domingo, 30 de junho de 2013

2245 - Salão de barbeiro era lugar de homem

Antigamente, barbeiro era homem e só atendia homens
Os salões de barbeiro, até a década de 1970, atendiam exclusivamente aos homens. Mulheres só cotavam seus cabelos em cabeleireiras mulheres.
Os primeiros homens cabeleireiros foram, de modo geral, homossexuais assumidos. E foram, na verdade pioneiros, pois foram os primeiros homossexuais a expor a sua condição.
No Caí, o primeiro cabeleireiro a abrir um salão (na rua Maechal Deodoro) foi Jamil, sendo seguido, anos depois, por Renato Balcemão, com salão montado na avenida Osvaldo Aranha.
Atualmente, muitos homens cortam seus cabelos em salões de cabeleireiros gays e as babeaias exclusivamente masculinas se tornaram uma raridade.
Se o preconceito quanto aos gays diminuiu, ainda existe um certo preconceito quanto aos barbeiros héteros, pois não se vê casos de um deles que atenda, também, ao público feminino.
Com isso, o cabeleireiro gay tem vantagem na competição pelo corte de cabelo, já que ele pode atender aos dois públicos: o masculino e o feminino. Enquanto que o cabeleireiro hétero só pode atende aos homens.
A foto mostra o barbeiro Carlos Viana, no seu Salão Azul, situado na rua Ramiro Barcelos, perto da praça, em Montenegro.
Um dado interessante, que mostra uma mudança na sociedade: até quarenta anos atrás, os homens investiam mais na sua aparência do que as mulheres. Os salões de babeiro eram lojas caprichadas. Bem equipadas e, algumas delas, localizadas nos melhores pontos comerciais da cidade. As cabelereiras, via de regra, trabalhavam numa pecinha improvisada, em suas casas.

Foto do acervo de Romélio Oliveira

2244 - População aprecia os jovens que são preparados para defender a pátria

Última turma do Tiro de Guerra em Montenegro


A foto foi feita na rua Ramiro Barcelos, em frente à praça Rui Barbosa e aos prédios do Cine Goyoen e do Clube Riograndense.
A foto foi feita em 16 de dezembo de 1945 e os soldados seriam da última tuma do Tiro de Guerra fomada em Montenegro.
Até aquele ano, os jovens faziam a sua preparação militar na própria cidade. Cidades como o Caí e Montenegro treinavam seus jovens para a defesa da pátria em quatéis locais que eram chamados de Tiro de Guerra.
Depois daquele ano, os jovens passaram a ser treinados em quartéis, em cidades maiores, como São Leopoldo.
Naquela época, a eventualidade de uma guerra era algo possível e considerava-se que os homens precisavam ser preparados para ela. Na Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, pracinhas brasileiros foam enviados para lutar na Itália. E alguns não voltaram.
Hoje, felizmente, a guerra é algo quase inimaginável e nossos jovens são poupados desse tipo de preparação. Eles podem estudar para se tornarem produtivos num mundo de paz.

Foto do acervo de Romélio Oliveira

Foto do acervo de Romélio Oliveira

2243 - O charme de dona Edite. na década de 1930

Cena de cinema na estação ferroviária
Parece uma cena de cinema americano, num filme clássico de Hollywood. Mas não é. A mocinha na foto é dona Edite Souza fazendo pose quando, ainda bem jovem, descia do trem em Montenegro.

Foto do acervo de Romélio Oliveira, colaboração de 
Sandra Regina Moraes Schmitt

2242 - Manoel de Souza Moraes

Manoel de Souza Moraes ao assumir a presidência do Rotary 
Manoel de Souza Moraes foi um importante líder montenegrino. Ele foi gerente do Banco da Província em Montenegro e, ao mesmo tempo, dono de uma fábrica de bolinhas de natal, que funcionou na rua João Pessoa, ao lado da loja Mecauto.
Ele foi também presidente do Rotary Club e é a sua posse no comando dessa entidade assistencial que aparece nessa foto.

Foto do acervo de Romélio Oliveira, colaboração 
de Sandra Regina Moraes Schmitt

2241 - Estudantes nas ruas, manifesto até debaixo d'água

Mesmo com chuva, os estudantes montenegrinos mandavam sua mensagem
nos desfiles pelo centro da cidade



Os estudantes montenegrinos são unidos e organizados há bastante tempo. Essa antiga foto mostra a representação da União Montenegrina de Estudantes (UMES) paticipando de um desfile no cento da cidade. Já naquele tempo não tinha tempo ruim para os estudantes montenegrinos. A jovem que segura o estandarte (a da esquerda) é Vera Regina Moraes (hoje Schnitt) que é filha de Manoel de Souza  Moraes e dona Edite. 

Foto do acervo de Romélio Oliveira, colaboração 
de Sandra Regina Moraes Schmitt

2240 - Banda do Colégio São José

As lindas normalistas do Colégio São José desfilam
sua graça pela rua Ramiro Barcelos












A escola São José, foi fundada em 1906, por irmãs vindas da França. Era dedicada à educação das meninas montenegrinas, que foram privilegiadas pelo alto nível de educação superior ao das escolas para meninos. Em 1941, passou a oferecer curso mais avançado para suas alunas: o de alunas-mestras (escola normal) e quatro anos mais tarde o ginasial. O ginásio São João Batista, para meninos, só foi fundado em 1948.
A foto é anterior a 1956, pois ainda aparece de pé a antiga igreja evangélica, que foi destuida num incêndio ocorrido nesse ano.

