando-se pelo pioneirismo em diversas atividades. Teve capital importância junto com lideranças católicas e evangélicas na criação daPrimeira Associação de Agricultores do RS, em 1900 na então Santa Catarina da Feliz. Foi pioneiro também na difusão do cooperativismo, merecendo menção especial sua histórica plataforma do Movimento Cooperativo enunciada na tarde de 25 de fevereiro de 1900, quando proferiu, durante o III Congresso de Agricultores do RS, realizado na cidade de Feliz, célebre conferência, em que participaram cerca de cinco mil pessoas. Denunciou então “a dependência econômica do Brasil – a nova escravatura instalada no país – exploração dos agricultores: baixos preços pagos aos produtos agrícolas, ameaça de aumento da dívida externa; exportar mais e importar menos e apelo à União e proposta de organização (cooperativas)”. Ou segundo sua denùncia: os agricultores transferem carroçadas de produtos às cidades, donde retornam com apenas algumas bugigangas sob os braços…
Dois anos depois, com um grupo de produtores rurais familiares, funda em Linha Imperial, então Município do Caí e depois de Nova Petrópolis, a 28 de dezembro 1902, a primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina. Esta funciona ininterruptamente até hoje, já acumulando uma experiência de 109 anos a serviço dos pequenos poupadores e prestamistas, que geralmente não tem acesso aos Bancos Convencionais. Esta cooperativa pioneira, junto com outras sete cooperativas de crédito que sobreviveram às medidas oficiais promulgadas em 1966, passaram a ser as inspiradoras do modelo que com a assessoria de Mario Kruel Guimarães, em 1980 se reestruturou como o Sistema SICREDI/RS, que rapidamente se expandiu, inclusive criando um próspero Banco próprio em Porto Alegre e hoje amplamente difundido pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso Norte e São Paulo, com 1,8 milhões de associados, todos procurando ser CO-PROPRIETÁRIOS e reais PROTAGONISTAS do sistema. Em outros Estados do País atua o Sistema SICOOB , igualmente com Banco Próprio e com sede em Brasília, e também voltado ao micro e pequeno poupador e prestamista e em constante interação, até com intercâmbio e transferência de tecnologias, com o sistema SICREDI. Ambos os sistemas, mais outros sistemas de crédito cooperativado da economia solidária já são responsáveis hoje por aproximadamente de 5 milhões de associados no País. Mencione-se ainda a participação de lideranças religiosas , católicas e evangélicas, na fundação de muitas cooperativas locais, seja de crédito como também de outros ramos ou setores de atividades.

