quinta-feira, 1 de março de 2012

1329 - CR Diementz: tudo começou em Capela de Santana


Capela, na época de fundação da empresa, era um distrito de São Sebastião do Caí
Reinaldo Mentz foi um homem simples, nascido na localidade de Divisa, perto da atual cidade de Capela de Santana. Na época, tanto Capela como Divisa pertenciam ao município de São Sebastião do Caí. 
Tudo era muito difícil, naquela época, e Reinaldo não teve muita oportunidade de estudar. Mas aprendeu com seus pais, Luis e Emília Mentz, o valor do trabalho. Trabalhava desde a infância, ajudando seus pais nas atividades rurais. Adulto, ele dedicou-se à criação de gado e a produção de acácia negra. Com bom tino para negócios, chegou a alcançar uma boa situação econômica.
Com isso pode proporcionar aos filhos um melhor nível de educação.
Seu filho mais velho, José Ernesto Mentz, quando garoto, foi estudar em Novo Hamburgo, no Colégio São José. Um dos melhores do estado, naquela época.
José destacou-se nos estudos. Era um dos melhores alunos da sua classe. Se continuasse os estudos, certamente se tornaria um doutor, como aconteceu com colegas seus que disputavam com ele os primeiros lugares na turma.
Mas seu pai tinha outros planos para ele. Por achar que o filho estaria melhor com a família e acreditando fundamentalmente no valor do trabalho como formador do caráter das pessoas, ele decidiu construir um bom prédio em Capela de Santana e começar ali um armazém. Mas seu Reinaldo não pretendia abandonar as suas atividades habituais de criação de gado, plantio de acácia, compra e venda destes produtos. Atividades às quais ele se dedicava com grande êxito.


1328 - Começo difícil

Hoje uma grande loja da rede CR Diementz ocupa a área onde foi criado o primeiro armazém da família Mentz

Para cuidar do armazém, que recebeu o nome de Casa Reinaldo Mentz  ou CR Mentz, seu Reinaldo chamou de volta o seu filho José Ernesto, que tinha, então, 16 anos. E, para ajudá-lo no comando da loja, convocou também as filhas Maria Emília e Sueli Terezinha, ainda mais novas. Isso aconteceu no ano de 1956.
Para aprender a arte do comércio, antes da abertura do armazém José Ernesto foi trabalhar, por um mês, no estabelecimento do comerciante Gentil Batista da Silva,  no bairro Campina (então Vila Campina), em São Leopoldo
O trio de adolescentes, sob o olhar protetor da mãe, dona Ireda, tinha um enorme desafio pela frente. Existiam, naquela época, concorrentes fortes em Capela de Santana. Comerciantes estabelecidos há muito tempo, com muito mais experiência e capital do que eles.
Mas os jovens irmãos não desanimaram. Foram à luta, compensando as suas deficiências com esforço e dedicação.
Sem saber disso, José, Emília e Terezinha investiram num fator muito importante para ser o principal diferencial da sua loja: a qualidade do atendimento.
José Ernesto costumava levar o “rancho” (compras volumosas, difíceis para o cliente levar nas mãos) na casa do cliente. E, como a empresa não dispunha de um veículo motorizado, ele fazia isso com um carrinho de mão. Só depois de alguns anos de atividades foi possível comprar uma carroça para fazer a entrega dos ranchos. Foi somente em 1962, seis anos depois do início das atividades, que a firma conseguiu comprar uma pick up usada para executar esta tarefa.

1327 - Na Capela

A família Mentz é luterana e muito dedicada à manutanção da pequena comunidade existente em Capela de Santana

Capela de Santana passava, nas décadas de 1950 e 1960, por uma fase de grande progresso, motivada pela existência, lá, de uma grande empresa: a Arrozeira Brasileira, que chegou a ser a maior empresa do município de São Sebastião do Caí, que na época incluía Portão, Feliz, Bom Princípio e outros distritos hoje emancipados). No seu apogeu, a Arrozeira chegou a ter 1.180 funcionários. Com isso foram atraídos muitos migrantes para a Capela, que cresceu rapidamente. Aproveitando esta boa fase, o armazém evoluiu e precisou contratar funcionários. O primeiro foi Remi Lemertz e depois veio Hugo Morschel, que entrou em 1958 ficou na empresa até se aposentar.
A Arrozeira produzia sacos e cordas feitos de juta (fibra vegetal). Com o surgimento das fibras sintéticas (feitas de derivados o petróleo) os produtos da empresa perderam mercado e ela foi definhando gradualmente, até fechar à sua extinção, por volta de 1970.
Muitos armazéns de Capela de Santana definharam junto com a Arrozeira. Mas o mesmo não aconteceu com a CR Mentz. A empresa modernizou-se e passou por uma transformação, a partir de 1967, com a venda de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

1326 - Novos horizontes


Em 1971, com a criação da Câmara de Dirigentes Lojistas, em São Sebastião do Caí, José Ernesto Mentz passou a participar das atividades da associação e a ouvir palestras e cursos que fizeram evoluir a sua visão do comércio. Com isso, a loja de Capela cresceu, apesar da crise local, e novos passos foram dados pela empresa.
Em 1971, o comerciante caiense Paulo Dhein, companheiro de José Ernesto na CDL, ofereceu-se para revender os móveis da CR Mentz na sua loja situada no Caí. O resultado foi positivo e isto mostrou que seria possível, para a empresa, abrir uma loja na cidade maior e competir com as tradicionais lojas lá estabelecidas.

