As tropas de mulas ou burros, também conhecidas como cargueiros, foram o principal meio de transporte de cargas, no início da colonização
Na maior parte do século XIX não existiam estradas no Vale do Caí e o transporte de cargas eram feitas pelo rio e por arroios, como o Maratá, Cadeia, Salvador e Forromeco ou através de trilhas abertas no meio do mato. Estas trilhas, aqui conhecidas como picadas ou piques, por serem estreitas, só permitiam a passagem de pessoas a pé ou a cavalo. E o transporte de cargas, por esses caminhos, só podia ser feito através de mulas ou burros cargueiros. As mulas cargueiras eram, geralmente, conduzidas em grupo, formando uma tropa. Os homens que as conduziam (montados a cavalo) recebiam, por isso, o nome de tropeiros.
Em algumas partes do país, as tropas de mulas ainda são usadas para efetuar o transporte por caminhos difíceis. Fato que nos permite ter uma visão melhor dos meios que eram empregados pelo povo antigo do Vale do Caí no primeiro século de colonização da região.
O programa Globo Rural, da TV Globo, produziu um documentário a respeito, que pode ser assistido clicando sobre os endereços abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=LYvEINa2J38
http://www.youtube.com/watch?v=gXYlMywlPAo&NR=1
O Vale do Caí é a região brasileira com maior desenvolvimento sócio/econômico e as melhores administrações municipais. Foi colonizado, predominantemente, por brasileiros de origem lusa a partir de 1740, e por imigrantes alemães, desde 1827. EDITORIAL: veja postagem 1410 TAMANHO DAS FOTOS: um clic sobre as fotos pode mudar seu tamanho.
domingo, 26 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
983 - Getúlio Vargas em visita ao Caí
Quem são as pessoas que acompanhavam Getúlido Vargas
na sua passagem pelo Caí?
Esta foto foi divulgada no site Fotos Antigas RS, com a indicação de que se trata do presidente Getúlio Vargas numa visita a São Sebastião do Caí. Mas não é dito ali quando isto aconteceu, onde foi tirada a foto e quem são as pessoas que aparecem nela.
Postados na linha de frente, vemos (da esquerda para a direita) o doutor Orestes Lucas (prefeito caiense de 1952 a 1955), Egydio Michaelsen e o baixinho Getúlio. Quem são os demais? Colabore com este blog informando quem são os demais.
Quanto à data da visita, deve ter sido entre fevereiro de 1951 e agosto de 1954 (período do governo de Getúlio como presidente eleito).
Nesse mesmo blog (na postagem 968) consta informação do professor Affonso Sebastiany de que, em 1942, o presidente Getúlio Vargas esteve em Morro Reuter, acompanhado do delegado Theodomiro Porto da Fonseca (delegado de São Leopoldo, cidade sede do município ao qual a localidade de Morro Reuter pertencia naquela época). Eles fizeram, então, a inauguração simbólica da BR-116 (ligação entre Caxias do Sul e Porto Alegre). Consta ali, também, que o asfaltamento da rodovia só ocorreu em 1956.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
982 - Visitantes Ilustres
Fotos do site Fotos Antigas RS


Um flagrante caiense do ano de 1931
Na primeira metade do século passado, o Cahi possuía vários hotéis situados na área central da cidade. Um deles era o Hotel Adams, que ficava na esquina das atuais ruas Marechal Deodoro e 13 de Maio, no local da atual Sorveteriar Tartufi, em frente à Livraria Caiense e à Praça Cônego Edvino Puhl (então, denominada Praça João Pessoa). O proprietário do hotel chamava-se Martim Adams e ele foi proprietário de terras no morro do Hospital, junto ao centro da cidade. Razão pela qual este morro é também conhecido como Morro do Martim.
Ali, no Hotel Adams, foi feita esta foto que, no seu verso, contém as seguintes anotações:
"Fotografia tirada em 11 de Novembro de 1931, no Hotel Adams, em São Sebastião do Cahi.
1. Gervásio B. Camargo - Fiscal Federal
2. Emílio Heck - Fiscal Federal
3. Dr. Gabriel Mesquita Cunha, Juiz Distrital
4. Tenente Loureval R. Sobral, Delegado de Polícia"
Estas pessoas, ou ao menos algumas delas eram pessoas de fora do município, que vieram ao Caí para participar da inauguração de uma grande ponte na estrada que ligava o Caí a Caxias do Sul, sobre o Arroio do Ouro.