Foto do acervo de Romélio Oliveira, colaboração de Sandra Regina Moraes Schmitt

2239 - A Kibon teve uma fábrica no Caí

No final da década de 1950, a indústria de picolés e sorvetes Kibon 
instalou uma fábrica de sorvetes na cidade

Na década de 1950, o Caí viveu um período de grande marasmo econômico. A fábrica de conservas Oderich foi desativada e até uma tentativa de implantação de uma fábrica de estrato de tomate havia fracassado. A cidade não tinha nenhuma indústria de porte e o porto foi, aos poucos, sendo desativado, porque os caminhões se tornaram mais eficientes que os barcos. E também porque, com a queda no fluxo de barcos no rio, a dragagem e a manutenção da barragem Rio Branco foi sendo relaxada. 
Um sopro de vida animou a cidade, quando uma nova indústria veio instalar-se nela, no ano de 1958. Nesse ano, apenas a Conservas Oderich e a Indústria e Comércio Oderich (fábrica de escovas) ofereciam número significativo de empregos na cidade. E eram poucos empregos.
E a empresa que chegou ao Caí naquele ano era uma senhora indústria:  a fábrica de picolés e sorvetes Kibon! Uma marca famosa, uma produto delicioso e que sabia se promover muito bem através de propaganda. Inclusive na TV, que chegava ao estado (em 1959) como uma grande sensação.
A Kibon já era uma empresa moderna. Avançada para os padrões da época e a sua chegada  ao Caí deu na cidade um impulso modernizador e uma esperança de que a faze negra de decadência econômica poderia estar chegando ao fim.
A implantação da fábrica caiense da Kibon coube ao engenheiro José de Lima Belem, que ficou na cidade por apenas alguns anos. Depois, a condução da empresa passou para Ismael Vanário Mistrello. O caiense Augusto Flores, que ingressou na empresa como funcionário da produção chegou a ocupar cargos de gerência. Outro caiense bastante conhecido, que trabalhou na parte administrativa da empresa foi José Carlos (Juca) Bohn, proprietário da Joalheria Brilhante.
Em 1968, a unidade da Kibon no Caí foi desativada. 
Segundo relata José Carlos Bohn, o fechamento da Kibom caiense resultou de um erro de cálculo. A Kibon pretendia comprar um novo equipamento para a produção automatizada de sorvetes. O investimento seria de 50 mil dólares. Mas um consultor fez os cálculos demonstrando que seria muito mais econômico produzir os sorvetes em São Paulo e trazer para o Sul de caminhão. A empresa decidiu, então, fechar a fábrica no Caí. Meses depois constatou, na prática, que o cálculo havia sido errado. Tentou até reabrir a fábrica, mas surgiram dificuldades que acabaram levando a empresa a manter a fabricação em São Paulo.

Foto do acervo de André Eyb

2238 - Kibon no Caí: saindo para o desfile de 7 de Setembro

Integrada à comunidade, a Kibon participava do desfile de 7 de Setembro que, 
naquela época, era um dos mais importantes eventos da cidade 
A vinda da Kibon representou muito para a pequena São Sebastião do Caí dos anos 1950 e 60. Para muitos adultos, representou a oportunidade de emprego numa grande e moderna empresa, que valorizava seus funcionários e dava a eles ótimas condições de trabalho além de excelente remuneração. A equipe fixa da Kibon era pequena, aumentando muito o número de funcionários em épocas de safra dos produtos agrícolas que eram ingredientes na receita dos sorvetes. A empresa, cujos proprietários e altos executivos eram norte-americanos, valorizavam muito os funcionários. Os permanentes ganhavam 13º e 14º salários, numa época em que nem o 13º era exigido por lei. Os funcionários que trabalhavam na safra também ganhavam ótimos salários e vantagens.
Para as crianças, os picolés da Kibon eram uma delícia incomparável. Ter essa fábrica na cidade era um sonho. Uma vez por ano os alunos das escolas faziam uma visita à fábrica, na companhia dos professores. As crianças aprendiam bastante, mas o melhor é que, ao sair, ganhavam um sorvete.
Meninos pobres costumavam ficar de alerta na beira do rio porque caixas de produtos com prazo de  validade vencido eram jogados fora no rio. Os garotos conseguiam recuperar essas caixas e faziam festa, se empanturrando com os sorvetes deliciosos que não tinham dinheiro para comprar.
Até para os meninos de famílias mais abastadas, que estudavam no Ginásio São Sebastião, valorizavam muito o sorvete que ganhavam quando a escola os levava para a visita à fábrica. Mesmo para eles era difícil comprar um sorvete Kibon. 