1325 - Surge a rede


Como conseqüência disso, em 1973 (17 anos após a sua fundação) foi inaugurada a primeira filial da empresa, em São Sebastião do Caí. A sede do município ao qual Capela de Santana pertencia.
Cinco anos mais tarde, veio a segunda filial, em Portão. Por esta mesma época, ingressou na empresa o caiense Sebastião Souza Flores, que já havia trabalhado nas rede J H Santos e teve importante participação na implantação do sistema de crediário na CR Mentz.
Na década de 1980, a empresa empenhou-se em abrir mais lojas para, com isso comprar produtos em maior quantidade e a preços mais baixos.
Tornando-se mais forte, a CR Mentz passou a ousar mais, abrindo lojas em cidades maiores, onde tinha de bater de frente com as grandes redes de eletrodomésticos e móveis.
Em 1982, foi inaugurada a filial de Montenegro. Em 1984, nova filial foi instalada em Bom Princípio e, no ano seguinte,mais uma na cidade de Feliz. Em 1987,  uma segunda loja foi fundada em Montenegro e, em 1988, foi construído prédio próprio para a loja de Portão. Com o que a sede da empresa acabou sendo transferida para aquela cidade.
Até então, as lojas CR Mentz mantinham-se restritas à região do Vale do Caí. Na década de 1990, porém, ela começou a desbravar novos horizontes. Em dezembro de 1991 foi aberta a filial de Estância Velha, que é a terra de Nelcy Mentz, esposa de José Ernesto, que também atuava na direção da empresa.

1324 - Fase de grande crescimento


CRESCIMENTO
O sucesso ali obtido serviu de incentivo para novas investidas no Vale do Sinos. Em 1992 foram inauguradas lojas nas cidades de Sapiranga, Dois Irmãos e Campo Bom. E, em 1994, foi aberta a filial no centro de Novo Hamburgo.
Este foi um lance ousado, pois Novo Hamburgo, ainda no auge como polo da indústria calçadista era um cidade rica e pujante, contando com lojas das grandes redes estaduais. Mesmo assim o sucesso da CR Mentz foi tão grande que motivou a empresa a abrir mais uma loja, na mesmo cidade, já no ano seguinte.
Em 1994 foram feitos acordos com lojas já existentes em São José do Hortêncio, Maratá, Nova Petrópolis Nova Hartz, que passaram a reveder produtos adquiridos através da CR Mentz.
A CR Mentz ia se tornando uma rede importante e, no entanto, sua sede continuava em Capela de Santana. Mas esta situação tornou-se insuportável porque a empresa precisava manter constante comunicação com seus fornecedores de todo Brasil e até do exterior. E Capela não contava com ligação telefônica confiável. Aconteceu, então, a mudança da sede para a cidade de Portão, ainda em 1994.

CR DIEMENTZ
Um novo grande passo foi dado em 1995, quando a empresa passou a operar no sistema de franquia. Assim foram abertas lojas com a marca CR Mentz nas cidades de Osório, Terra de Areia, Arroio do Sal, Torres e Tramandaí. No mesmo ano, foi aberta filial da rede numa outra grande cidade: Caxias do Sul.
Com tantas lojas, vendendo muito, a CR Mentz podia comprar em grandes quantidades, tornando-se cliente importante para fabricantes como a Philips, Consul, Brastemp, Semp Toshiba, Enxuta, Carraro e Todeschini.
José Ernesto Mentz e sua irmã Maria Emília continuam sócios da empresa. Como ela, com o seu casamento, passou a ter o sobrenome Dietrich, a rede mudou de nome: hoje é CR Diementz.

1323 - Carnaval Caiense de 2012


No Carnaval Caiense de 2012, a escola Unidos do Samba apresentou uma grande evolução em relação ao ano anterior
Nos anos 1990, o Carnaval de Rua foi grande, no Caí. A primeira década do novo milênio foi uma década perdida, mas o samba voltou à avenida no ano 2001. E, em 2012, voltou ainda com mais força. Não, ainda, com o esplendor dos carnavais do final do segundo milênio, mas com uma evolução muito satisfatória, dando a esperança de que o carnaval caiense poderá ser grande novamente.
A rua General Osório não é tão central. Ela fica no bairro Navegantes, a algumas quadras do centro, mas é um lugar formidável para a realização do desfile do Carnaval de Rua. É larga como as avenidas  Egydio Michaelsen e a Tiradentes. Só não tem os canteiros centrais e é por isso mesmo que ela é boa para o desfile. Além de tudo, ela é plana, ao contrário da Marechal Floriano, onde foi realizado o desfile no ano passado. Apesar do rebaixamento, de Marechal para General, o carnaval saiu ganhando.
Além do local, o desfile também foi melhor. A escola Unidos do Samba desfilou com mais componentes, maior bateria, melhores fantasias do que no carnaval do ano passado. E a estrutura montada no local também foi melhorada, graças à participação qualificada  do Ibiza Dance (um dos melhores do interior do estado), que usou até canhão de luz e luzes estroboscópicas para dar mais destaque à festa.
Depois do desfile da Unidos do Samba, mais uma grande atração se apresentou na avenida: a bateria show da ESUBI, a escola campeã do carnaval montenegrino. Ela veio com 50 componentes e estiveram presentes, também, a rainha do carnaval de montenegro e o rei momo
Neste ano, aumentou o número de carros alegóricos da Unidos do Samba e a bateria veio com finas fantasias. No ano passado, ela usava camisetas comuns.
Foi uma boa idéia fazer o desfile fora de época. Na sexta-feira, dois dias depois da quarta-feira de cinzas. Com isso, muita gente já havia voltado da praia e componentes de outras escolas puderam vir engrossar o desfile caiense. Inclusive gente da Restinga e da Protegidos da Princesa Isabel. E as grandes escolas também emprestaram fantasias para a Unidos do Samba.
Com tudo isso, a General Osório, que durante o ano até parece uma rua, revelou a sua verdadeira identidade. Ela mostrou que é uma grande avenida.
Com tanto crescimento pode ser até que no próximo ano surja uma outra escola para competir com a Unidos do Samba. Havendo competição, o desfile vai ficar ainda mais gostoso