981 - Doutor Alberto Barbosa
Fotos do site Fotos Antigas RS

Foto do ano de 1931, com autoridades presentes na inauguração da ponte Maurício Cardoso, e anotações no verso da mesma
(para apreciar melhor, clique sobre as fotos)
Conforme pode ser visto na postagem 766 deste blog, a ponte Maurício Cardoso situava-se sobre o Arroio do Ouro, na localidade do mesmo nome, hoje pertencente ao município de Vale Real. Ela foi destruída em 1932, por uma grande enchente. Como a ponte foi construída em 1931 (conforme se vê pelas anotações acima), a ponte durou apenas um ano. Ela era importante, pois naquela época estava situada na principal rota de comunicação rodoviária entre Caxias do Sul e a capital do estado.
Nas anotações feitas no verso da foto, lê-se (salvo algum engano) as seguintes informações:
"Ato inaugural da Ponte Maurício Cardoso, no 5º Distrito de São Sebastião do Cahy, em 24 de novembro de 1931, com 65 metros de comprimento por 12 de largura, feita em cimento armado.
1. Dr. Alberto Barbosa, Prefeito Municipal.
2. Ibanez Nogueira - Delegado de Polícia
3. Tenente Lourival R. Sobral, Delegado de Polícia
4. Tenente Velleda de Albuquerque, Delegado do Alistamento Militar
5. Dr. Gabriel Mesquita da Cunha, Juiz Distrital
6. Reynaldo Vaske, sub-prefeito do 1º Distrito
7. Camillo dos Santos, Thesoureiro da Prefeitura
8. Leopoldo Bayer, sub-prefeito do 5º Distrito"
Nota-se, por esta lista, a importância que tinham os delegados na época. Eles eram, na verdade, políticos alinhados ao partido governante. Sua postura era bem diferente da atualmente observada, quando a maioria dos delegados são profissionais, desvinculados de influências políticas.
Ainda na década de 1960 podia se observar resquício daquele padrão anteriormente assumido pelos delegados. Como se pode ver nas postagens 898 e 897.
Nota-se, por esta lista, a importância que tinham os delegados na época. Eles eram, na verdade, políticos alinhados ao partido governante. Sua postura era bem diferente da atualmente observada, quando a maioria dos delegados são profissionais, desvinculados de influências políticas.
Ainda na década de 1960 podia se observar resquício daquele padrão anteriormente assumido pelos delegados. Como se pode ver nas postagens 898 e 897.
O doutor Alberto Barbosa foi um dos mais importantes governantes caienses. Ele comandou o município em três períodos:
Foi o 10º intendente caiense, no período de 11 de agosto de 1920 a 11 de agosto de 1924.
Voltou ao comando do município em 11 de agosto de 1928 e manteve-se no governo depois da Revolução de 1930, nomeado pelo Interventor Federal no Rio Grande do Sul, General J. A. Flores da Cunha. Continuou, assim, no governo do município até 1932.
980 - Dary Laux: um grande líder
Semanas antes do seu falecimento, Dary recebeu homenagem dos seus companheiros do PMDB, inclusive Egon Schneck e o ex-goverador Germano Rigoto, que aparecem na fotoO ano de 1982 foi de eleições municipais. No Caí, Heitor Selbach encerrava seu segundo governo. Época em que o regime militar, que tomou o poder em 1964, começa a dar sinais de que o seu período chegava ao fim. Nas eleições para governador, o PMDB conseguiu expressivas vitórias em estados importantes, como São Paulo e Minas Gerais.
Era um momento de glória do PMDB, partido que empreendia a luta pacífica pela redemocratização do país.
O PMDB, que no Caí era forte, tendo tudo para eleger seu candidato a prefeito, tinham um só nome em mente para se contrapor ao PDS (que contava com Bruno Cassel, Cantarola e Egon Schneck como seus principais nomes).
O grande nome do PMDB era o empresário e líder político Dary Laux, que já fora duas vezes vice-prefeito caiense, nos governos de Heitor Selbach.
Mas Dary Laux não quis ser candidato.
Na ocasião, Dary declarou ao Fato Novo:
“Esta é a terceira eleição em que o meu nome é lembrado para concorrer ao cargo de prefeito municipal. Nas duas vezes anteriores fui forçado a recusar o convite e a solicitação dos meus correligionários devido às muitas atribuições que tenho como empresário, as quais tornam difícil para mim assumir a prefeitura. Se eu o fizer, quero me dedicar com afinco às responsabilidades do cargo. Só posso me candidatar caso encontre uma maneira de conciliar as minhas atribuições de empresário com as de prefeito.”