A Sociedade União Popular

A Sociedade UNIÃO POPULAR (Volksverein) fundada por Amstad em 1912, tendo depois como seu condutor o Pe. João Batista Rick, e mais a colaboração do Pe. Maximilian Von Lassberg, contribuiu para a fundação da então Colônia de Cerro Azul – hoje Cerro Largo, de Santo Cristo , ambas no RS, mais a Colônia de Porto Novo, hoje Itapiranga e São João do Oeste em Santa Catarina, como também as colônias em Puerto Rico, Capiovi e San Albertona Província de Misiones, Argentina. Além disso, a Sociedade contribuiu na Fundação do Leprosário de Itapoã, no Amparo Santa Cruz de Belém Velho que abrigava filhos de famílias leprosas e mais os Hospitais Sagrada Família de São Sebastião do Caì, de Cerro Largo e de Itapiranga. Outra meritória iniciativa da SOCIEDADE UNIAO POPULAR, foi a fundação , em Novo Hamburgo, de uma Escola para a formação de professores paroquiais procurando formar quadros competentes, para atuarem nas Escolas Paroquiais das Regiões de colonização germânica e até italiana , suprindo assim, na ausência da educação universal e pública, a relevante função educacional e cultural das comunidades, que apenas várias décadas depois passaria a ser função precípua dos poderes públicos municipais, estaduais e federal.
Passados uns bons anos e após tantos desvirtuamentos econômicos e sociais na sociedade brasileira, opera-se hoje, transcorrido um século, um salutar resgate da autenticidade do cooperativismo com base nas idéias do eminente padre, que privilegiava a cooperação e a solidariedade em substituição à concorrência e ao conflito, processos esses cada vez mais ávidos pela acumulação e concentração de bens e riquezas, próprias do sistema capitalista. Pois segundo ele, se uma grande pedra se interpõe no nosso caminho, uma só pessoa não conseguirá movê-la dali. Mas, a união e o esforço conjunto de várias pessoas, conseguirá tirá-la do caminho.
O Pe. Amstad trabalhou também e intensamente no desenvolvimento do ecumenismo. Sua ação pastoral foi repleta de espírito e fatos ecumênicos, ao tempo que nossas igrejas cristãs digladiavam-se abertamente, tendo como bandeira questões referentes às escolas e aos sacramentos. Por isso ao longo dos 12 anos que acompanhou a Associação de Agricultores (Bauerverein), de 1900 a 1912, promovia-se anualmente, em parceria entre lideranças católicas e evangélicas, padres e pastores, as Semanas Rurais, onde se estudavam e debatiam os principais problemas e desafios dos pequenos e médios agricultores da época: como preservar os solos férteis e nossas riquezas florestais, como comercializar a produção rural, sem ser explorado ou espoliado na comercialização, etc.
Por outro lado, também foi precursor dos direitos das mulheres quando em 1912 lutou de forma inovadora, pela participação feminina em associações, como na própria Associação Sociedade União Popular (Volksverein). Destacou-se na comunicação social, com a participação importante em diversas publicações. O “Skt. Paulusblatt” que ainda é mensalmente editado, teve a participação decisiva de Amstad no seu lançamento. Podemos referir ainda o “Bauernfreund”, que foi inaugurado ecumenicamente quando da fundação do Associação de Agricultores. O almanaque “Familienfreund” passou a circular posteriormente como Anuário da Família (Familien Kalender).
Também atuou como ecologista. Nessa área, foi o precursor da valorização dos compostos orgânicos para a refertilizaçao dos solos agrícolas e do ensinamento traduzido na seguinte expressão: “para cada árvore derrubada plantar, no mínimo, uma outra”, pois o cuidado com as florestas e o próprio reflorestamento eram temas obrigatórios de debate nas Semanas Rurais entre 1900 e 1912.
Padre Teodoro Amstad faleceu aos 87 anos, na noite de 08 de novembro de 1938, em São Leopoldo, deixando na esteira de sua vida muitas obras e iniciativas de relevante impacto social e comunitário, sempre propondo como condição do êxito das mesmas, o aprendizado, o protagonismo e o crescimento na solidariedade e na cooperação. Suas iniciativas de caráter benemérito estão gravadas entre nós e nos servem de exemplo e estímulo.

1316 - 100 anos da Sociedade União Popular

Associação Theodor Amstad e revista Sankt Paulusblatt 
comemoram seu Centenário


por João Luiz Mallmann, presidente da Associação Theodor Amstad

No dia 26 de fevereiro de 2012 a nossa Associação Theodor Amstad – antiga Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul e popularmente conhecida como Volksverein completa 100 anos de atividade. O grande idealizador e maior incentivador desta magnífica obra de promoção humana foi o jesuíta suíço radicado no Brasil desde 1885, Padre Theodor Amstad.
Exemplar de janeiro de 2012 - o ano do duplo centenário
A sua Fundação ocorre em 26 de Fevereiro de 1912, em grande concentração popular pelo “Katholikentag” realizado em Venâncio Aires. E a sua fundação não é mera obra do acaso. O Pe. Amstad um grande visionário que já era muito conhecido dos colonos e por eles vinha trabalhando para que tivessem uma vida mais digna e justa propõe a criação de Entidade que congregasse os descendentes de imigrantes alemães, incentivando-os para uma vida comunitária intensa e ativa sob os parâmetros da solidariedade cristã, que conduzisse a um desenvolvimento equilibrado e sadio das suas comunidades nos aspectos religioso, social, político e econômico.