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

1322 - Nosso blog chega a 100 mil visualizações


O passado, mas também o presente e até o futuro do Vale do Caí são retratados no blog, que já tem repercussão mundial

O Fato Novo vem alcançando grande sucesso com os blogs que mantém na internet. No dia de ontem, o principal deles, Histórias do Vale do Caí chegou a 100 mil visualizações de páginas. 
Um grande feito, já que o blog trata de assunto de interesse restrito (apenas Vale do Cai e a sua história) e não é de apelo popular.
O conhecimento da história da região é tão importante, ou até mais, que o da história da humanidade. Precisamos mais  conhecer e compreender o que está perto de nós do que o que está longe. Tanto é assim que as pessoas lêm mais os jornais locais do que os de âmbito estadual ou nacional. Mas os assuntos culturais, inclusive a história, interessam menos do que as notícias da atualidade.
Por outro lado trata-se de assunto difícil, pois existem pouca pesquisa e publicações sobre a história da região. Mesmo assim, em apenas dois anos e meio de trabalho, o blog conseguiu produzir 1.321 artigos sobre o assunto que, antes, parecia bastante restrito.
Essa coleção de material, se fosse publicada em livros de tamanho médio, teria 26 livros (cada um deles com 50 capítulos). 
O blog mudou uma realidade. Se antes era difícil encontrar informações sobre a história do Vale do Caí, agora ficou extremamente fácil.
Basta abrir o blog na internet (Google) escrevendo Histórias do Vale do Caí, que a página inicial aparece na tela do computador. Mais fácil que pegar um livro na estante. Que dirá 26 livros. E o blog tem acesso gratuito, além de prático e rápido. Além disso o material, além de textos, conta com riquíssimo conteúdo de ilustrações.
O difícil seria encontrar as informações desejadas. São necessários muitos dias, ou meses, para ler todas as 1337 postagens já publicadas. E dezenas de outras são publicadas a cada mês.
Mas isso também não é problema no blog. Usando o sistema de busca que se encontra na página de abertura, o computador seleciona as postagens em que se encontram informações sobre o assunto desejado.
Se você se interessa por um determinado personagem - Por exemplo, Bruno Cassel - basta escrever o nome corretamente na barra de busca.
No caso do Doutor, aparecem 36 postagens nas quais ele é citado.
O mesmo acontece se fizermos a busca sobre o pequeno, e jovem, município de Linha Nova, ou qualquer outro município da região.
O blog, sem dúvida, é uma grande conquista para a cultura do Vale do Caí. Poucas outras regiões, pequenas como a nossa, contam com uma fonte de informações sobre a sua história que seja tão ampla e facilmente acessível. Além de gratuita.
O blog é editado pelo Fato Novo. Mas é, também, uma criação coletiva, pois muitas pessoas já colaboraram para o enriquecimento do seu conteúdo. Elas mandam fotos e informações que, sendo relevantes, são acrescentadas ao acervo do blog.
Além de proporcionar informação aos moradores do Vale do Caí sobre a história da sua terra, o blog divulga a região por grande parte do mundo. Pessoas de 82 países já o acessaram.
Animado com a receptividade do blog e cientes da contribuição que ele dá à cultura e à autoestima do povo da região, o Fato Novo está comprometido na continuação do seu trabalho com o blog e com o seu contínuo aprimoramento.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

1321 - Times caienses da década de 1950

Times do Comando e do Auto Center
(clique sobre a foto para ver melhor)
Time da Vila Rica
Comando
.

A professora Vânia Laux de Leão, além de ser filha de Dary Laux, é interessada em história e tem dado importantes contribuições para as Histórias do Vale do Caí. Ela nos apresenta agora times de futebol dos tempos em que Dary foi jogador.


1) Time da Vila Rica:
O time era patrocinado pela Padaria Laux & Rangel, sendo  que o campo estava situado na área onde foi construído o pavihão da ERAM do Brasil (depois ocupados pela Vacchi , mais tarde Azaléia e, agora pela Conservas Oderich.. A foto foi tirada em junho de  1957.                           
Este campo ficava à direita, mais para trás, onde é hoje o estacionamento da Oderich. A propriedade
pertencia à família Noronha (de Lourdes e Abelardo Jacques Noronha, ele um dos mais importantes dirigentes da história do Esporte Clube Internacional e ela uma grande fazendeira). Com Abelardo foi 
negociada a doação da área para construir a Escola Josefina da Vila 
Rica, uma brizoleta de madeira. A escola recebeu o nome da mãe deles (Josefina Jacques Noronha).
Dary jogava no time, mas neste jogo faltou e não está na foto.
Os jogadores são, da esquerda para a direita: Edilar Schneider, Arlindo Liehl, João 
Taglieber, goleiro Ataíde (veio de Taquara trabalhar na padaria como 
padeiro), Erni Peters, Pedro Silva.
Agachados são .....Lenhardt, Julinho...., Aparício Kohl, Laurindo 
Raimundo e Laurindo Lorscheiter.
Os mascotes, são o Mauri Rangel, com 7 anos, e o Juarez Taglieber, 9 anos.