Foto do acervo de André Eyb

2237 - Kibon: caldeira


Mesmo sendo uma fábrica muito moderna, para a época, a Kibon era,
ainda, uma fábrica movida a lenha




















Antes da descoberta da eletricidade e dos motores elétricos, o mundo era movido a vapor. As locomotivas, que hoje são predominantemente elétricas, antigamente eram movidas a vapor. Na região, usava-se lenha que, queimada, esquentava a água dentro de uma caldeira, resultando daí o vapor, tal como acontece numa panela de pressão ou numa chaleira.
Na, Kibon, que era uma empresa muito avançada para a sua época, tinha ainda no vapor a base do seu funcionamento. A caldeira era o coração da fábrica, pois era através da energia fornecida por ele que se produzia o frio (essencial tanto na produção do sorvete ou picolé, como na produção do ovo em pó, ingrediente fundamental na receita desses produtos).

HISTÓRIA DA KIBON
A Kibon estreou seus produtos quando a geladeira ainda era coisa rara. Alimento nutritivo, sobremesa da família, diversão das crianças, pecado preferido dos adultos: da praia ao freezer de casa, a KIBON desempenha muitos papéis, em uma longa e apaixonada relação com os brasileiros. Para a marca, no Brasil é verão o ano todo e sorvete pode ser consumido em qualquer estação. Afinal, KIBON é gostoso e faz bem, há mais de 60 anos.


Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas



.

2236 - Kibon: ambulatório

A preocupação com a saúde e bem estar dos funcionários
podia ser notada no ambulatório da empresa
Além da avançada tecnologia que utilizava, a Kibom era uma empresa fora dos padrões da época também quanto à valorização que dava às pessoas. Em especial, aos seus funcionários. Exemplo disso é o ambulatório que ela mantinha na empresa, com pessoas treinadas para socorrer os colaboradores que sofressem um eventual acidente de trabalho. Essa forma evoluída de tratar as pessoas, certamente, contribuiu muito para o extraordinário sucesso que teve a empresa.
HISTÓRIA DA KIBOM
A história da KIBON começou nos anos 30, na cidade de chinesa de Xangai. Teve sua origem em uma empresa criada por um empreendedor americano chamado Ulysses Harkson. Saboroso desde o início, o negócio acabou por se tornar lucrativo já nos anos 40. Mas, com a ameaça da Segunda Guerra Mundial, e a conseqüente tensão entre Japão e China, foi inevitável a transferência da filial para fora da área de conflito. 
Que sorte a do Brasil, que acolheu a nova empresa na cidade do Rio de Janeiro em 1941, fundada por John Kent Lutey, que trabalhava para a fábrica de sorvetes na China. A empresa passou a funcionar com o nome de U.S. Harkson do Brasil.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas

2235 - Kibon: câmera fria

Fabricados a quente, os sorvetes e picolés precisavam ser transportados
e conservados no frio, o que exigia muito equipamento e tecnologia








A geração de frio, excencial para o funcionamento da fábrica era feita através da caldeira, coração da empresa. O jato de vapor obtido na caldeira acionava o equipamento que produzia o frio usado nas operações da empresa, inclusive o jato de ar, spray, que era fundamental para a produção de ovo em pó, importante matéria prima para a produção de sorvetes.
HISTÓRIA DA KIBOM
Ainda em 1942, no verão, iniciou-se a produção de dois sorvetes que seriam os campeões de venda da marca, atravessando décadas até os dias de hoje: Eskibon (um protótipo que contrariava todos os modelos até então conhecidos de sorvete: não era picolé, pois não tinha palito; e também não era servido em taças ou casquinhas. A camada de chocolate que o envolvia obrigava o respeitável público a mordê-lo para chegar ao “recheio”, o sorvete propriamente dito) e o picolé Chicabon, na época, ambos escritos com hífen.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas

2234 - Kibon: cozinha

O fogão industrial da tradicional marca Wallig era a lenha
Na bem equipa da cozinha da empresa era preparado o almoço para os funcionários. Um privilégio que poucas outras empresas da época proporcionavam aos seus funcionários. Na época, era costume os funcionários que não moravam perto da fábrica levarem comida de casa, quando iam para o trabalho. Usavam para isso um vasilhame de metal chamado marmita.
HISTÓRIA DA KIBON
Durante a década de 1940, a família de produtos Kibon cresceu. Surgiram os primeiros tijolos de sorvete, em sabores clássicos como morango e chocolate, e outros genuinamente brasileiros como coco e castanha de caju. As campanhas publicitárias incluíam extravagâncias como aviões sobrevoando as praias cariocas e lançando picolés de pára-quedas. 
Em 1949, a empresa começou a fabricar sorvetes em São Paulo, para atender ao consumo cada vez maior na Região Sudeste. Antes que a década acabasse, a marca e os produtos KIBON já eram um sucesso. 
A partir de 1951, o nome KIBON passou a integrar a assinatura da empresa e os picolés ganharam os famosos palitos de madeira. Dois anos depois, a marca foi para a televisão e patrocinou um dos episódios do “Sítio do Pica-pau Amarelo”, de Monteiro Lobato.
Com esta participação também fez história, afinal com seu nome citado no roteiro, inaugurou uma das primeiras experiências de merchandising da televisão brasileira. 
Em 1955, estreou programa próprio, a Grande Ginkana Kibon, que revelava talentos mirins da dança e da música. Em pouco tempo, a atração se converteria em líder de audiência na TV Record, permanecendo nove anos no ar. Até o fim da década de 50, mais novidades apareceram: sorvete em copinho, em lata, sundae, picolés de frutas tropicais e bolo gelado.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas

