quarta-feira, 27 de outubro de 2010

1019 - Memória visual da região colonial alemã

O imigrante patriarca da família Ruschel, Sebastian Ruschel, com a esposa e familiares, no ano de 1880. Ele foi um dos primeiros e mais destacados moradores de Feliz

Em setembro de 2001 Felipe Kuhn Braun iniciou suas pesquisas sobre genealogia e imigração alemã. No decorrer do primeiro ano Felipe visitou familiares próximos em busca de informações, nomes, datas, histórias e fotografias antigas. Desde o início um dos objetivos de Braun foi resgatar o passado distante de sua família a partir das histórias e imagens de seus ancestrais.
Em oito anos Felipe formou um arquivo de pouco mais de 1.500 fotografias antigas. Preocupado com a perda constante do material fotográfico, Braun fez um mapeamento do interior e passou a visitar semanalmente famílias em busca de imagens de imigrantes, seus descendentes e as localidades fundadas por eles.
Os municípios visitados para pesquisas foram Nova Petrópolis, Feliz, Santa Maria do Herval, Morro Reuter, Picada Café, Dois Irmãos, Bom Princípio, São Sebastião do Caí, São José do Hortêncio, Salvador do Sul, Linha Nova, São Pedro da Serra, Tupandi, Novo Hamburgo, São Leopoldo, entre outros.
Todas essas imagens foram emprestadas pelas famílias e no decorrer de um ano Felipe multiplicou seu arquivo para 13.800 fotografias antigas. As fotos foram digitalizadas, impressas, separadas em álbuns por temas, famílias e localidades. Essas imagens retratam os costumes e hábitos culturais dos imigrantes alemães e seus descendentes da década de 1860 (começo da fotografia no Rio Grande do Sul) até a década de 1960, final da fotografia em preto e branco.
Felipe também encontrou arquivos parciais de fotógrafos teuto-gaúchos do início do século XX, entre eles Otto Schönwald e Hugo Bernd de Porto Alegre, Hugo Theodoro Neumann de Nova Petrópolis, Augusto Nienow de Linha Nova e Rücker do município de Feliz. O arquivo desses fotógrafos foi organizado, digitalizado e reimpresso, na totalidade são quase 2.000 imagens antigas.
Na coleção de Braun, cerca de 900 fotografias antigas são do século XIX, ou seja, fotos tiradas antes do ano de 1900, nas quatro décadas da fotografia no sul do Brasil, 1860, 1870, 1880 e 1890, pelos fotógrafos (entre outros): Balduin Röhrig, A. Stoeckel, Pedro Rössler, Luiz Willisich, Walter Mende, E. M. von Borowski, Luiz Deschamps, Eduard Cramer, Otto, Schönwald, Christiano H. Prass, Carl Wildner, W. Stocker.
Mais de 100 imigrantes estão retratados nas imagens resgatadas por Braun nesses 9 anos. Entre eles estão (entre outros) os patriarcas das famílias: Ruschel, Vier, Hexsel, Schmidt, Schmitt, Müssnich, Kasper, Roehe, Büttenbender, Hunsche, Stoffel, Wolf, Christ, Heineck, Lorenz, Bender, Dietschi, Ebling, Petry, Siegel, Metzler, Dewis, Perius, Lessinger, Kiefer, Lanzer e Thön.
Entre as preciosidades da coleção de Braun estão algumas imagens feitas pelo daguerreótipo no início da imagem no sul do país. As coleções de fotógrafos amadores do início do século XX, tais como Carlos Momberger e Walter Haas de Novo Hamburgo. Momberger retratou Novo Hamburgo, Taquara, Gramado, Santa Maria do Herval e as praias de Torres e Tramandaí nas décadas de 1930 e 1940. Walter Haas retratou Novo Hamburgo, Dois Irmãos, Taquara, a região metropolitana e o litoral (principalmente Tramandaí e arredores).
As curiosidades dentre os temas mais variados sobre a colonização germânica, são as fotos das noivas de preto, dos carnavais do final do século XIX e começo do século XX, das sociedades de canto e tiro ao alvo. Algumas relíquias são as imagens do interior das escolas, igrejas, das fábricas, tipografias, as fotos dos escravos, das propriedades rurais e do começo de municípios como Dois Irmãos, Linha Nova, Nova Petrópolis, Feliz, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Porto Alegre.
Preocupado com a preservação desse arquivo, que já é a maior coleção de fotografias antigas que retratam a imigração alemã no sul do país, Braun publicou em seu primeiro livro, História da Imigração Alemã no Sul do Brasil, 160 fotos dessa coleção. (A publicação foi impressa em janeiro de 2010 pela Editora Amstad de Nova Petrópolis e reimpressa em agosto de 2010 pela Gráfica Costoli de Porto Alegre). Em julho de 2010 quando Braun publicou seu segundo livro, Memórias do Povo Alemão no Rio Grande do Sul, preservou 144 imagens nessa publicação, com tiragem de 500 exemplares, impressos pela Editora Amstad.
Felipe esteve, até agora com quase 300 famílias nesses nove anos de pesquisas, tem pela frente uma lista de contatos e cidades a visitar, pois continua, semanalmente se dedicando a pesquisa e a seus dois novos projetos que pretende em breve publicar, um sobre biografias de imigrantes pioneiros e outro sobre cartas e relatos de imigrantes alemães e seus descendentes.
Curiosidades:
Entre as imagens do século XIX também estão retratadas as famílias: Acker, Adams, Alles, Angel, Bartholomay, Becker, Berlitz, Bernd, Besing, Bier, Biernfeld, Bohnenberger, Biernfeld, Boll, Braun, Damm, Dannenhauer, Dapper, Deuner, Diefenbach, Diefenthäler, Drehmer, Dietrich, Döhren, Dreyer, Ellwanger, Eltz, Engel, Feltes, von Fries, Gerhardt, Graeff, Gruel, Haag, Hännel, Harz, Haury, Hauschild, Heck, Heller, Hennemann, Hess, Heuser, Hofmann, Hoffmeister, von Hohendorff, Jaeger, Jung, Kandler, Kerber, Kieling, Korndörfer, Krämer, Kroeff, Krug, Kuhn, Kunz Lamb, Link, Loeblein, Lorenz, Lorscheider, Lösch, Ludwig, Mayer, Mattje, Müller, Müssnich, Peters, Petry, Port, Poschetzky, Rambow, Rauber, Renck, Renner, Richter, Sänger, Sellin, Schmidt, Schneider, von Schwerin, Sperb, Spohr, Springer, Steigleder, Ströher, Trein, Treis, Wäschenfelder, Werlang, Wittmann, Wickert e Wiltgen.