 
A revista Sankt Paulusblatt passou por diversas remodelações - a última no início de 2011 
Os colonos das regiões vivam tempos difíceis, em especial apresentavam excedentes de produção e populacionais. Havia um eminente perigo de que nas colônias surgisse uma geração de jovens agricultores sem terra e correndo o perigo de se perderem e se afastarem de valores sociais, religiosos e éticos de suas origens.

Assim era seu visual mais recente, antes da última reformulação
                 
A proposta da Fundação do “Volksverein” - Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul é em parte resultado de outras experiências que já existiam na Europa e mesmo de organizações criadas aqui no Brasil que haviam dado resultados positivos. Ainda assim era uma proposta inovadora, com um desejo profundo de promover o bem estar da família e da sociedade colonial. Os Congressos de Católicos “Os Katholikentage”  e “Associação Riograndense de Agricultores”, concebida como uma organização leiga, inter-confessional e inter-étnica, concebida como um amplo projeto de desenvolvimento e promoção humana, foram em grande parte responsáveis para que em 1912, em Venâncio Aires, se fundasse a Sociedade União Popular – o Volksverein – encampando as idéias e os projetos das organizações anteriormente mencionadas.


Convite para as festividades do Centenário
Fundada a Sociedade União Popular, a Entidade foi para o campo da ação prática: foram abertas novas fronteiras agrícolas no Brasil como solução para os excedentes populacionais e de produção que afligiam os colonos. Investimento na Educação dos filhos dos colonos. Surge o Seminário de Professores Leigos - “Lehrer Seminar” de Novo Hamburgo. Foi construído o Hospital de São Sebastião do Cai e com ele o Asilo para dar solução aos tratamentos de enfermidades dos colonos e promover o abrigo para os idosos. Sob a tutela do Volksverein e de inspiração de suas lideranças também foi construído o Leprosário de Itapuã em Viamão. A falta de qualificação dos colonos para produzir mais e com novas técnicas foi resolvida com implantação, em São Sebastião do Caí, de uma Escola de Formação Agrícola.

                          Selo oficial do 100 Anos da Associação Theodor Amstad
A entidade sofre um grande desalento no período das Guerras Mundiais e do Projeto de Nacionalização. A proibição do uso da língua materna, o fechamento das entidades sociais, culturais e mesmo das escolas comunitárias, arrasou a vida e o espírito comunitário e a disposição para a solidariedade fraterna de toda uma população. E, envolvido neste quadro desolador, o “Volksverein” ficou sem um quadro social efetivo, sem recursos e sem objetivos ou possibilidade de realizá-los. Aliada a esta situação e as mudanças na organização da Sociedade, no papel que o Estado passa a assumir em várias áreas contribuíram para o enfraquecimento da entidade. 
A Revista “Sankt Paulusblatt”, único mensário em língua alemã acompanha desde o inicio da história da Entidade. No dia da fundação da Entidade em Venâncio Ayres os milhares de colonos decidiram que era necessário um mensário que servisse de elo de comunicação entre os colonos e de informação sobre a vida dos imigrantes. Este ideal permanece e hoje também tem a grande missão de preservar a língua alemã. A revista possui assinantes nos Estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, mas também nos países da Argentina e da Alemanha.

Índice de conteúdos de Dezembro de 2011 e Expediente. Aproveite para fazer sua assinatura!
 