2) Esporte Clube Comando ou Comando Esporte Clube.
Numa das fotos,do início dos anos 60, vemos a equipe caiense do Comando e o Auto Geral, equipe de uma empresa de Porto Alegre. Dary escreveu atrás da foto: Comando 0 - Auto Geral 1. Os visitantes venceram. O fato de haver sido terada um foto. O que ainda era raro naquela época, mostra a importância que se dava à visita de uma equipe de Porto Alegre.

3) A outra foto, sem dúvida, mostra o Comando, que era um time do Centro, dissidente do Guarany e Riachuelo. Time que teve vida efêmera. A foto foi no mesmo jogo, mesmo dia, com os seguintes jogadores:
Da esquerda para a direita: Henrique Fisch, Dary Laux, Maurício Fortes, 
..........., Armênio Henzel, ... Welter (apelido Craiolo),
Agachados: Manoel Câmara, Waldir Dias, Heitor Piovesan, ............ e Beto Adam.
Vânia conta com a ajuda de sua mãe, Vera, para obter essas informações. Aceitamos ajuda para a identificação dos demais jogadores. Figuras destacadas da vida caiense faziam parte da equipe.

1320 - Biografia de Dary Laux

Dary na campanha de 1976 (paletó xadrez, naquele ano, era moda)

Dary Laux nasceu na localidade de Angico, no dia 17 de janeiro de 1930. Era  filho do casal Alfons Laux e Sibylla Ströher Laux, e o irmão mais velho das gêmeas Dilva, Delva e  Dione. Muito jovem, trabalhou junto com a família na propriedade dos pais, que mantinham também uma olaria e uma atafona.
Começou seus estudos na pequena escola da localidade onde nasceu e deu continuidade na Escola Duque de Caxias, antiga escola alemã, mantida pela Comunidade Evangélica Luterana. Com o intuito de prosseguir nos estudos, aos 14 anos se mudou para Porto Alegre. Iniciou o curso ginasial na Escola do Sindicato dos Empregados do Comércio. Para se manter, foi trabalhar em um armazém de secos e molhados do caiense Arthur Fetzer e após, por três anos, trabalhou no escritório da Empresa A. J. Renner, indústria de vestuário que havia se transferido de São Sebastião do Caí para Porto Alegre.
Em 1947, com 17 anos, voltou para o Caí, indo trabalhar na Mecânica Caiense Ltda, revendedora dos veículos da marca Dodge, que pertencia a um grupo de empresários. Entre eles, seu tio Arlindo Laux e Otávio Lamb.
            Foi convocado para o serviço militar e rumou para o quartel da cidade de São Gabriel, retornando depois de um ano. No Exército fez inúmeras amizades, sendo que algumas ele conservou por toda a vida e outras resgatou nos seus últimos anos.
Em agosto de 1950, aos 20 anos, formou sociedade com Lauri Rangel, adquirindo a parte de Antônio Martinez na Padaria Princesa, no bairro Vila Rica. Como fazia entrega dos produtos da padaria em várias localidades do município, que era muito grande, foi tornando-se conhecido e muito estimado por todos  na região.
            Nesta fase, após casar-se com a também caiense Vera Diesel, em 29 de setembro de 1951, iniciou a dedicação às entidades sociais e esportivas, principalmente na Sociedade Esportiva e Cultural União da Vila Rica e no Esporte Clube Guarani, fazendo parte das diretorias.                                                                                                                                            No final dos anos 50, colaborou na criação do Ginásio São Sebastião, administrado pela congregação das irmãs Bernardinas e foi fundamental  sua atuação na implantação da Escola Estadual Josefina Jacques Noronha, escola de madeira (brizoleta) inaugurada em 1963 no governo de Leonel de Moura Brizola. Teve participação, também, na implantação da Escola Cenecista Alceu  Masson.,  escola de ensino médio profissionalizante,conhecido como “Contador” .
            Nos anos  60 e 70 foi sócio fundador do Country Tenis Club e do Clube Rio da Mata, e, também, presidente da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em São Sebastião do Caí..
Como empreendedor, Dary Laux em 1965 fundou, em companhia  com o seu cunhado Décio Arthur Wiederkehr, uma metalúrgica, a Balanças São Sebastião, com fundição própria.   Em sociedade  com suas  3 irmãs, na propriedade situada no Angico,  criou o Loteamaento Jardim Residencial Laux.
Convidado pelo Doutor Orestes José Lucas, ingressou na política em 1959, elegendo-se vereador pela primeira vez pelo PTB e venceu novamente o pleito para vereador quatro anos depois pela mesma sigla partidária.
Com as mudanças políticas no cenário brasileiro, ao lado de Heitor Pedro Selbach, pelo Movimento Democrático Brasileiro que ajudou a fundar, em novembro de 1968 se elegeu vice-prefeito, e em 1972, novamente vereador com expressiva votação.
Voltou a concorrer junto com o prefeito Heitor em 1976, elegendo-se pela segunda vez vice-prefeito.
Com a abertura política e a criação dos novos partidos, pela sigla do PMDB retornou como vice-prefeito nas eleições de 1988, juntamente com o prefeito Egon Schneck, finalizando as atividades políticas  que duraram  32 anos.
Ao final desta última administração, portanto, depois de 3 vezes vereador e 3 vezes vice- prefeito, retirou-se da vida pública e passou a cuidar somente de suas empresas até a sua aposentadoria. Porém, permaneceu ainda como Presidente de Honra do PMDB em São Sebastião do Caí, e, continuou participando de reuniões e apoiando o seu partido.
A política nunca deixou de ser um dos seus assuntos preferidos e tinha um grande sentimento de satisfação pela a amizade com o Senador Pedro Simon, considerado um “velho amigo”. Em nenhuma ocasião deixou de votar e ainda foi às urnas, em 2008, na eleição para prefeito.
Dary Laux era grande torcedor do Grêmio. Também gostava de jogar futebol e foi atleta do Esporte Clube Comando, como  também, jogou no time de futebol da Vila Rica que existiu nos anos 60.
O seu maior prazer, foram as viagens que realizou com a esposa e amigos, enquanto a saúde permitiu. Conhecia cada pedaço do chão gaúcho e viajou para quase todos os estados brasileiros,  como também para algumas cidades da América do Sul.
O estilo preferido de música foi o tango argentino e teve oportunidade de conhecer casas de tango em Buenos Aires.
Nos últimos anos, gostava de contar suas memórias para a família e para os amigos, relembrando fatos de sua vida, bem como seus feitos e os marcantes acontecimentos na política, enquanto atuava. 
Em 19 de maio de 2002, Dary Laux sofreu um AVC hemorrágico ficando com sua saúde bastante debilitada. Aos oitenta anos, no dia 18 de setembro de 2010 faleceu em decorrência de uma pneumonia no Hospital da UNIMED, em Montenegro, após ter sofrido, dias antes,  um infarto do miocárdio. Além de um imensa lista de amizades, deixou  a esposa Vera, as filhas Vânia e Jane, os genros Vasco e Itovar e os netos Aline e Marcos.