1018 - Janela se abre para emancipações

Há nove anos, comissão presidida por Mozar Hoff trabalha para a emancipação de Conceição

Há nove anos a comunidade de Conceição vem lutando pela realização de um sonho: o de emancipar-se e alcançar o mesmo progresso dos outros municípios criados na região.
Na presidência do Movimento Emancipacionista desde o início, Mozar Hoff está muito confiante quanto às condições de que agora, finalmente, o objetivo está próximo de ser realizado.
Mozar, o vice-presidente João Klein, além de outras lideranças engajadas no movimento já foram várias vezes a Brasília e inúmeras vezes a Porto Alegre para lutar pela criação do município.
Segundo Mozar, agora, com a aprovação unânime da lei que transfere para o governo estadual a decisão quanto às emancipações, o sucesso do projeto está mais próximo do que nunca.
Tanto Mozar como João Klein já foram vereadores caienses e eles estão convictos de que, além de beneficiar o progresso da Conceição e demais localidades incluídas no projeto, a emancipação não vai prejudicar em nada o município mãe.
Pelo contrário. O Caí só tem a ganhar com ela, pois o crescimento da Conceição vai resultar em mais movimento para o comércio do Caí,  que é uma cidade polo. E isto vai gerar mais emprego e renda para os caienses.

1017 - Com as emancipações, veio o progresso

Quando Bom Princípio se emancipou, tinha menos condições do que Conceição tem atualmente

Quais são os municípios mais ricos e prósperos do Vale do Caí?
Quem respondeu Montenegro e São Sebastião do Caí está errado.
O mais rico, hoje, é - sem dúvida - Tupandi. Este pequeno município era um dos dois mais pobres da região antes de emancipar-se, hoje é um exemplo para o Brasil. Uma verdadeira potência econômica, que proporciona à sua população qualidade de vida equivalente à do primeiro mundo.
E a situação não é diferente nos outros municípios que se emanciparam nas últimas décadas.
Começando por Bom Princípio, pode se constatar uma diferença brutal entre o que era esse antigo distrito caiense e o que é o município hoje. Lá as estradas do interior são asfaltadas e a antiga vila trnsformou-se numa cidade bem estruturada, moderna, e repleta de altos edifíícios.
E o mesmo se pode dizer de São José do Hortêncio, município que é apontado como um dos mais bem administrados do país. Antes da emancipação não havia nem um metro de rua pavimentada. Só uma estrada poeirenta. Hoje, a avenida Mathias Steffens é a maior avenida de toda a região, totalmente pavimentada e sem buracos ou remendos.
Capela de Santana é o município mais pobre da região. Não acompanhou o ritmo de outros municípios emancipados. Mas, mesmo assim, quanto progresso obteve depois da sua emancipação. E lá não faltam Delegacia, Brigada, Posto de Saúde, Escola de Segundo Grau e tantas coisas que antes não existiam por lá.
No Vale do Caí - assim como em outras regiões do estado e do país - foram criados municípios até em localidades que aparentavam não ter a menor condição para isso. Foi o caso, por exemplo, de São Vendelino e Linha Nova. Com população inferior a 2.000 habitantes, estas duas comunidades não pareciam ter condição nenhuma de se autogerir. Mas o que se vê hoje são municípios bem estruturados, capazes de proporcionar altos níveis de qualidade de vida para a sua população. Muito acima do padrão normal da população brasileira.
Mas, enquanto estes municípios souberam dar o passo certo para a sua independência e prosperidade, algumas localidades ficaram acomodadas e indecisas, perdendo a oportunidade de melhorar enormemente as suas possibilidades de progresso