Responsabilidade, ponderação e modéstia eram algumas das virtudes de Dary Laux, que faleceu na última sexta-feira, aos 80 anos. Ele ficou debilitado depois de sofrer um derrame cerebral em 19 de maio de 2003. Mesmo assim, fez questão de participar da solenidade de inauguração do comitê caiense do PMDB, ocorrida no dia 28 de agosto último. Na ocasião, ele foi homenageado pelos seus correligionários caienses e pelo ex-governador Germano Rigotto, que se fez-presente.
Dary veio a falecer na madrugada do último sábado, dia 18 de setembro de 2010, aos 80 anos. No sepultamento, recebeu coroa de flores enviada por seu amigo, senador Pedro Simon, que lhe enviou uma coroa de flores. Os dois se conheciam desde a juventude, pois serviram juntos no quartel, em 1949.
Em 1981, juntamente com Luiz Fernando Oderich, Dary foi o principal incentivador de Renato Klein na criação do jornal Fato Novo.
979 - A formação de um líder
Ainda jovem, Dary começou nos negócios, tornando-se sócio da Padaria da Vila RicaDary Laux nasceu em 17 de janeiro de 1930, na localidade de Angico, nos arrabaldes do Caí. Era filho do próspero agricultor Alfonso Laux e de Sibylla Stroher Laux.
Quando jovem teve oportunidade de estudar, pois seus pais valorizavam o estudo e não exigiam que ele trabalhasse muito em casa. Começou estudando na escolinha do próprio Angico, tendo como professora a sua tia Elvina Laux. Depois frequentou a Escola Duque de Caxias, mantida pela Comunidade Evangélica Luterana.
Aos 14 anos ele foi para Porto Alegre, já que no Caí - à época (1934) só existia o ensino fundamental. Lá fez o ginásio na Escola do Sindicato do Comércio. Para se manter, trabalhava no armazém de Artur Fetzer, que era irmão do seu tio Fridolino. Ele era muito bem tratado pela família. Mas o trabalho no armazém era tão intenso que Dary não conseguia conciliar com o estudo. Conseguiu, então, um emprego na empresa A. J. Renner.
A J Renner, caiense nascido na localidade de Alto Feliz, era o maior empresário gaúcho da época. Dary teve oportunidade de conviver com esse grande homem e aprender com ele. Tornou-se, inclusive, amigo de seus filhos Egon e Herbert que também trabalhavam na empresa.
Nessa época ocorreu a Segunda Guerra Mundial e Dary, por ser de origem alemã, era constantemente provocado por outros adolescentes, de origem lusa, que queriam brigar com ele.
De novo, Dary sentiu dificuldade para conciliar os horários de trabalho com o estudo e, diante das dificuldades, acabou largando tudo e voltando para o Caí em 1947, aos 17 anos.
Foi, então, trabalhar na Mecânica Caiense Ltda, revendedora dos caminhões Dodge, que funcionava no prédio ao lado do Posto de Gasolina Potencial, na Vila Rica. Empresa pertencente ao seu tio Arlindo Laux e vários sócios: Otávio Lamb, Armindo Carrard, Fridolino Schmidt, Albino Hartmann e Ajalmar Killing, gerente da empresa.
Desde bem jovem, por mais de 20 anos, Dary foi dirigente da Sociedade Cultural e Esportiva União, o popular Poeira. Ele foi presidente, vice-presidente, tesoureiro e, principalmente, secretário desse clube, que nasceu na bairro Boa Vista (hoje Chapadão Baixo) e depois se transferiu para a Vila Rica. O Poeira chegou a ser a sociedade mais popular e ativa da cidade.
Em janeiro de 1949, Dary foi convocado para o Serviço Militar e foi servir num quartel na cidade fronteiriça de São Gabriel. Para chegar lá, a sua turma embarcou num trem em Montenegro e viajou 24 horas. Faziam parte da sua turma Edgar Dietrich, Adelar Caetano (o popular Cabo) e Arno Nonemacher. Em um ano de quartel, Dary só conseguiu vir para casa em três ocasiões.
978 - Empresário, político e cidadão
Dary Laux, aos 80 anos, com a esposa Vera e as filhas Vânia e JaneVoltando para o Caí, em 1950, Dary tornou-se sócio de Lauri Rangel na padaria que este já possuía, junto com Antônio Martinez. Dary conseguiu comprar a parte de Antônio com dinheiro emprestado que seu pai e o tio Osvino Laux conseguiram emprestado na colônia.