Se os tempos foram difíceis durante e no pós guerra, a Entidade viveu tempos de crise de identidade e de recursos nos anos 80. Foi neste período que uma comissão de Nova Petrópolis começa a se movimentar e se organizar para evitar o pior: a extinção do Volksverein e da revista, algo que sempre foi muito caro para os imigrantes. O desafio era grande e gigantesco. E lideranças e entidades de Nova Petrópolis como a Prefeitura, a Cooperativa Piá e a Cooperativa de Crédito Rural hoje Sicredi não mediram esforços e em 1989 transferem a Entidade para Nova Petrópolis. E em 1990 os restos mortais do Pe. Amstad foram transladados de São Leopoldo para Linha Imperial.  
Manter viva esta história e dar continuidade a esta mensagem que se traduz em associativismo, cooperativismo, ecumenismo, promoção humana, fé é o grande desafio das atuais e futuras gerações. Mas com a certeza de que não há outro caminho para enfrentamento e superação dos desafios      
Assim no dia 26 de Fevereiro de 2012 haverá uma intensa programação para comemorar esta história:       
  
         8h30min- Missa Linha Imperial;
         9h 30min- Ato Ecumênico na Praça Theodor Amstad;
         9h 40min- Breve histórico da Entidade - Professor Renato Urbano Seibt;
         10h – Descerramento da Placa Comemorativa do Centenário;
         Deslocamento para Pinhal Alto
         10:45h – Pronunciamentos e apresentação do Projeto da Casa da Associação Amstad e Lançamento da Pedra Fundamental;
         12h – Homenagens;
         12h 15 min – Lançamentos: do Livro do Centenário; do Vídeo Institucional; do Livro de Cantos Fúnebres e do Concurso de Vídeos sobre a história da Associação Amstad;
         12 h e 40 min - Distribuição da Edição Especial da Revista Paulusblatt relatando a História da Associação e reedição da 1ª revista;
         12h 45 min –Apresentação Cultural: Peça Teatral sobre o Início do Volksverein;
         Após o almoço: Visita ao parque gráfico – museu da comunidade – vídeo institucional – manifestações.
 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

1315 - Maratá e Pareci Novo são os municípios com maior capacidade de investimento

Os municípios que basearam o seu desenvolvimento na produção de aves e suínos estão muito melhor do que os que se focaram na indústria
(para a coleta desses dados contamos com o apoio de Eduardo Stranz, da CNM)

O município de Pareci Novo, assim como os de São José do Sul e Tupandi, passam por uma verdadeira revolução. Grandes obras são realizadas e a assistência à saúde e educação atinge níveis dignos de serem invejados por 99 % dos municípios brasileiros.
Isso porque, nas prefeituras desses municípios sobra dinheiro. E o dinheiro que sobra é investido em obras, no apoio à produção e no bem estar da população.
Esta situação pode ser medida por um item da contabilidade das prefeituras: o investimento. As prefeituras que mais investem são as que mais fazem pelo povo. Verifica a capacidade de investimento da prefeitura é, provavelmente, a melhor forma de se medir a saúde de uma administração. É um termômetro. Quando o investimento é alto, é sinal de saúde; quando é baixo, indica um estado febril. É preciso procurar um médico.
Por isso é importante observar a tabela anexa. Ela mostra o quanto investe cada município da região.
Mas é bom ter em mente que o que se tem na tabela é apenas um dos indicadores possíveis (o dos investimentos) e refere-se a apenas um ano: o de 2010.
Oregino Francisco, que é o prefeito de Pareci Novo (município melhor  colocado na tabela), informou ao Fato Novo que os valores que contam na mesma referem-se aos investimentos feitos com recursos da prefeitura. Não incluem aqueles que são feitos com recursos oriundos do governo federal ou estadual.
No Pareci Novo, por exemplo, foram realizadas obras importantes, como o asfaltamento da estrada Transcitrus, com recursos do governo federal.
Para que sobre dinheiro para investir, o prefeito precisa economizar muito. As solicitações são muitas e nunca haverá dinheiro suficiente  para atender a todas. É preciso guardar para atender às solicitações necessárias e, ainda, investir no futuro, aplicando dinheiro naquilo que vai proporcionar dinheiro no futuro.
Chama atenção  Montenegro, que aparece (em 2010) com a prefeitura da região que menos investe (tendo em vista a sua população). Somando-se este a outro indicador apresentado recentemente pelo Fato Novo, que apontou Montenegro como o município mais endividado, da região, estes dois índices negativos apontam para um município com problemas.
Convém, ainda, aprofundar os estudos e ver o que aconteceu nos anos anteriores e acompanhar o que irá acontecer nos posteriores. E, também, levantar mais dados - outros indicadores que o Fato Novo pretende trazer para o conhecimento dos seus leitores - e, então, apurar se o município está mesmo doente, ou se esses sintomas são enganosos. Mas vale o alerta.
Nota-se, mais uma vez, que os municípios em melhor situação são aqueles que mais desenvolveram a avicultura e a suinocultura: as grandes riquezas da região.
Vale lembrar que, também a nível nacional, é o agronegócio que tem garantido uma situação relativamente boa para a economia do país.
Causa até espanto a posição ocupada por Montenegro, quase no final da tabela. Isso só vem confirmar o que vem sendo observado há muito tempo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