1016 - Conceição no caminho da emancipação

Conceição tem excelentes condições para a sua emancipação

Enquanto outros distritos caienses conseguiram a sua emancipação, a Conceição ficou para trás. Esta localidade caiense, que tinha muito maiores condições de se emancipar do que a maioria dos municípios criados no Rio Grande do Sul na década de 1990.
Não lhe falta população, pois Conceição, juntamente com São Martim, Campestre, Lajeadinho, Pareci Novo e Areião, somam mais de 5.000 habitantes. Enquanto que vários municípios foram criados no estado com menos de 2.000.
Também não faltam a Conceição as condições de desenvolvimento. A localidade é cortada pela RS-122, rodovia duplicada que é a mais movimentada do interior gaúcho. Ela conta, também, com boa estrutura de escolas estaduais e municipais e, até, com um núcleo universitário oferecendo os cursos de Administração, Direito e outros. Pertencente à Universidade de Caxias do Sul, o núcleo oferece ensino superior dentro dos melhores níveis de qualidade do país.
A Conceição e localidades adjacentes contam  com grande e variado parque industrial que inclui, entre outras, as unidades fabris das empresas Cláudio Vogel, Max Metalúrgica, LF Lareiras, Delta Frio, Capas Capão, Metalúrgica Lorscheiter e várias outras.
A comunidade da Conceição já construiu grande patrimônio comunitário, como são exemplos tanto o Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Sul como o pavilhão social da Comunidade Evangélica local.
A Conceição tem até o clube de futebol atual campeão municipal, o Altaneiro da Barra. Portanto, que não se duvide da força e da capacidade do povo local.
O futuro município tem tudo para tornar-se, rapidamente, um dos melhores e mais prósperos do estado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

1015 - Orestes José Lucas


Orestes José Lucas nasceu em Capela de Sant’ Ana, então município de São Sebastião do Caí, em 15 de abril de 1916, filho do Capitão Carlos José Lucas e de Rosa Cândida Lucas. Dotado de grande inteligência e pertinácia, foi aluno interno do Colégio Sagrada Coração de Jesus, Bom Princípio.
Estudou mais tarde no Colégio Rosário em Porto Alegre, ingressando na Faculdade de Direito, concluindo com grande brilhantismo, apesar das grandes dificuldades, ainda por ser muito tímido.
Aos 07 de outubro de 1938, casou-se com a jovem Gelsumina Baierle, também Capelense, vindo o casal residir em São Sebastião do Caí em 1940. Tornou-se um dos melhores e mais respeitados advogados da região do Vale do Caí e Sinos, além de líder emergente.
No dia 1º de janeiro de 1952, foi empossado prefeito, gestão que valorizou a cultura, deu prioridade ao pequeno produtor rural, abrir estradas para o escoamento da produção, época em que o município abrangia um território muito grande.
Em 1955, eleito vereador, foi presidente da Câmara no período de 1956 a 1959.
Foi reeleito prefeito em 1959, realizando uma profícua gestão, encerrando sua vida política após o golpe militar de 1964. Apesar de ter sido um dos fundadores e líder do MDB, não mais concorreu a nenhum cargo eletivo.
Desde então, dedicou-se exclusivamente à advocacia e às atividades rurais, exercendo a presidência da Associação Rural e comercial por vários anos.
Em 8 de maio de 1993, vítima de infarto, veio a falecer aos 77 anos, deixando uma grande lacuna na sociedade caiense, enlutando esposa, filhos, netos, além de incontáveis amigos cultivados durante sua trajetória nesta vida.
Texto extraído do site oficial da Prefeitura de São Sebastião do Caí
Este perfil biográfico e os trascritos nas postagens seguintes (1010 a 1015) foram produzidos pela coordenadora do Museu Histórico Vale do Cahy, Neiva Esteves (precocemente falecida) e pelo então chefe de gabinete do prefeito Pedro Griebler.

Na foto que ilustra esta postagem, Heitor Selbach pratica a radiestesia, assunto pelo qual Orestes Lucas também era interessado

1014 - O grande maestro


Bandas como esta, (de Ipatinga, MG, em foto de 1967)
eram comuns no passado. Mas poucas tiveram 
o brilho da banda comandada 
pelo maestro Miguelino Silveira
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O maestro Miguelino Elias Silveira nasceu no dia 2 de outubro de 1883, São Leopoldo. No ano de 1908 realizou seu enlace matrimonial com D. Maria Ordelina Cunha Xavier da Silveira.
Com este casamento nasceram doze filhos.
Foi mestre de Banda do Arsenal de Guerra em Porto Alegre. No ano de 1915 fixou residência em São Sebastião do Caí. Fundaram o grupo Musical Caiense, gravaram discos para Gramaphone na Casa Elétrica de prioridade da firma Leoneti LTDA. A maioria das músicas que foram gravadas eram de sua própria autoria. Relação de músicas que foram gravadas pelo grupo caiense e que são de autoria do maestro Miguelino. “Valsa Almerinda”, “Valsa Julieta”. Valsa Matilde”, “Dona Emilia”, “Sara Pico Mazurka”, “Havaneiras”, “Olha o Jeitão Dele”,”Quero o Chapéu dele e uma infinidade de marchas e dobrados. Alguns de estilo militar.
O maestro Miguelino realizou o seu sonho criando sua própria banda de música, juntamente com Leopoldo Jacobs, Léo Bender, Gildo da Silva, Hortêncio da Silva, Ronaldo Kich, Max Bender, Elmo Kich, Albano Bender, Taurina de Oliveira, Reinaldo Kich. Selírio Rosa, Luiz Eugênio Noschang, Bernardo Noschang, Pupi Richl, Olírio Noschang, Tuti da Silva e João da Silva Reis (Cantarola).
Em 15 de janeiro de 1937, o perfeito Michaelsen baixou a portaria número 14, encampando a Banda que a tornou Banda Municipal com uma subvenção mensal para a banda se manter.
O maestro Miguelino Elias da Silveira faleceu em 2 de fevereiro de 1952, deixando belas páginas na história musical de nosso município. Juntamente com mestre Miguelino desapareceu a banda que tanto abrilhantou os grandes acontecimentos de São Sebastião do Caí.
Texto extraído do site oficial da Prefeitura de São Sebastião do Caí

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

1013 - Abelard Jacques Noronha: um dos maiores colorados


Hilda Arregui Noronha, viuva de Abelard Jacques Noronha, posando diante da foto do marido, na sede do clube.