A partir de então, por muitos anos, Dary percorreu a região fazendo entrega de pão. Ia a Bom Princípio, Santa Terezinha, Tupandi, Harmonia, Capela, Portão, Pareci Velho e várias outras localidades interioranas. Usou inicialmente uma camionete Chevrolet Pavão e, depois, um Fordson furgão.Nisso, Dary tornou-se muito conhecido e estimado em toda essa região. Como era difícil para os comerciantes do interior ir até a sede do município, ele muitas vezes lhes fazia favores levando coisas para eles. Também dava muitas caronas.
Além da Padaria Laux & Rangel (mais conhecida como Padaria da Vila Rica) Dary dirigiu a Balanças São Sebastião, uma indústria metalúrgica que criou em sociedade com o cunhado Décio Wiedercker. A qual, por muitos anos, foi uma das maiores empresas caienses.
Foi também responsável pela criação do Jardim Residencial Laux, juntamente com suas irmãs Delva, Dilva e Dione. Um dos primeiros loteamentos criados na cidade de forma regular e planejada.
Casado com Vera Diesel Laux, Dary teve duas filhas: Vânia e Jane, casadas respectivamente com Vasco Noé Leão e Itovar Sílvio da Silva.
Na política, Dary começou em 1959 quando, a convite do doutor Orestes Lucas (então prefeito), candidatou-se a vereador. Foi o terceiro mais votado entre 60 candidatos. Seu partido era o PTB. Depois disto venceu todas as eleições de que participou. A próxima, a vereador e as seguintes a vice-prefeito.
Foi Dary que assumiu a tarefa de organizar o MDB caiense. Tarefa ingrata, pois este partido era de oposição ao regime militar e muitas pessoas temiam perseguições por filiar-se a ele.
Em várias ocasiões seu nome foi lembrado para ser o candidato a prefeito, mas ele nunca aceitou.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
977 - Por traz da poderosa Cervajaria Continental estava a tecnologia e o poder econômico de famílias caienses

Relíquias para a história da cerveja no Rio Grande do Sul
O pesquisador Jürgen Zimmer manda, diretamente da Alemanha, mais dois exemplares para nossa coleção de rótulos das cervejas produzidas no Rio Grande do Sul pelas empresas surgidas a partir da cervejaria criada por Georg Heinrich Ritter, em Linha Nova.
A Cervejaria Continental foi criada em 1924, com a união das três grandes empresas cervejeiras do Rio Grande do Sul: a Bopp Irmãos, a Bernardo Sassen e Filhos e a os sucessores de Henrique Ritter (esta com fábricas em Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande) uniram-se para constituir a Cervejaria Continental.
Como se pode ver na postagem 1078 deste blog, a fábrica Sassen tinha suas bases na família Ritter. A Sassen foi criada por Guilherme Becker, que aprendeu a fazer cerveja em Linha Nova, com Jorge Henrique Ritter, e casou com sua sobrinha e filha adotiva Elisabeth. O velho Ritter incentivou o genro a criar uma cervejaria em Porto Alegre.
No site cervisiafilia.criarumblog.com encontramos a pista de que também a Cervejaria Bopp poderia ter muito a ver com a família Ritter, pois Carlos Bopp, fundador da empresa era casado com a filha de um cervejeiro de Pelotas. Ora. Uma das mais importantes cervejarias existentes em Pelotas no século XIX foi a de Carlos Ritter, um dos filhos do pioneiro da cerveja no estado, Jorge Henrique Ritter, de Linha Nova.
Este trecho, extraído da revista História (01/1o/2009, Um brinde ao progresso) sugere que era a mulher de Carlos Ritter, Maria Luisa, que comandava a produção na fase inicial da empresa e que o sucesso da bebida se devia à receita cujos segredos ela dominava.
"Erguida em 1911, a construção foi o ápice da atividade que Carlos Bopp abraçara trinta anos antes. Diz a lenda que este funileiro descendente de alemães recebeu, em 1881, a encomenda de uma caldeira, mas o cliente jamais foi retirar a peça. A esposa de Carlos, então, sugeriu que ele reduzisse o prejuízo utilizando a caldeira para fazer cerveja. A mulher assumiu a produção, e nos fins de semana o marido colocava as garrafas num carrinho de mão para vender na vizinhança. O sucesso da receita caseira foi tão grande que em 1907 a cervejaria já era uma das mais importantes do país. Dois anos depois, os três filhos do funileiro deram início à Bopp & Irmãos."