2233 - Kibon: estacionamento de bicicletas

Os funcionários contavam até com um local para guardar as suas bicicletas:
tudo muito funcional e organizado







O bom salário pago pela empresa possibilitava aos seus funcionários a compra de uma bicicleta. Não era suficiente, é claro, para a aquizição de um automóvel, que era privilégio de pouquíssimas famílas nos anos 1950 e 1960. Na empresa havia um local bem equipado para os funcionários deixarem suas bicicletas.
HISTÓRIA DA KIBON
A empresa ficou nas mãos de Lutey até 1960, quando foi vendida à General Foods, na época um grupo americano que importava café brasileiro. 
Nesse período, os programas para crianças patrocinados pela marca na televisão eram campeões de audiência. A KIBON já estava no Brasil de norte a sul. Apesar do sorvete famoso, a marca ainda produzia ovos desidratados e congelados para a indústria de alimentos, além de balas (como as coloridas Delicados, amendoim coberto com chocolate e jujubas), chicletes (o PING PONG foi lançado pela empresa em 1945), chocolates (como o Ki-Bamba, Ki-Leite, Ki-Coco, Ki-Passas, Ki-Coisa e Lingote), cereais e sucos em pó. Tudo para depender menos da sazonalidade dos sorvetes, consumidos mais no verão. Mudar os hábitos de consumo dos brasileiros seria uma longa e constante batalha, que a KIBON começaria a vencer na década seguinte.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas

2232 - Kibon: labloratório

Fabricar sorvetes e picolés e levá-los para todos os recantos do país foi 
uma empreitada e tanto, que exigiu muita teconologia: 
a fábrica do Caí contava com esse laboratório para produzir esse milagre

HISTÓRIA DA KIBOM
Por várias ocasiões a KIBON realizou promoções, como em 1962, época da Copa do Mundo, com a troca de palitos premiados por miniaturas de jogadores da seleção brasileira. Mesmo em seus primeiros tempos no Rio de Janeiro, a marca já havia produzido uma série especial de picolés - Ki Chute - para venda em estádios de futebol. A partir de 1965, os sorvetes passam a ser embalados em papel parafinado. Com a conclusão da nova fábrica no ano de 1966 era chegada à hora de repensar o visual. Remodelação de embalagens e logotipos e a implantação do conceito do sorvete como alimento nutritivo. A mecanização chegou às fábricas em 1967 com a adoção de máquinas que embalavam os produtos sem contato manual. A propaganda avisava: “Ninguém põe a mão em seu picolé. Embalagem selada”.

Fotos do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas

2231 - Kibon: ovoscopia

Na sala de ovoscopia, os ovos eram examinados, para garatir
a sua boa qualidade
Em 1972, mais uma inovação: os tradicionais palitos de madeira começam a ser substituídos pelos plastitos, de plástico flexível, coloridos e encaixáveis. Nesta época, o consumo de sorvete no Brasil estava entre os menores do mundo. Por isso, em 1975, investir na linha doméstica tornou-se palavra de ordem. O aumento de poder aquisitivo da classe média em plena euforia do “milagre econômico” ajudaria a marca a conquistar seus objetivos. Em 1976, os índices mostraram pela primeira vez vendas uniformes durante o ano, um sinal de mudança no comportamento do consumidor, que não condicionava o consumo de sorvete ao verão. A estratégia da marca era a segmentação, com muitos lançamentos, e o avanço nas vendas em supermercados, campo ainda pouco explorado. O perfil da linha familiar começou a se delinear, com composições à base de leite e na venda em supermercados das embalagens de dois litros. No ano seguinte, uma falha no fornecimento de folhas-de-flandres – matéria-prima das latas – fez a KIBON adotar o plástico, material que se tornara mais acessível. A mudança impulsionou as vendas naquele ano, com o sucesso da nova embalagem entre as donas de casa.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas

2230 - Kibon - oficina para manutenção dos veículos

A própria empresa fazia a manutenção dos veículos,
cuidando para que eles andassem sempre com aparência impecável
O trabalho da KIBON em procurar modificar os hábitos de consumo dos brasileiros estava surtindo resultados positivos já no final dos anos 70. Na década seguinte, a linha de sobremesas apresentou novas receitas de doces brasileiros para os picolés. Enquanto isso também foi desenvolvida uma sofisticada versão de sobremesas com inspiração francesa, como o tijolo Chandelle. Depois a KIBON acertou em cheio ao lançar o picolé de Tutti-Frutti e o de Brigadeiro em 1982. Ainda este ano, a KIBON associou-se à Q-Refresco e transferiu toda a sua linha de produtos secos para a empresa, como chicletes, pós para sucos e chocolates. A ação encerrou a estratégia de diversificação adotada na década anterior. A nova orientação da marca era centrar esforços na produção de sorvetes e ampliar a participação no setor de sobremesas. Foi neste período, em 1984, que surgiu, como por exemplo, o picolé Pimpão com formato de palhaço em três sabores.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas-