O caiense Abelard Jacques Noronha foi presidente do Inter nos anos de 1943 e 1944, tendo sido campeão gaúcho nos dois anos.
Segundo conta sua viúva, Abelard era realmente apaixonado pelo clube. Tanto que escrevia um diário descrevendo todos os jogos do seu time. Era um estudioso do futebol e, conforme relata o cronista Wianey Carlet,  "era considerado grande entendedor de futebol.
Abelardo era um homem elegante, alto, magro, usava gravata com alfinete de ouro e abotoaduras. Sempre que o Internacional perdia um treinador e estava com dificuldade para encontrar um substituto, alguém lembrava, invariavelmente:
- Chama o Abelardo.
E lá ia o homem do alfinete de ouro e abotoaduras. Orientava treinamentos, definia escalação e comandava o time até o Inter encontrar um profissional da área."
Abelard foi treinador do Inter em duas ocasiões, nos anos de 1960 e 1963.
O colunista Nico Noronha, no UOL, comentou o fato do Grêmio Futebol Portoalegrense só aceitar jogadores negros a partir de 1952:
"A decisão tinha uma motivação forte. Nos últimos 20 anos o clube que só mandava à campo jogadores da cor branca, conquistara apenas duas vezes o campeonato regional, enquanto o Internacional, principal rival, e que desde os anos 30 se utilizava de negros, no mesmo período vencera 12 campeonatos. "Era negro? Era bom? Era nosso", foi uma frase imortalizada por um dos presidentes colorados dos anos 40, Abelard Jacques Noronha."
Em http://www.fredcolorado.com.br/site/1944-estes-eram-machos-tche.html  se pode ler uma bela história de futebol envolvendo o caiense Abelard Jacques Noronha, então presidente do Inter.
A época em que Abelard foi presidente, fez parte da mais brilhante fase do Inter, a do Rolo Compressor. Esse era o nome de um time brilhante que conquistou o exacampeonato, dos anos 1940 a 1945. 
Adãozinho, um dos maiores craques colorados, foi para o Internacional em 1943, descoberto pelo presidente Abelard Jacques Noronha, atuando no time de aspirantes. Em 1944 já era titular do famoso "Rolo Compressor" colorado. Neste mesmo ano, foi descrito por Ary Barroso como um atacante "satânico". Disputou 30 Grenais, vencendo 19, empatando 7 e perdendo 4, marcando 16 gols em clássicos. Jogou pela Seleção Brasileira em duas partidas oficiais: Brasil 1 x 1 Uruguai, em 1947, e Brasil 2 x 4 Uruguai, em 1948. Foi convocado para a Seleção na Copa de 1950.
O texto a seguir, extraído do site da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Caí fala da tia de Abelard.
"Maria de Lourdes Jacques Noronha nasceu em São Sebastião do Caí em março de 1910, onde residiam os seus pais Marcos Flores de Noronha e Josefina Jacques Noronha.

Aos 12 anos foi estudar em Porto Alegre no Colégio Bom Conselho, do qual saiu para casar-se com o médico Arthur Coelho Borges.
Herdou do seu pai a Fazenda Socorro de Vacaria, tornando-a uma fazenda modelar. Nas viagens, sempre dava valor à cultura e, ao viuvar, casou-se com o agropecuarista Hermes Pinto, de Uruguaiana.
Em 1989, publicou o livro “Antigas Fazendas do Rio Grande do Sul”, fruto de muita pesquisa e, em 1990, o seu segundo livro:  “Europa nos Anos Dourados”.
Faleceu em 1991, aos 81 anos de idade. 

Nota extraída do blog do deputado Francisco Appio presta mais algumas informações sobre Maria de Lourdes e sobre seu sobrinho Abelard Jacques Noronha:
"ABELARDO NORONHA, filho de Abelard Jacques Noronha, ex proprietário da Fazenda do Socorro, confirma que recuperou 4.500 peças, roupas e objetos, que pertenceram à sua tia Maria de Lourdes Noronha, conhecida pela cultura e por suas viagens à Europa. "A maior parte dos seus vestidos estavam expostos no Museu da Baronesa em Pelotas, mas foram recuperados e, em comodato, cedidos ao Museu Municipal", esclarece Abelardo, que também atende pelo apelido de Nê. Ele herdou do pai a paixão pelo futebol. Abelard Jacques Noronhafoi conselheiro e presidente do S. C. Internacional, morreu em 1997. Sua mãe, com mais de 90 anos, reside em Porto Alegre. 
Abelardo e Maria de Lourdes nasceram em São Sebastião do Caí."






Largo Abelard Jacques Noronha 


Através da lei Nº 8190 de 15/07/1998, a prefeitura de Porto Alegre homenageou Abelard Jacques Noronha dando o seu nome ao logradouro que liga a rua Mostardeiro ao Parque Moinhos de Vento, no bairro de mesmo nome.