Texto e pesquisa de Vânia Laux Leão

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

1319 - Cem anos do Volksverein


O Hospital Sagrada Família foi uma das grandes criações da Sociedade União Popul
Histórico e ideário da Sociedade União Popular
100 anos (1912 - 2012)

No dia 12 de abril de 1912, em grande concentração popular pelo “Katholikentag” realizado em Venâncio Aires, RS,  fundou-se a Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul, o popular “Volksverein”. Seu idealizador e maior propugnador foi, sem dúvida, o jesuíta suíço radicado no Brasil desde 1885, Padre Theodor Amstad.
O seu principal objetivo era congregar os descendentes de imigrantes alemães, incentivando-os para uma vida comunitária intensa e ativa sob os parâmetros da solidariedade cristã, que conduzisse a um desenvolvimento equilibrado e sadio das suas comunidades nos aspectos religioso, social, político e econômico.

Na época, as regiões coloniais mais antigas já apresentavam excedentes populacionais, constituindo uma geração de jovens agricultores sem terra. Estes jovens eram atraídos para as cidades em expansão sem estarem preparados para adaptar-se ao meio urbano; e, sem perspectivas, entravam em perigo de proletarizar-se e perder os rumos social, religioso e ético de suas vidas.

A solução óbvia e imediata do problema era a abertura de novas fronteiras agrícolas no Brasil, para o que sobravam terras férteis e devolutas, mas faltavam iniciativas e recursos governamentais. Então as Igrejas, conscientes da sua responsabilidade pelos membros de suas comunidades rurais, assumiram a tarefa de realizar uma verdadeira “Reforma Agrária”. Uma primeira tentativa conjunta, num arroubo ecumênico para o qual o tempo ainda não estava maduro, levou à fundação do Bauernverein (Assosciação de Agricultores). Esta tentativa não conseguiu empolgar as comunidades devido aos preconceitos então dominantes. Mas as Igrejas não desistiram do intento, e partiram para a ação independente.

Foi assim que nasceu o “Volksverein”, que logo partiu para a mobilização das comunidades e a concretização de metas voltadas para a valorização de seus membros. As mais relevantes de suas realizações foram a instalação de grandes colonizações: Serro Azul, Santo Cristo, e, já fora dos limites do Rio Grande do Sul, Porto Novo. Milhares de jovens agricultores foram assentados ali com suas famílias. Nada recebiam gratuitamente, mas adquiriam seus lotes em condições amplamente favoráveis e eram assistidos em suas necessidades sociais, culturais e espirituais. Entretanto, outras medidas foram aos poucos sendo tomadas: de assistência médica através do Hospital Sagrada Família, em São Sebastião do Caí; de atendimento a idosos através de um lar adequado; de atendimento a crianças através da formação de professores no Seminário Católico de Professores em Novo Hamburgo. Ressalte-se aqui: os professores formados eram capacitados e estimulados a agir nas comunidades rurais isoladas, não só como educadores nas escolas, mas como agentes culturais na direção de corais e organização de eventos, e econômicos na orientação às cooperativas que se constituíam (especialmente as “caixas rurais” do sistema Raiffeisen, de tão grande importância para o desenvolvimento rural). Eram ainda líderes religiosos oficiando cultos dominicais naquelas comunidades que só com grandes intervalos de tempo recebiam a visita de padres para a celebração da missa.

Esta amplitude e profundidade da ação do “Volksverein” se tornou possível devido à adequação de sua ação aos objetivos e necessidades da época, à sua intensa divulgação na sociedade teuto-brasileira, e à mobilização solidária de todas as categorias sociais da mesma. Porque era consenso, então, que o cerne do elemento teuto-brasileiro estava na colônia e o colono era o seu representante mais autêntico. O apoio a esta classe, portanto, constituía um apelo a todos os descendentes dos imigrantes e mesmo de simpatizantes em outras denominações eclesiásticas e etnias. As módicas contribuições dos membros se multiplicavam e instrumentalizavam a concretização dos objetivos comuns. Assim, o lema latino do “Volksverein”: OMNIBUS OMNIA – Tudo para Todos – se entranhou naturalmente nas consciências individuais e constituiu uma mentalidade solidária que se tornou (e transformou a entidade) num fator preponderante no desenvolvimento da “colônia”, do Rio Grande do Sul e de todo o Sul do Brasil.