2229 - Kibon: pasteurização


Pasteurização é o processo que evita a deterioração do leite: 
mais um cuidado para garantir a qualidade do produto

Em 1985 a KIBON foi vendida para a Phillip Morris, empresa americana mais conhecida por seus negócios na indústria do tabaco, que pagou US$ 6 bilhões por todas as operações da General Foods no mundo. No pacote, a KIBON foi junto. Dois anos depois, a marca ganhou o slogan “É gostoso e faz bem”, que a associava ao prazer e à saúde, fortalecendo a imagem do sorvete como alimento. No final desta década, a marca estava presente com sua marca em aproximadamente 40 mil pontos-de-venda em todo o Brasil. A década de 90 chegou com investimentos em tecnologia e em produtos mais sofisticados, voltados para o consumidor adulto. A primeira iniciativa, ainda em 1990, foi o lançamento dos potes Mövenpick, marca suíça de sorvetes finos, em sabores como nozes e framboesa.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas

2228 - Kibon: refeitório

Um bom almoço era oferecido aos funcionários no refeitório da fábrica
Nas empresas da época, a norma era o funcionário levar comida de casa, 
num vasilhame de metal chamado de marmita



O sorvete tornava-se também questão de estilo de vida – um conceito tão valorizado pelo consumidor moderno quanto sabor e qualidade. Já em 1997, um negócio bilionário levou a Gessy Lever (atual Unilever) para as manchetes dos meios de comunicação com o anúncio da compra da KIBON por US$ 930 milhões. Ao adquirir a KIBON, a Unilever comprou uma marca consolidada. De cada dez picolés ou potes de sorvete vendidos em padarias e supermercados, seis eram da marca na época. Em nenhum outro país do mundo um fabricante de sorvete encontrava tamanha fidelidade no mercado. Sorvetes não eram uma novidade para a nova proprietária da KIBON. Em 1929, o fundador, William Hesketh Lever, comprara na Inglaterra sua primeira fábrica de gelados. Outras viriam – inclusive no Brasil, com a aquisição da Gelato, em 1973.

Foto do acervo de André Eyb
Texto do site Mundo das Marcas


-

2227 - Kinbon: quebragem

A quebragem dos ovos era feita manualmente, por uma equipe
especializada nessa tarefa


O ovo era ingrediente fundamental na fabricação de sorvetes e picolés. Na época não havia a produção de ovos em granjas e os ovos eram comprados dos colonos da região. Atualmente, dentro de aviários, as galinhas são condicionadas a produzir ovos durante o ano todo. Mas não era assim, naquela época. A produção se concentrava no inverno, até o mês de outubro.
Por isso a Kibon produzia ovo em pó, que podia ser utilizado o ano todo, inclusive no verão, quando o consumo de picolés e sorvetes aumentava.
A caldeira era fundamental para o funcionamento do equipamento de spray, um sopro muito forte, que era necessário para a produção do ovo em pó.
A Kibom tinha, na sua fábrica do Caí, uma equipe fixa de funcionários em torno de 40 pessoas. Na época da produção de ovos, porém, esse número aumentava para até 500 pessoas.

Foto do acervo de André Eyb


2226 - Kibon: recebimento



cc

2225 - Kibon: sala de máquinas

Na sala de máquinas era gerado o vapor, que movimentava a fábrica
Na sala de máquinas, o equipamento principal era a caldeira, que produzia o vapor necessário para a produção do spray necessário para a produção do ovo em pó e para a geração do frio, que é essencial para uma fábrica de sorvetes.

Foto do acervo de André Eyb


sábado, 29 de junho de 2013

2224 - Kibon: sala de mistura

A sala de mistura era composta de grandes "panelas" nas quais o leite 
ou a água, componentes básico dos sorvetes e picolés, era misturado 
aos demais ingredientes

Foto do acervo de André Eyb

2223 - Lanchas e gasolinas na navegação fluvial

A laranja foi uma das cargas mais transportadas por gasolina:
Porto Alegre era o principal destino
A lenha foi outro produto muito transportado pelas gasolinas
que navegavam no rio Caí













Na primeira metade do século XX, as gasolinas eram intensamente utilizadas para o transporte de cargas do Caí, Pareci e Montenegro até Porto Alegre. Como se vê nas fotos acima, a laranja e a lenha estavam entre as mercadorias mais intensamente comercializadas na capital do estado.
Mas mesmo no século XIX, os colonos, principalmente de São José do Hortêncio praticavam a navegação, no rio Caí e no seu afluente Cadeia, para levar sua produção até a cidade de Porto Alegre. Desde os tempos da Guerra dos Farrapos, e até antes, os colonos de São José do Hortêncio utilizavam barcos para levar suas mercadorias até aquela cidade. E o tráfego era bastante intenso. Tanto que durante a guerra, ocorreu um grave conflito entre os colonos que passavam pelo arroio e o Capitão Carlos Lucas, líder dos farrapos em Capela de Santana. Os colonos de Hortêncio eram simpáticos e fiéis ao imperador e, portanto, contrários à revolução dos farrapos.
Na narrativa de um colono de Hortêncio, que havia combatido contra os farroupilhas, Carlos Lucas cobrava um pedágio dos barqueiros que navegavam pelo Cadeia e, num conflito, teria matado vários colonos.
Narrando o episódio, o colono diz que Peter Ludwig, das 14 Colônias (localidade vizinha a Hortêncio) "possuía uma lancha com a qual transportava frutas até Porto Alegre."
Nessa época, a navegação pelo arroio cadeia era bem difícil. Até porque existe, entre Hortêncio e a localidade de Campestre (arroio abaixo, perto de São Sebastião do Caí e de Conceição) com alguns metros de altura. Impossível de transpor de barco. Mas os colonos ali se davam ao trabalho de transladar suas mercadorias e carregá-las a pé até adiante da cachoeira, onde deixavam outra canoa para seguir a viagem. Apesar da trabalheira, era melhor do que levar as cargas através das precaríssimas estradas da época.
Até as primeiras décadas do século XX, produtores rurais do Campestre levavam mercadorias para Porto Alegre em canoas. Mas, nessa época, eram favorecidos pelo nível mais elevado do arroio, devido ao funcionamento da Barragem Rio Branco. A barragem, além de elevar o nível do rio Caí, fazia o mesmo com o arroio Cadeia, que é afluente desse rio.