...
"os irmãos Bopp decidiram construir o maior prédio de cimento armado do Brasil. Imponente e com uma produção impressionante para a época – 30 mil garrafas por dia –, a nova fábrica possuía um dínamo que fornecia toda a luz do edifício, um elevador de 15 metros de altura, hidráulica própria (com água captada do Rio Guaíba) e salas de análises químicas. Todo o maquinário era importado da Alemanha."
...
Mas o prédio ia além da funcionalidade: sua decoração externa não foi considerada mero detalhe, tanto que consumiu 10% do custo total da construção. A fachada funcionava como um gigantesco outdoor, que, por um lado, incentivava o consumo de cerveja e, por outro, afirmava os valores daquela nova elite."
Portanto, poderiam ser parentes (descendentes de Jorge Henrique Ritter, todos os proprietários das empresas que se uniram para constituir a Cervejaria Continental.
E mais: uma filha e duas netas de Jorge Henrique Ritter casaram com três dos mais importantes empresários gaúchos do fim do século XIX e início do século XX: Carlos Felipe Trein (casado com Guilhermina Ritter), Frederico Mentz, casado com Catarina Ritter Trein e A J Renner, casado com Matilde Ritter Trein. Catarina e Matilde eram filhas de Carlos Felipe Trein e Guilhermina Ritter.
Não é de admirar-se que a Cervejaria Bopp tenha tido capacidade financeira para construir os prédios da sua antiga cervejaria (que depois passou a ser Continental) e, hoje, abrigam o Shopping Total e a cervejaria Dado Bier. Tal empreendimento pode ter contado com a participação das poderosas famílias Trein, Mentz e Renner. Todos originários do município de São Sebastião do Caí.
Detalhe: observa-se no rque o rótulo da Cerveja Farroupilha era produzido pela Livraria Globo. Nota-se no rótulo da cerveja Farroupilha, que a Livraria do Globo, além de constituir-se numa das mais notáveis editoras brasileiras da primeira metade do século XX, era também dedicada às artes da publicidade. Núcleo da inteligência gaúcha, contando nos seus quadros com algumas das mais brilhantes inteligências do país (inclusive Erico Veríssimo), a Globo também deve ser estudada pelo papel que desempenhou na gênese das agências de publicidade gaúchas, que tiveram grande destaque nacional em meados do século XX.
Como se pode ver na postagem 1078 deste blog, a fábrica Sassen tinha suas bases na família Ritter. A Sassen foi criada por Guilherme Becker, que aprendeu a fazer cerveja em Linha Nova, com Jorge Henrique Ritter, e casou com sua sobrinha e filha adotiva Elisabeth. O velho Ritter incentivou o genro a criar uma cervejaria em Porto Alegre.
No site cervisiafilia.criarumblog.com encontramos a pista de que também a Cervejaria Bopp poderia ter muito a ver com a família Ritter, pois Carlos Bopp, fundador da empresa era casado com a filha de um cervejeiro de Pelotas. Ora. Uma das mais importantes cervejarias existentes em Pelotas no século XIX foi a de Carlos Ritter, um dos filhos do pioneiro da cerveja no estado, Jorge Henrique Ritter, de Linha Nova.
Este trecho, extraído da revista História (01/1o/2009, Um brinde ao progresso) sugere que era a mulher de Carlos Ritter, Maria Luisa, que comandava a produção na fase inicial da empresa e que o sucesso da bebida se devia à receita cujos segredos ela dominava.
"Erguida em 1911, a construção foi o ápice da atividade que Carlos Bopp abraçara trinta anos antes. Diz a lenda que este funileiro descendente de alemães recebeu, em 1881, a encomenda de uma caldeira, mas o cliente jamais foi retirar a peça. A esposa de Carlos, então, sugeriu que ele reduzisse o prejuízo utilizando a caldeira para fazer cerveja. A mulher assumiu a produção, e nos fins de semana o marido colocava as garrafas num carrinho de mão para vender na vizinhança. O sucesso da receita caseira foi tão grande que em 1907 a cervejaria já era uma das mais importantes do país. Dois anos depois, os três filhos do funileiro deram início à Bopp & Irmãos."
...
"os irmãos Bopp decidiram construir o maior prédio de cimento armado do Brasil. Imponente e com uma produção impressionante para a época – 30 mil garrafas por dia –, a nova fábrica possuía um dínamo que fornecia toda a luz do edifício, um elevador de 15 metros de altura, hidráulica própria (com água captada do Rio Guaíba) e salas de análises químicas. Todo o maquinário era importado da Alemanha."