1012 - Alceu Masson

Auto-retrato de Alceu Masson: além de escritor, ele era ótimo pintor e desenhista


Alceu Masson nasceu no dia 05 de outubro de 1899, filho de Eugênia Eggers e Leopoldo Masson. O pai foi exercer a profissão de dentista em Cachoeira do Sul, vindo os filhos nascerem nesta cidade.
Desde cedo revelou grande inteligência e espírito de iniciativa, e precocemente aprendeu a ler, indo estudar no Colégio Anchieta, Porto Alegre, onde ficou por seis anos. Apesar de não ter cursado faculdade, através de muita leitura, pesquisa e observação, tornou-se um de vasta profunda cultura.
Além do escritor, foi exímio pintor.
Por volta de 1920, o tio de Alceu, Dr. Alberto Barbosa era Intendente Municipal. Alceu veio passar férias e, gostando da cidade veio aqui morar.
Em São Sebastião do Caí, Alceu foi secretário de Alberto Barbosa na sua segunda gestão. Fixou-se como contabilista e professor de Francês, Português e Escrita Comercial.
No dia 04 de maio de 1929, casou-se com a jovem caiense Danila Zirbes.
Em 1940 foi publicada a história de São Sebastião do Caí, na “ Monografia de Alceu Masson”.
Faleceu em 29 de dezembro de 1964 no Hospital Sagrada Família aos 65 anos de idade. Em sua homenagem duas escolas levam o seu nome e recetemente a Administração Municipal adquiriu a sua residência, onde será implantado o Centro Educacional para os Alunos Caienses.
Texto extraído do site da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Caí.

1011 - Doutor Bruno Cassel

Médico bondoso, o Doutor Cassel era um herói para a população pobre  

O Dr. Cassel, como era conhecido por todos, veio para o Caí em 1938, desde então, revelou-se um médico competente e humanitário. Nos seus 60 anos de atividade, assumiu posição de destaque na sociedade local e na vida pública do município. Com forte influência política, marcada por um verdadeiro carisma, e por uma natural capacidade de comunicação, ele elegeu-se Prefeito por quatro vezes. A par da atividade política, continuou exercendo a Medicina, sempre atendendo a todos, mesmo a quem não pudesse pagar as consultas. Os caienses o trataram como um herói e prestaram uma homenagem ainda em vida. Em dezembro de 1996, um busto  foi erguido, em homenagem ao grande médico, próximo do Hospital Sagrada Família, no qual ele exerceu a sua profissão por muitas décadas. Na ocasião esteve presente o Doutor, que ficou muito emocionado, pois ele teve a felicidade de receber em vida um reconhecimento que normalmente só é dado depois do falecimento.  
Texto extraído do site da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Caí 

1010 - Cônego Edvino Puhl









Nos seus quase 50 anos de atividade sacerdotal no Caí, o padre Edvino Puhl participou de momentos importantes da vida da maioria dos caienses


 O Padre Puhl, como era conhecido por todos, foi Pároco de São Sebastião do Caí desde 1953. Nos seus 48 anos de sacerdócio, 35 foram dedicados a esta Paróquia. Foi padre auxiliar na Paróquia São Geraldo em Porto Alegre, e antes de vir para nossa cidade, foi Pároco da Igreja de Travesseiro em Arroio do Meio. Ele foi escolhido por Deus para guiar uma porção do seu rebanho.Viveu intensamente cada momento de sua vida sacerdotal. Foi fiel e zeloso no serviço à Igreja.
Sua alegria contagiou muitos corações, era vibrante e sua liderança se evidenciou em nossa história. Por tudo isso seu túmulo fica dentro da Igreja Matriz e pode ser visitado por toda a comunidade.
Texto extraído do site da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Caí 

1009 - Egydio Michaelsen

Egydio Michaelsen, à esquerda de Getúlio Vargas, numa visita do presidente ao município (provavelmente em Nova Petrópolis)


Natural de São Sebastião do Caí, nascido a 27 de fevereiro de 1908, filho de Lúcia Diefenthaeler Michaelsen e do Cel. Frederico Jacob Michaelsen, um dos cinco Jacobs do pioneirismo colonial rio-grandense. Foi casado com Elita Pereira Michaelsen, tendo três filhos, Cássio, Marília e Celso Michaelsen. Após cursar o primário em sua cidade natal e em Santa Cruz, e o secundário em Porto Alegre, formou-se pela faculdade de Direito da URGS, 20 de dezembro de 1930. Foi eleito prefeito de sua terra natal a 17 de novembro de 1935, com legenda popular sem filiação partidária, como permitia a legislação eleitoral da época, sendo empossado em 31 de janeiro de 1936, e exerceu o mandato até 31 de janeiro de 1943, quando assumiu a consultoria jurídica do Banco Agrícola-Mercantil S.A.., em Porto Alegre, sendo eleito diretor do estabelecimento a 25 de maio de 1946, tendo sido reeleito em 27 de abril de 1950 e 11 de março de 1954. Em 1945, com Alberto Pasqualini fundou a União Social Brasileira (USB), movimento que foi a base em que se assentou o programa do Partido Trabalhista Brasileiro.
  Licenciou-se algumas vezes de suas funções de diretor do banco Agrícola -Mercantil para desempenhar outras funções, tendo sido eleito Deputado Trabalhista Brasileiro e Deputado Federal em 03 de outubro de 1950. Foi Secretário do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul, no governo de Ernesto Dornelles, de 29 de março de 1952 até 31 de janeiro de 1953, quando reassumiu suas funções na diretoria do Banco Agrícola Mercantil. Licenciou-se novamente de suas atividades bancárias, quando na convenção do PTB, 25 de maio de 1962, o escolheram como candidato oficial pelo partido, para disputar o Governo do Estado, na sucessão do cargo, pertencia a Leonel Bri-zola, também do PTB. Foi Ministro da Indústria e Comércio do Brasil , no Governo do presidente João Goulart, em 1963 e 1964. Com o Golpe Militar em 01 de abril de 1964, volta a exercer suas funções bancárias, na fusão dos bancos Moreira Salles S.A. e o Agrícola Mercantil S.A . onde trabalhou como Diretor conselheiro do Unibanco, integrando seu Conselho de Administração . Na volta de uma viagem a Lisboa, faleceu em 07 de setembro de 1972 de parada cardíaca, no seu apartamento no Rio de Janeiro aos 64 anos de idade. 
Texto extraído do site da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Caí