Fotos dos arquivos de Romélio Oliveira

2222 - A colônia enriquecia a vila

Pela estrada Buarque de Macedo, carroças vinham 
da Serra trazendo merrcadorisas para o porto de Montenegro
Elisa Moojen Arpini, assim descreve a situação de Montenegro no início do século XX:
"No Rio Grande do Sul, apenas Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande tinham maior importância comercial do que Montenegro.
O porto tornava-se acanhado para receber tantas embarcações. As águas do rio Caí eram singradas por embarcações dia e noite. Era uma linha constante de vapores, lanchões, lanchas e saveiros a subirem e descerem o rio, numa faina admirável.
Para o interior do estado, as viagens eram feitas a cavalo, circunstância que obrigava cada cidadão a ter a sua montaria.
Como os meios de trasnsporte da época eram precaríssimos, vinham da região serrana  - Garibaldi, Bento Gonçalves, Veranópolis, assim como de Caxias, Lagoa Vermelha e outras localidades - carretas de tração animal às centenas, através da estrada Buarque de Macedo, trazendo seus produtos para serem trocados por mercadorias adquiridas não só em Montenegro como também em Porto Alegre.
A colônia enriquecia a vila."

Foto do acervo de Adriano Alves de Oliveira

2221 - Igreja Evangélica Luterana

Alta, moderna e bonita: uma igreja digna da sua culta comunidade
A primeira igreja evangélica de Montenegro foi inaugurada em 7 de maio de 1876. Em 1906 foi construída nova igreja, bem mais ampla e bem construída, num terreno doado pelo Barão do Jacuí. Ou seja, por Francisco Pedro Buarque de Abreu, que era mais conhecido como Chico Pedro e foi, talvez, o maior estrategista da Revolução Farroupilha. 
Francisco não é tão exaltado na história do Rio Grande do Sul porque ele lutou pelo lado do Império, contra os revolucionários farroupilhas que queriam a separação do Rio Grande do Sul do restante do país. Pelos serviços prestados ao império brasileiro, ele foi agraciado com o título de Barão de do Jacuí.
Depois da revolução, terminada em 1845, Chico Pedro ainda lutou contra os uruguaios que invadiam o território gaúcho matando e roubando gado nos confrontos que ficaram conhecidos como Califórnias do Chico Pedro.
Depois dessas suas últimas peleias, Francisco Pedro passou a negociar com terras, comprando áreas de terra e as loteando para agricultores. Criou, assim, a colônia do Maratá, além de outros empreendimentos.
Em Montenegro, ele adquiriu uma área e a loteou abrindo as ruas Ramiro Barcelos, Capitão Cruz e Capitão Porfírio. Foi na Ramiro, que o Barão doou o terreno de esquina onde a comunidade ergueu a sua nova igreja, em 1906. Cinquenta anos mais tarde, essa igreja foi destruída por um incêndio e, em alguns anos, uma nova foi construída. Moderna e bonita, ela foi inaugurada em 3 de maio de 1964.

Foto do acervo de Romélio Oliveira

2220 - Como foram os primeiros anos dos colonos, em São José do Hortêncio

A atual cidade de São José do Hortêncio nasceu de um dos primeiros
 núcleos da imigração ocorrida na década de 1820, nos vales do Sinos e Caí
A publicação Livro da Família, editada em São Leopoldo, publicou precioso relato sobre a história dos colonos que primeiro se instalaram na localidade de São José do Hortêncio. Um dos núcleos pioneiros da colonização alemã no Rio Grande do Sul. A narrativa é amena, reproduzindo as palavras e comentários de um idoso que, tendo vivido a saga dos pioneiros, contava aos seus netos como foram os anos iniciais da colonização.
Nesta e nas próximas postagens, reproduzimos a tradução desse texto (já que a publicação original é em alemão) disponibilizada por Hari Klein.