...
Mas o prédio ia além da funcionalidade: sua decoração externa não foi considerada mero detalhe, tanto que consumiu 10% do custo total da construção. A fachada funcionava como um gigantesco outdoor, que, por um lado, incentivava o consumo de cerveja e, por outro, afirmava os valores daquela nova elite."
Portanto, poderiam ser parentes (descendentes de Jorge Henrique Ritter, todos os proprietários das empresas que se uniram para constituir a Cervejaria Continental.
E mais: uma filha e duas netas de Jorge Henrique Ritter casaram com três dos mais importantes empresários gaúchos do fim do século XIX e início do século XX: Carlos Felipe Trein (casado com Guilhermina Ritter), Frederico Mentz, casado com Catarina Ritter Trein e A J Renner, casado com Matilde Ritter Trein. Catarina e Matilde eram filhas de Carlos Felipe Trein e Guilhermina Ritter.
Não é de admirar-se que a Cervejaria Bopp tenha tido capacidade financeira para construir os prédios da sua antiga cervejaria (que depois passou a ser Continental) e, hoje, abrigam o Shopping Total e a cervejaria Dado Bier. Tal empreendimento pode ter contado com a participação das poderosas famílias Trein, Mentz e Renner. Todos originários do município de São Sebastião do Caí.
Detalhe: observa-se no rque o rótulo da Cerveja Farroupilha era produzido pela Livraria Globo. Nota-se no rótulo da cerveja Farroupilha, que a Livraria do Globo, além de constituir-se numa das mais notáveis editoras brasileiras da primeira metade do século XX, era também dedicada às artes da publicidade. Núcleo da inteligência gaúcha, contando nos seus quadros com algumas das mais brilhantes inteligências do país (inclusive Erico Veríssimo), a Globo também deve ser estudada pelo papel que desempenhou na gênese das agências de publicidade gaúchas, que tiveram grande destaque nacional em meados do século XX.
sábado, 11 de setembro de 2010
976 - Adilson: o craque principiense
Adilson começou sua carreira profissional no Grêmio, em 2007Nascido em Bom Princípio, no dia 16 de janeiro de 1987, Adilson tem apenas 23 anos e já se projeta como um dos melhores jogadores brasileiros da atualidade. Com 1,81 metro de altura e 75 quilos, destro, ele é conhecido também pelo apelido de Alemão. Loiro, ele não nega a sua origem de autêntico filho de colonos da região colonial do Vale do Caí e, inclusive, sabe falar o alemão colonial. É um dos maiores jogadores já surgidos no Vale do Cai.
Seu nome completo é Adilson Warken e ele é filho de um grande craque do futebol varzeano principiense, o centro avante Soraia.
Seu pai foi, também, contramestre da fábrica de calçados Reichert, situada na localidade de Santa Terezinha, no interior de Bom Princípio. Mesma localidade em que Adilson nasceu e criou-se.
Quando garoto, jogou muito nos times locais, especialmente no São José, mas o seu futebol não chegava a chamar tanta atenção. Não se igualava, por exemplo, ao destaque que seu pai chegou a ter no futebol local.
Mesmo assim, com sacrifício, ele chegou a treinar nas equipes de base do Juventude, de Caxias do Sul. Integrava o time de juniores da equipe caxiense quando foi visto por um olheiro do Grêmio e convidado a transferir-se para tricolor portoalegrense.
Foi o treinador Mano Meneses (hoje da Seleção Brasileira) que acreditou no alemãozinho de Bom Princípio e o elevou para a equipe principal do Grêmio, em 2007. Neste seu primeiro ano como profissional, Adilson sofreu muito com lesões. Ainda em 2007 parou no primeiro semestre por uma lesão no pé. Voltou a jogar no segundo semestre, mas teve de parar novamente em virtude da mesma lesão. Foi, então submetido a cirurgia. E ele só voltou a jogar no ano seguinte. Em 2008, jogou poucas partidas. Só se tornou titular depois que William Magrão sofreu uma grave lesão. Tornou-se, então, o titular absoluto da equipe nas principais competições do ano de 2009, inclusive a Copa Libertadores. Em 2010, manteve-se como titular e é considerado um dos melhores volantes do futebol brasileiro.
Foi Campeão Gaúcho nos anos de 2007 e 2010.
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