1314 - Joir, o filho do Pai João

Mesmo tendo sido duas vezes candidato a prefeito do Caí, Joir Silva ainda é mais lembrado como filho de João Soares da Silva
Joir Tadeu da Silva foi duas vezes candidato a prefeito do Caí, nas eleições municipais de 1972 e 1976. Na época existia o sistema de sublegenda e o PMDB concorria com três candidatos.
Em 1972, os candidatos do PMDB foram Joir (o mais votado), Roque Schmitz (de Bom Princípio) e Valdemar Olivieira (de Capela de Santanta). Mas quem se elegeu foi o imbatível doutor Bruno Cassel, do PDS (a antiga Arena).
Naquela época a reeleição de prefeitos não era permitida. 
Em 1976, sem ter de enfrentar o mitológico Doutor Cassel, o PMDB apresetou como seus candidatos Heitor Selbach, Joir e Luceval Rodrigues da Silva. Com a soma dos votos destes três candidatos, o partido venceu a eleição e o mais votado dos três, Heitor Selbach, assumiu a prefeitura.
Joir exerceu os cargos de secretário municipal nas pastas da Administração e de Obras, nos dois governos de Heitor Selbach.
Joir era uma pessoa muito simpática e comunicativa, mesmo que não fosse muito sorridente. Seguia, em tudo, os exemplos de seu pai: João Soares da Silva, que foi um outro mito caiense. Conhecido como Pai João, ele sempre ajudou muitas pessoas, criando uma imagem paternal que resultou no apelido.
Como seu pai, Joir foi despachante. Naquela época, com a ajuda do Pai João, ficava mais fácil conseguir a carteira de motorista.
Joir era irmão de Ataíde, já falecido, e Adir, que foi telefonista da CRT e ainda reside no Caí. Era casado com Harieth Rübenich, professora de educação física, e o casal teve três filhos: Tiago, Tobias e Michelle. Os quais, por sua vez, lhes deram cinco netos.
Em Tramandaí, Joir trabalhou muitos anos como agente de saúde, no combate à dengue. E esta atividade pode ter contribuído decisivamente para a sua morte. O médico que o atendeu nas últimas horas atestou que ele havia falecido em decorrência de envenenamento, seguido de infarto.
A mãe de Joir, dona Nair, e também o seu irmão mais velho morreram também de infarto. Já o Pai João morreu de câncer.
Joir sempre teve facilidade nos estudos e chegou a cursar Direito, mas desistiu dos estudos depois que casou e aumentaram as suas responsabilidades. Recentemente ele fez concurso para um cargo melhor, na prefeitura de Tramandaí e passou em primeiro lugar. Estava muito feliz com esse êxito
Mesmo residindo em Tramandaí há muitos anos, Joir gostava muito do Caí e se preparava para visitar a cidade para participar de um jantar com os amigos. Mais um habito que ele  herdou dos seu pai.
A morte aconteceu à uma e 45 da madrugada de sábado e às cinco da tarde Joir foi sepultado, no Cemitério Municipal de Tramandaí. Joir tinha 63 anos.