Depois que o vovô esvaziou várias vezes a cuia com sua bebida preferida, continuou sua narrativa do seguinte modo: 
Vocês podem imaginar a nossa alegria em finalmente chegar à nossa nova terra Rio Grande do Sul. Visitamos todas as igrejas de Porto Alegre para dizer obrigado por termos suportado bem a longa e difícil viagem. 
Agora, como ingênuos alemães, pensávamos que íamos diretamente para tomarmos posse dos 272 Morgen (1), que cada uma das nossas famílias deveria receber. 
Achávamos que essas terras se situavam nas redondezas e que era só chegar e plantar. Mas agora iríamos conhecer o Brasil: “Paciência, alemão, você não está mais na Prússia, está no Brasil!” – Depois de passarmos mais alguns dias inativos em Porto Alegre, puseram-nos em lanchas e nos transportaram Rio dos Sinos acima, até às proximidades de onde atualmente é São Leopoldo, e onde existiam apenas umas poucas casas. 
Aquele local era chamado de “Passo”, pois ali havia uma passagem pelo Rio dos Sinos. Do “Passo” seguimos para a “Feitoria Velha”, uma estância imperial, onde os imigrantes recém-chegados eram acolhidos em galpões de madeira. 
Também o pessoal de Hunsrück, que havia chegando antes de nós, tinha passado uma temporada nesse local. Agora já tinham seguido para suas colônias, mas antes tiveram de passar um ano inteiro na Feitoria, e tudo isso apenas para aprendermos a “paciência” brasileira. 
Finalmente, depois de muito vai e vem, fomos para o Portão e para a Estância (2), onde as mulheres e crianças ficaram hospedadas com os migrantes já instalados. Ainda me lembro da Família Schreiner, junto à qual fomos hospedados. 
Os homens e rapazes seguiram para as colônias que lhes eram atribuídas. Ali derrubavam a mata e plantavam aqui e ali, voltando de tempos em tempos para visitarem suas famílias. As ferramentas principais, como machado, foice e enxada eram dadas pelo Governo, mas nunca vimos nada do gado prometido. 
Da gente chegada conosco, 55 famílias foram assentadas na atual Picada Portuguesa, que naquela época era chamada de Picada Rio Cadea (3). e também nas 14 Colônias. Antes da nossa chegada, já havia umas quinze famílias do pessoal de Hunsrück nessa picada, ou seja, na parte dianteira, perto de onde agora é a igreja. 
Por isso, a maioria de nós foi morar lá pela região do Fritzenberg, ou mesmo nas encostas dele. Depois de nós chegaram os chamados “ingleses”, ou seja, aqueles que em virtude do naufrágio haviam ficado parados na Inglaterra durante um ano. Destes, cerca de 17 famílias foram alocadas na Picada Portuguesa ou nas 14 Colônias.

1 - área equivalente a 78 hectares. O que, na Alemanha, seria uma área de terras de enorme valor
2 - os caminhos daquele tempo não eram muito diferentes dos atuais. Os colonos devem ter passado pelo atual bairro Scharlau seguido traçado semelhante ao  da atual RS-240 até a cidade de Portão, dobrando à direita e seguindo por um caminho que corresponde à atual estrada que leva à cidade de Portão.
3 - Arroio Cadeia

Texto traduzido do alemão disponibilizado por Hari Klein
Foto do acervo de Jacson Hartmann

2219 - Abandonados no meio da floresta

Os colonos, tiveram de superar muitas barreiras até terem
casas confortáveis como essa

Carlos: “Vovô, naquele tempo, quando vocês chegaram aqui, já existia a igreja e o Padre Blees, que sempre me chama de seu Tocaio (1)?”
Vovô: “Aí, Carlos, você acertou de novo! Onde estaria a igreja, onde estaria o Padre Blees? Tudo o que os novos colonos haviam derrubado ainda não tinha o tamanho da nossa roça de agora. Ninguém de nós sabia nada de nada ou como deveria ser lavrada a terra. Derrubamos um eito de mata, se for muito, uma quarta (2), na qual plantamos milho. Picamos todos os galhos e troncos, amontoamos tudo, esperando secar para por fogo. Queimar a mata, como se faz hoje em dia, não era conosco, pois sempre pensávamos que o fogo continuaria floresta adentro e queimaria tudo. Rolávamos os troncos mais grossos para os lados e quando havia um curso d'água, empurrávamos os troncos para dentro dele. 
Depois nos pusemos a desenterrar as raízes, porque nós alemães achávamos que entre tantos tocos e raízes não se podia fazer nada. Na hora de plantar, então, acho que fazíamos tudo mais errado ainda. 
O milho plantávamos apenas um grão em cada cova. Os cereais e o trigo, dos quais plantamos uma boa porção, pela simples razão de que queríamos voltar a comer pão à moda alemã, plantamos muito junto, do mesmo modo como fazíamos na Alemanha, tendo como consequência uma colheita ruim. 
E as nossas construções, então. Não ficaram muito melhores que nossa plantação. Quatro estacas de madeira nos cantos, trançados de cipós e arremates de barro nas paredes, uns buracos nas paredes à moda de janelas, uma cobertura de capim seco e nosso primeiro rancho estava pronto. Pregos não existiam. À moda brasileira, portas e janelas, vigas e caibros eram fixados com “embiras” (3).
Os caixotes trazidas da Alemanha viraram mesa e bancos, e as poucas coisas trazidas de além-mar eram todo o equipamento doméstico disponível. A comida também estava de acordo com esse cenário: milho triturado em moinhos manuais e cozido em água com um purê de abóbra (abóbora). Essa era a nossa comida cotidiana dos primeiros tempos. 
Nós crianças, quando rezávamos o “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, recordávamos com saudades do excelente pão da terra do Mosel, do outro lado do mar, e nosso pai certamente teria trocado os 272 Morgen de floresta pelos 20 ou 25 Morgen da linda terra arável que possuía na velha pátria. Mas agora era tarde para lamentar e nós nos vimos obrigados a transformar a necessidade em virtude, como diz o alemão. Então, minhas crianças, que hoje correm soltas em nossas picadas abertas e que moram numa bela casa confortável, têm o que comer e o que beber à vontade, vocês nem conseguem imaginar como era a vida daqueles pobres abandonados à sua própria sorte em meio à floresta.