Sabe-se hoje que este desenvolvimento sofreu uma ruptura violenta pela




1318 - Amstad, o cavaleiro da fé

Caixeiro-viajante de Deus

18 de fevereiro de 20129
O padre Theodor Amstad. Foto: reprodução do livro "Sesquicentenário da Imigração Alemã, Editora Edel"
Um padre católico nascido na Suíça tornou-se um grande personagem dentro da comunidade gaúcha de origem alemã. No mínimo, por sua presença física: calcula-se que o jesuíta Theodor Amstad (1851 – 1938) chegou a percorrer uns bons 5 mil quilômetros, montado em um burro, percorrendo regiões de colonização alemã no Estado. Primeiro, ele visitava as famílias na condição de sacerdote. Depois, como representante da Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul (Volksverein), entidade fundada por ele – que, no próximo dia 26, completa cem anos de atividade.
Amstad chegou ao Estado em 1885 e, em 23 anos de ministério pastoral, conheceu bem as dificuldades dos agricultores estabelecidos nas regiões de colônia alemã. Tanto que os incentivou a se unirem em associações. O ponto culminante desse processo foi a criação, em 1912, da Volksverein, hoje chamada Associação Theodor Amstad – entidade que tornou-se decisiva para a organização do meio rural da região nas décadas seguintes.
De tanto andar pelo Interior em seu burro, o próprio Amstad se definia como um "caixeiro-viajante de Deus". Numa queda sofrida às margens do Rio Taquari, o padre ficou paraplégico, mas seguiu em atividade na cadeira de rodas.
Monumento para Amstad em Nova Petrópolis. Foto: reprodução do livro "Sesquicentenário da Imigração Alemã, Editora Edel"
O monumento erguido em homenagem a ele em Linha Imperial, dentro de Nova Petrópolis, será um dos cenários das comemorações marcadas para a manhã do dia 26.
A inauguração do monumento, em 1942. Foto: reprodução
Também será lembrado o centenário da revista mensal Sankt Paulusblatt ("Folha de São Paulo", em tradução literal), editada em alemão até hoje.
Publicado no Almanaque Gaúcho, de Zero Hora, com colaboração de Hugo Hammes

1317 - O Padre Amstad, o cooperativismo e a União Popular

A Sicredi Pioneira RS, primeira Cooperativa de Crédito da América Latina completará 110 anos de atividades em 2012

January 1st, 2012No comments
A Sicredi Pioneira RS completará 110 anos no dia 28/12/2012
A Revolução Industrial que transformou a Europa no século XVIII, fez com que inúmeros imigrantes, inicialmente alemães e italianos, vissem no Brasil uma nova esperança de vida. A difícil situação vivida pelas famílias europeias, tanto nas grandes cidades como no meio rural, provocou o surgimento de cooperativas não só naquele continente como também na América do Sul. O mesmo cenário de fome e miséria vivido na Inglaterra pelos tecelões de Rochdale era também a preocupação de Hermann Schulze e de Friedrich Raiffeisen, na Alemanha. No período compreendido entre 1824 e 1899 78 mil alemães desembarcaram no Brasil, vindo a maior parte deles a se instalar no Rio Grande do Sul, região do país em que tudo estava por fazer, mas ao menos haviam terras para todos.
Neste cenário, em 1885, chega ao Brasil, aos 34 anos de idade, o Padre Jesuíta Theodor Amstad, suíço de nascença, mas ordenado padre na Inglaterra. Amstad recebeu como primeiro trabalho missionário doutrinar as famílias de imigrantes que estavam chegando ao Rio Grande do Sul.Como era jovem, Amstad era destinado, pelos padres mais idosos, para o atendimento às capelas do interior e, especialmente, à assistência a pessoas doentes, que precisavam ser visitadas em casa. Após diversos anos (1885 a 1905) percorrendo de mula o então município de São Sebastião do Caí, que na época tinha uma vasta extensão territorial, o Padre percebera que muitas eram as carências dos imigrantes que aqui chegaram, sendo a necessidade de segurança, de educação, de saúde e a adequada alimentação algumas delas. Foi então, que no ano de 1899 o Padre Amstad  lança sua plataforma cooperativista e associativista, fundando o Bauerverein (Associação de Agricultores), uma entidade interconfessional formada por católicos e evangélicos e que começou a discutir os rumos para o futuro e que em 1912 foi substituída pelo Volksverein (Sociedade União Popular), formada apenas pela Igreja Evangélica.
O Volksverein completará seu centenário em 2012
Foi neste período de nossa história que a igreja assumiu para si um papel de fundamental importância, organizando os agricultores em torno dos objetivos que eram necessários ser alcançados, sendo constituídas escolas, asilos, hospitais sindicatos e cooperativas, agropecuárias e de crédito. As cooperativas de crédito forneceriam o suporte financeiro para o desenvolvimento que estava sendo buscado, principalmente fornecendo o financiamento para que os agricultores pudessem comprar novas terras em novas regiões que estavam sendo colonizadas.
Foi assim, que no ano de 1902, em Linha Imperial, distrito do município de Nova Petrópolis/RS, surge a primeira cooperativa de crédito da América Latina, a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, atual Sicredi Pioneira RS, uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil. Logo nos anos seguintes outras cooperativas de crédito são fundadas, a exemplo de Bom Princípio (1903), Lajeado (1906) e São José do Herval (1907), sendo atribuídas ao movimento iniciado pelo Padre Theodor Amstad e ao Volksverein a fundação de 36 cooperativas de crédito, sendo uma delas em Santa Catarina. Atualmente permanecem em funcionamento 7 das 36 cooperativas constituídas neste período.
As cooperativas criadas nesta época seguiam o modelo de Raiffeisen, que se adaptava ao perfil econômico e social das comunidades dos imigrantes alemães, caracterizadas pela presença nas pequenas comunidades, capital limitado e produção voltada para o mercado interno. Este movimento atingiu um bom nível de desenvolvimento, chegando inclusive a constituir em 1925 uma Central das Caixas Rurais, a primeira do tipo no Brasil, que posteriormente foi extinta por força governamental.
Segundo o Presidente da Sicredi Pioneira RS, Márcio Port, “o ano de 2012 será repleto de comemorações, principalmente junto aos associados das cooperativas da região em que atuamos. Além do aniversário da Sicredi Pioneira RS comemoraremos os 100 anos da fundação do Volksverein, entidade que também teve o Padre Amstad como fundador e que foi fundamental para a expansão do cooperativismo de crédito no Rio Grande do Sul. Também a Cooperativa Agropecuária Piá completará 45 anos de atividades. Em agosto/12 será realizado em Nova Petrópolis o Concred (Congresso Brasileiro das Cooperativas de Crédito): tudo isto em um ano especial, o ano em que a ONU declarou como Ano Internacional das Cooperativas“.
Saiba mais sobre o Padre Amstad e sobre a fundação da cooperativa nohttp://cooperativismodecredito.com.br/sicredi_pioneira/
Fonte: Casa Cooperativa de Nova Petrópolis