1008 - A obra das Irmãs de Santa Catarina

O Colégio Santo Antônio, criado pelas irmãs em 1910, trnsformou-se no Ginásio São Sebastião e hoje é Escola Estadual

As Irmãs de Santa Catarina chegaram ao Caí em 1910, tendo começado suas atividades de forma muito modesta. Com abnegação e persistência, elas trabalharam pela população caiense e da região durante cem anos e produziram uma fantástica obra, principalmente nos campos da educação e da saúde. Além da assistência social e religiosa.
Tudo começou com uma escola para meninas. O que vinha complementar o trabalho dos Irmãos Maristas, que já tinham na cidade um colégio destinado apenas para os meninos.
Desde o início do século XX, as Irmãs de Santa Catarina haviam se instalado em Novo Hamburgo e, em 1904, o pároco de São Sebastião do Cai, padre José Siemen, que era jesuíta, fez um pedido à superiora provincial, Irmã Camila Rex, para que as irmãs de Hamburgo Velho (hoje um bairro de Novo Hamburgo), passassem a cuidar, também da educação das crianças caienses.
No dia 22 de dezembro daquele ano, a Superiora Provincial Camila Rex, acompanhada da Vice Geral da congregação no Brasil, Irmã Gaudência Glaw, foi conhecer o Caí e as condições que lhes eram oferecidas para desenvolver o seu trabalho. O que viram não foi muito animador. Mas, sentindo a necessidade que as meninas católicas na cidade tinham de instrução e apoio, aceitaram o desafio.
Mas foi só no dia 12 de fevereiro de 1910, que cinco irmãs se dirigiram ao Caí para começar a missão. Fazia muito calor e, por isso, elas partiram pouco depois da meia-noite, evitando o sol abrasador.
As irmãs viajaram numa carreta rústica, do tipo usado pelos colonos para o trabalho agrícola, puxada por quatro  burros.
Vieram as superioras Gaudência e Camila e mais três freiras que constituiriam o núcleo pioneiro responsável pela nova escola: Asela Heinrich, Salésia Müller e Generosa Kardukewiz. Elas chegaram no Caí às duas horas da tarde, trazendo consigo alguns colchões de palha e utensílios para a cozinha, assim como para a escola. Tudo muito escasso e modesto.
Na chegada, as irmãs foram recepcionadas pelo novo padre Carlos Schwertzchlager, também  jesuíta, e por populares animados com a vinda das professoras  que iriam educar as suas crianças. A recepção se deu às duas horas da tarde.

1007 - Escola Santo Antônio

As Irmãs de Santa Catarina mantiveram a escola até 1954


Mas foi só no dia 12 de fevereiro de 1910, que cinco irmãs se dirigiram ao Caí para começar a missão. Fazia muito calor e, por isso, elas partiram pouco depois da meia-noite, evitando o sol abrasador.
As irmãs viajaram numa carreta rústica, do tipo usado pelos colonos para o trabalho agrícola, puxada por quatro  burros.
Vieram as superioras Gaudência e Camila e mais três freiras que constituiriam o núcleo pioneiro responsável pela nova escola: Asela Heinrich, Salésia Müller e Generosa Kardukewiz. Elas chegaram no Caí às duas horas da tarde, trazendo consigo alguns colchões de palha e utensílios para a cozinha, assim como para a escola. Tudo muito escasso e modesto.
Na chegada, as irmãs foram recepcionadas pelo novo padre Carlos Schwertzchlager, também  jesuíta, e por populares animados com a vinda das professoras  que iriam educar as suas crianças. A recepção se deu às duas horas da tarde.

Foi colocado à disposição das irmãs um dos prédios que haviam no local onde hoje funciona a Escola Estadual São Sebastião, de frente à praça central da cidade.
As condições do prédio  eram muito precárias, mas elas não perderam tempo em lamúrias. Trataram de arrumar as salas para que a escola começasse a funcionar no dia 15 de fevereiro. Três dias após a chegada.
Não havia uma cozinha, para as irmãs preparem a sua comida. Mas a madre Gaudência não se apertou. Com um tripé improvisado, colocado embaixo de uma árvore, ela preparou um café que as irmãs saborearam com prazer.
Elas também não tinham camas e dormiram sobre colchões colocados sobre o assoalho. Mas nenhuma dessas carências impediu as irmãs de, em 15 de fevereiro de 1910, abrir a escola que contou - já de início - com 70 alunas. Seu nome era Escola Santo Antônio.
E, além da escola, as irmãs passaram logo a dar assistência à paróquia,  cuidando da limpeza e ornamentação da igreja e  dos paramentos. Assumiram também o canto coral e o acompanhamento musical ao órgão.
Assim, de forma muito modesta, as irmãs começaram seu trabalho na Paróquia de São Sebastião. Um trabalho que completa agora um século de inestimáveis serviços e de inestimável benefício para a população.
A escola cresceu rapidamente, pois era grande a necessidade de ensino para as meninas caienses. Mas, como haviam outras necessidades do povo que não eram atendidas, as irmãs não pararam por aí.

1006 - A origem do Hospital Sagrada Famíia

As Irmãs de Santa Catarina criaram, em 1917, um asilo para idosos chamado Sagrada Família

Em 1917, no dia 17 de fevereiro, foi fundado um asilo para idosos que recebeu o nome de Sagrada Família. As irmãs abriram mão da sua moradia para a instalar o asilo e acolher os idosos, ganhando para elas a casa situada na esquina das ruas Henrique D´Ávila com Marechal Floriano (nomes atuais). Ao longo dos anos, a escola foi crescendo até que, em 1954 as Irmãs de Santa Catarina passaram a sua administração para as Irmãs Bernardinas. Surgiu daí o Ginásio São Sebastião que, mais tarde transformou-se na atual Escola Estadual São Sebastião.
Dois anos depois, em 1919, mesmo em condições muito precárias, as irmãs começaram a atender - no mesmo local - a pessoas doentes. Começava, assim, a surgir o Hospital Sagrada Família.
Se a carência de recursos das irmãs era enorme, maiores ainda eram as necessidades da população pobre. E as irmãs, premidas pela necessidade de amenizar os padecimentos das pessoas, passaram logo a acolher também crianças órfãs.
Aos poucos o atendimento aos doentes foi crescendo e melhorando.  Pessoas de todas as localidades vizinhas recorriam ao atendimento oferecido pelas irmãs no seu precário estabelecimento.
Então a comunidade se mobilizou e, através a organização católica chamada União Popular, tratou de construir o Hospital Sagrada Família, na encosta do morro. No mesmo local onde hoje se encontra em prédio grande e majestoso.
As obras começaram em 1934 e a inauguração ocorreu em 14 de março de 1937. Em seguida começou, ao lado, a construção do asilo de idosos, que estendeu-se de 1939 até 1944.
As irmãs também desenvolveram trabalhos de catequese nas comunidades de Várzea do Rio Branco, onde davam aulas às crianças embaixo de uma árvore e para onde iam de carroça. E, em 1933, inauguraram lá uma capela. Fizeram o mesmo na comunidade de Campestre de Santa Terezinha.
Em 1974, o asilo do hospital foi transformado em unidade psiquiátrica.
Em 1985, a escola de formação de religiosas veio transferida para o Caí, ocupando os prédios da antiga Escola Agrícola, que estavam abandonadas. Até hoje formaram-se ali 29 Irmãs de Santa Catarina, que atuam pelo Brasil e pelo mundo, levando saber e saúde para quem mais necessita desses benefícios.

domingo, 24 de outubro de 2010

1005 - Édio Spier: uma perda irreparável

Édio Spier desempenhou papel importante no desenvolvimento inicial do Sicredi


Nossos leitores Álvaro e Adelaide Link chamam a atenção para uma personalidade do Vale do Caí que merece ser melhor estudada. Édio Spier teve papel fundamental no desenvolvimento da cooperativa Sicredi em Nova Petrópolis, que representou o início da grande organização em que se transformou o Sicredi hoje.
Este o depoimento de Álvaro:
"Édio Spier, líder cooperativista, presidente de uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil e Ser Humano dotado de uma enorme inteligência. Com ele pude conviver alguns anos, quando trabalhei na SICREDI Pioneira, localizada no município gaúcho de Nova Petrópolis, berço do cooperativismo de crédito no Brasil. Para mim foi um enorme privilégio ter podido conviver com Édio com quem apreendi e devo muito. Deixará sem dúvida um imenso vazio na sua família e no ambiente do cooperativismo. Édio faleceu na Terça-feira, dia 15 de Junho aos 77 anos. Uma lastimável perda."
Os municípios de Picada Café e Nova Petrópolis, nos quais Édio Spier desenvolveu suas principais atividades, são pertencentes ao Vale do Caí e ambas já pertenceram ao município de São Sebastião do Caí. Por isso, ele é uma personalidade da região. E das maiores. Com a sua capacidade e liderança, conseguiu dar enorme impulso à caixa de crédito rural que o Padre Amstad criou no interior de Nova Petrópolis um século atrás.

Faleceu aos 77 anos de idade, Edio Spier, Presidente da SICREDI Pioneira RS. Marido de Asta, pai de Alexandre (in memorian), Rachel e Mônica, avô de Ingrid, Gustavo e Clara.Edio exercia a presidência da cooperativa há 36 anos. Foi um líder, um colega e um amigo para a sua família de 300 colaboradores. Por natureza carismático, é admirado e querido pelos que o conheceram. Trabalhou com humildade, valorizando o ser humano e a família. Édio Spier nasceu no dia 27 de novembro de 1932 e faleceu no dia 15 de junho de 2010, deixando um legado como poucos conquistam.
Esforço e dedicação sempre fizeram parte de sua maneira de agir frente à Cooperativa, que em 107 anos, atuava como 4º presidente. Por ser uma pessoa visionária, tornou-se um ícone no cooperativismo de crédito brasileiro e internacional.

1004 - Campeões de acessos

A sensala da Real Feitoria do Linho Cânhamo (uma fracassada plantação governamental de maconha) foi usada para acomodar os colonos alemães quando chegaram a São Leopoldo

As postagens mais acessadas no blog Histórias do Vale do Caí, até o momento são as seguintes:
1º - 739 - Real Feitoria
2º - 783 - Família Heck
3º - 780 - Fundação Rockefeller
4º - 353 - A família Ely
5º - 2 - Miguel Ledur
6º - 659 - A estrada de ferro e suas estações
7º - 533 - Qix, uma multinacional caiense
8º - 795 - As medidas da Barragem Rio Branco
9º - 799 - Breve história de São Sebastião do Caí
10º - 782º - Os Heck do Vale do Caí para o mundo

1003 - Edifício Ely

O Edifício Ely foi construído pelo comerciante caiense Nicolau Ely, na década de 1920