Padre Theodor Amstad, um pioneiro na construção de comunidades

July 17th, 20111 comment
Texto de José Odelso Schneider sj (PPGCS/CESCOOP/UNISINOS) falando do Padre Theodor Amstad, o fundador da Sicredi Pioneira RS, a primeira Cooperativa de Crédito da América Latina, e também de muitas outras cooperativas de crédito.
Padre Theodor Amstad
Amstad foi seguramente um relevante e criativo pioneiro na articulação e no desenvolvimento dos micro e pequenos agentes de produção rural, industrial e de serviços, especialmente em Municípios dos Vales do Rio dos Sinos e do Vale do Rio Caì. Padre Teodoro Amstad nasceu na Suíça em 09 de novembro de 1851. Veio para o nosso país em 1885, procedente da Inglaterra, onde concluiu seus estudos teológicos.
Trabalhou na região do Vale do Rio Caí de 1885 a 1905, tendo como sede a paróquia de São Sebastião do Caí; e que atendia às comunidades de São Salvador/Tupandi, Pareci Novo, Bom Princípio, Santo Inácio da Feliz, Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Cima da Serra – atual São Francisco de Paula.
Como suíço dominava também a língua italiana, o que facilitava suas visitas à Região de imigração italiana articulando-os em torno de cooperativas.
Posteriormente, de 1905 a 1923 atendia pastoralmente na região do vale do Rio Taquari , ano em que teve uma queda de cavalo, com seqüelas na coluna que o obrigaram desde então, a andar em cadeira de rodas.
Nestes 38 anos de atividades pastorais e sociais diretas, percorreu segundo depoimentos da época cerca de 80 mil km no lombo da mula (em média, cerca de 40 km por semana) . Por isso, após o acidente, em 1923 foi transferido para uma casa dos jesuítas em São Leopoldo, ali permanecendo até sua morte em 1938. Mas, com seus escritos e suas múltiples correspondências, continuou acompanhando as 13 cooperativas que havia ajudado a fundardiretamente e a própria Sociedade União Popular (Volksverein), da qual era o Secretário.
Segundo o depoimento do próprio Pe. Amstad, como auxiliar por 15 anos do pároco de Caì, percorria em média 5.000 km anuais (em torno a 96 km. semanais), desde Pareci Novo até a atual Caxias do Sul no lombo da mula, que considerando as dificuldades das estradas de então, em sua “viatura ” percorria em média uns  7 km por hora.
Como sacerdote católico, desenvolveu uma benemérita ação pastoral, manifestada em meritórias iniciativas de cunho apostólico e social, destacando-se pelo pioneirismo em diversas atividades. Teve capital importância junto com lideranças católicas e evangélicas na criação daPrimeira Associação de Agricultores do RS, em 1900 na então Santa Catarina da Feliz. Foi pioneiro também na difusão do cooperativismo, merecendo menção especial sua histórica plataforma do Movimento Cooperativo enunciada na tarde de 25 de fevereiro de 1900, quando proferiu, durante o III Congresso de Agricultores do RS, realizado na cidade de Feliz, célebre conferência, em que participaram cerca de cinco mil pessoas. Denunciou então “a dependência econômica do Brasil – a nova escravatura instalada no país – exploração dos agricultores: baixos preços pagos aos produtos agrícolas, ameaça de aumento da dívida externa; exportar mais e importar menos e apelo à União e proposta de organização (cooperativas)”. Ou segundo sua denùncia: os agricultores transferem carroçadas de produtos às cidades, donde retornam com apenas algumas bugigangas sob os braços…
Dois anos depois, com um grupo de produtores rurais familiares, funda em Linha Imperial, então Município do Caí e depois de Nova Petrópolis, a 28 de dezembro 1902, a primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina. Esta funciona ininterruptamente até hoje, já acumulando uma experiência de 109 anos a serviço dos pequenos poupadores e prestamistas, que geralmente não tem acesso aos Bancos Convencionais. Esta cooperativa pioneira, junto com outras sete cooperativas de crédito que sobreviveram às medidas oficiais promulgadas em 1966, passaram a ser as inspiradoras do modelo que com a assessoria de Mario Kruel Guimarães, em 1980 se reestruturou como o Sistema SICREDI/RS, que rapidamente se expandiu, inclusive criando um próspero Banco próprio em Porto Alegre e hoje amplamente difundido pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso Norte e São Paulo, com 1,8 milhões de associados, todos procurando ser CO-PROPRIETÁRIOS e reais PROTAGONISTAS do sistema. Em outros Estados do País atua o Sistema SICOOB , igualmente com Banco Próprio e com sede em Brasília, e também voltado ao micro e pequeno poupador e prestamista e em constante interação, até com intercâmbio e transferência de tecnologias, com o sistema SICREDI. Ambos os sistemas, mais outros sistemas de crédito cooperativado da economia solidária já são responsáveis hoje por aproximadamente de 5 milhões de associados no País. Mencione-se ainda a participação de lideranças religiosas , católicas e evangélicas, na fundação de muitas cooperativas locais, seja de crédito como também de outros ramos ou setores de atividades.