Em Porto Alegre, junto à Estação Rodoviária e ao viaduto que leva ao Túnel da Conceição se encontra um belíssimo edifício mandado construir pelo caiense Nicolau Ely, que enriqueceu em Porto Alegre trabalhando no comércio. Mais informações sobre Nicolau Ely podem ser encontradas neste blog (use o buscador, "Nicolau Ely")
A Wikiédia refere-se a este prédio da seguinte forma:
"O Edifício Ely, atual Tumelero, é um prédio histórico brasileiro, localizado na cidade de Porto Alegre.
Localizado na rua Conceição nº 283, próximo à rodoviária, foi projetado e construído entre 1922 e 1923pelo arquiteto alemão-brasileiro Theodor Wiederspahn, para ser uma loja do comerciante Nicolau Ely. Este monumento de arquitetura é considerado patrimônio cultural e um ponto turístico da cidade.
Construído em alvenaria em estilo neo-renascentista alemão, possui cerca de oito mil metros quadrados, distribuídos em quatro andares, e 3.220 metros quadrados de fachada, decorada com abundância de janelas altas e estreitas com delicadas esquadrias, balaustradas, cúpulas, ornamentos, estatuária e grades em ferro forjado, destacando-se um belo frontão com volutas, sendo internamente simples e despojado.
Atualmente, abriga a loja centro do Tumelero, uma cadeia de lojas de materiais de construção. Apesar de estar bastante bem conservado, nos últimos anos o prédio tem sofrido com intervenções agressivas em sua fachada e entorno, com a construção de um viaduto a escassa distância, e a instalação de luminosos e banners da empresa proprietária."


Sobre o arquiteto Theodor Wiedersphan, a mesma Wikipedia relata:
Teodor Alexander Josef Wiederspahn, mais conhecido como Theo Wiederspahn, nasceu em Wiesbaden19 de feereiro de 1878 e morreu em Porto Alegre, em12 de novembro de 1952) foi um arquiteto alemão que executou muitas obras no Brasil.
Formou-se na Escola de Construção de Wiesbaden em 1894 e migrou para o Brasil em 1908, para trabalhar na Viação Férrea, o que acabou não acontecendo por problemas de contrato. Passou, então, a trabalhar como arquiteto no escritório de engenharia de Rudolf Ahrons, um porto-alegrense que havia se formado em Engenharia Civil na Escola Politécnica de Berlim, em 1903. Wiederspahn lá trabalhou até 1914, quando a firma foi fechada por causa da Primeira Guerra Mundial. Após a guerra, ele fundou sua própria firma, que faliu em 1930, por causa da crise que assolou a economia mundial naquela época.
Abriu escritório na cidade de Novo Hamburgo (RS), onde foi responsável por algumas obras residenciais, e pela construção do prédio da Sociedade Frohsin (hoje Aliança).Em 1933, com a exigência do registro profissional, Theo foi rebaixado para a categoria de "construtor licenciado", passando então, a trabalhar para a Igreja Evangélica de Confissão Luterana, onde teve suas atividades novamente interrompidas durante a Segunda Guerra Mundial.
Theo teve tanta visibilidade e tanta fama que ainda hoje é lembrado como o maior arquiteto gaúcho de todos os tempos. Por isso, atraiu muita invejaciúme e despeito. Por ser de origem alemã, mesmo estando perfeitamente integrado à vida dos pampas, sofreu perseguições políticas durante a segunda guerra. Por causa do desgosto e muito ressentido pelo tratamento que recebera, acabou entrando em depressão.
Morreu com 73 anos, deixando sua marca e estilo em vários prédios e residências conhecidos e históricos de Porto Alegre, como: Correios e Telégrafos, hoje Memorial do Rio Grande do Sul; Secretaria da Fazenda; Prédio da Prefeitura de Cruz Alta-RSEdifício Ely, atual Tumelero; Cervejaria Bopp, depois Brahma; Hotel Majestic, atual Casa de Cultura Mário Quintana; Edifício Chaves; Prédio da antiga Previdência do Sul, e antigo Cine Guarany; Prédio João Paz Moreira; Central Telefônica Ganzo; Faculdade de Medicina da UFRGS; Bier e Ulmann; Moinho Chaves; Hospital Moinhos de Vento Museu Educativo Gama D'Eça
Possivelmente ele seja o autor também do traçado básico da atual Catedral Metropolitana de Porto Alegre. Segundo o relato de Günter Weimer, o desenho da Catedral se originou de um concurso, do qual participaram Theo Wiedersphan, Johan Ole Baade e Jesús Maria Corona. Corona foi o vencedor com um projeto para uma vasta catedral neogótica com cinconaves e torres de 72 m de altura, com uma cripta em estilo manuelino. Entretanto, o projeto encontrou críticas de todos os lados, especialmente da Escola de Engenharia, o que levou ao seu abandono. O fato de seu autor ter fama de anarquista também não ajudou. Os outros dois premiados, Wiederspahn e Baade, eram ambos protestantes, o que pode ter gerado resistências dentro da Igreja Católica. Assim, por razões várias, nenhum era aproveitável, e o Arcebispo remeteu os projetos para Roma e solicitou ao arquiteto da Cúria Romana,Giovanni Battista Giovenale, que procedesse a uma revisão, e por isso hoje o projeto usualmente é creditado a Giovenale. Mas Günter Weimer afirma o trabalho de Giovenale se limitou a uma revisão sumária, usando largamente o projeto apresentado por Wiederspahn, e entregando a maior parte do trabalho técnico para o tcheco Josef Hruby.