A Sociedade União Popular

A Sociedade UNIÃO POPULAR (Volksverein) fundada por Amstad em 1912, tendo depois como seu condutor o Pe. João Batista Rick, e mais a colaboração do Pe. Maximilian Von Lassberg, contribuiu para a fundação da então Colônia de Cerro Azul – hoje Cerro Largo, de Santo Cristo , ambas no RS, mais a Colônia de Porto Novo, hoje Itapiranga e São João do Oeste em Santa Catarina, como também as colônias em Puerto Rico, Capiovi e San Albertona Província de Misiones, Argentina. Além disso, a Sociedade contribuiu na Fundação do Leprosário de Itapoã, no Amparo Santa Cruz de Belém Velho que abrigava filhos de famílias leprosas e mais os Hospitais Sagrada Família de São Sebastião do Caì, de Cerro Largo e de Itapiranga. Outra meritória iniciativa da SOCIEDADE UNIAO POPULAR, foi a fundação , em Novo Hamburgo, de uma Escola para a formação de professores paroquiais procurando formar quadros competentes, para atuarem nas Escolas Paroquiais das Regiões de colonização germânica e até italiana , suprindo assim, na ausência da educação universal e pública, a relevante função educacional e cultural das comunidades, que apenas várias décadas depois passaria a ser função precípua dos poderes públicos municipais, estaduais e federal.
Passados uns bons anos e após tantos desvirtuamentos econômicos e sociais na sociedade brasileira, opera-se hoje, transcorrido um século, um salutar resgate da autenticidade do cooperativismo com base nas idéias do eminente padre, que privilegiava a cooperação e a solidariedade em substituição à concorrência e ao conflito, processos esses cada vez mais ávidos pela acumulação e concentração de bens e riquezas, próprias do sistema capitalista. Pois segundo ele, se uma grande pedra se interpõe no nosso caminho, uma só pessoa não conseguirá movê-la dali. Mas, a união e o esforço conjunto de várias pessoas, conseguirá tirá-la do caminho.
O Pe. Amstad trabalhou também e intensamente no desenvolvimento do ecumenismo. Sua ação pastoral foi repleta de espírito e fatos ecumênicos, ao tempo que nossas igrejas cristãs digladiavam-se abertamente, tendo como bandeira questões referentes às escolas e aos sacramentos. Por isso ao longo dos 12 anos que acompanhou a Associação de Agricultores (Bauerverein), de 1900 a 1912, promovia-se anualmente, em parceria entre lideranças católicas e evangélicas, padres e pastores, as Semanas Rurais, onde se estudavam e debatiam os principais problemas e desafios dos pequenos e médios agricultores da época: como preservar os solos férteis e nossas riquezas florestais, como comercializar a produção rural, sem ser explorado ou espoliado na comercialização, etc.
Por outro lado, também foi precursor dos direitos das mulheres quando em 1912 lutou de forma inovadora, pela participação feminina em associações, como na própria Associação Sociedade União Popular (Volksverein). Destacou-se na comunicação social, com a participação importante em diversas publicações. O “Skt. Paulusblatt” que ainda é mensalmente editado, teve a participação decisiva de Amstad no seu lançamento. Podemos referir ainda o “Bauernfreund”, que foi inaugurado ecumenicamente quando da fundação do Associação de Agricultores. O almanaque “Familienfreund” passou a circular posteriormente como Anuário da Família (Familien Kalender).
Também atuou como ecologista. Nessa área, foi o precursor da valorização dos compostos orgânicos para a refertilizaçao dos solos agrícolas e do ensinamento traduzido na seguinte expressão: “para cada árvore derrubada plantar, no mínimo, uma outra”, pois o cuidado com as florestas e o próprio reflorestamento eram temas obrigatórios de debate nas Semanas Rurais entre 1900 e 1912.
Padre Teodoro Amstad faleceu aos 87 anos, na noite de 08 de novembro de 1938, em São Leopoldo, deixando na esteira de sua vida muitas obras e iniciativas de relevante impacto social e comunitário, sempre propondo como condição do êxito das mesmas, o aprendizado, o protagonismo e o crescimento na solidariedade e na cooperação. Suas iniciativas de caráter benemérito estão gravadas entre nós e nos servem de exemplo e estímulo.