1 - tocaio é o mesmo que xará. Ou seja, homônimo
2 - deve ser mais ou menos um hectare (10.000 metros quadrados)
3 - fibra de alguma árvore, usada para amarrar

Texto traduzido do alemão, diponibilizado por Hari Klein
Foto do acervo de Moacir Johann

sexta-feira, 28 de junho de 2013

2218 - A deterioração dos costumes

A cultura européia foi implantada no meio da floresta, no vale do arroio Cadeia




O vovô, no fim do século XIX, reclamava da frivolidade imperante naquela época, se comparado com o espírito austero e ao fervor religioso dos seus antepassados.

Maria: “Mas Vovô, naquela época as gurias não eram enfeitadas também com fitas de seda aos domingos, igual a Leninha do vizinho, e não tinham todos esses adereços e vestidinhos de mangas fofas, com as que eu vi na Páscoa lá na Picada?
Ana Catarina: “E os cabelos eriçados, Vovô, as cabeleiras e os rabos de cavalo, também já eram moda naqueles tempos?”
Vovô: “Suas crianças ingênuas e bobinhas, até parece que vocês gostam dessas novidades. Não, graças a Deus naquele tempo não existiam aquelas modistas com formação acadêmica, que desfiguravam as pessoas, criadas à semelhança de Deus. O mesmo vestuário liso e simples, trazido da Alemanha, serviu ainda por muitos anos como roupa domingueira. Todas as roupas novas eram costuradas pela mãe de acordo com os velhos moldes alemães. Se uma filha de colonos tivesse se apresentado com essa roupagem carnavalesca na moda de agora, certamente teria sido vítima de caçoadas. 
E as damas com cabelos enrolados, coques empolados e com outras modas esquisitas teriam se enroscado no primeiro galho, tal como o Absalão do Antigo Testamento. E o nosso primeiro padre, o Padre Johann, não teria nem olhado para elas. Às vezes ouço ainda hoje a prédica sobre os cabelos longos e as ideias curtas, que ele proferiu quando algumas moças ousaram ir à igreja sem o véu na cabeça.
Vejam, crianças, mesmo que nós colonos não conseguíamos representar muita coisa naqueles tempos, com os homens se apresentando em calças e camisas de mescla e as mulheres em vestidos simples de chita, talvez tenhamos celebrado o domingo muito melhor do que hoje muitos jovens, entre os quais muitos guris, ao invés de irem à igreja, vão caçar, e as gurias, ao invés de irem à igreja rezar, vão até lá para desfilar a última moda. 
Olhem, nos primeiros tempos sempre nos mantivemos unidos e isso foi muito bom, pois isso e também a religião nos manteve vivos, rogando sobre nós as bênçãos e a proteção do nosso Deus. Nunca trabalhamos nos domingos e dias santos. Nem mesmo no tempo da colheita do feijão, do qual não plantávamos muitos sacos, e nem mesmo muitas quartas; no máximo a quantidade que cabia numas xícaras.

Texto traduzido do alemão disponibilizado por Hari Klein
Foto do acervo de Moacir Johann



2217 - Tempos difíceis para os colonos pioneiros


Lindolfo Collor, a antiga Picada 48, ainda guarda muito daquilo
que foi construído pelos antigos colonos





Carlos: “Ora, Vovô, se o Padre Blees ainda não tinha vindo, quem é que servia na igreja nova?"
Vovô: “Pois é, Carlos, naqueles tempos uma missa era raridade. Muitos piás e muitas gurias da idade de vocês nunca haviam assistido a uma missa. Uma ou duas vezes ao ano vinha um vigário brasileiro, lá de Sant’Anna (1). Geralmente havia uma dúzia de crianças para batizar. Uma vez havia 25 crianças, dos quais 13 piás e 12 gurias. Sempre tinha também 3 a 4 pares de noivos para serem casados. A maioria dos adultos praticava os Sacramentos, ao menos no período da Páscoa. Para se confessar era a coisa mais simples, pois o padre, através do intérprete, que durante muito tempo foi o Mathias Martini, mandou que aqueles que quisessem exercitar o Santo Sacramento da Penitência, se ajoelhassem e anunciassem arrependimento e propósito de melhora. Feito isto, o intérprete anunciava o perdão e a penitência, seguindo-se a absolvição anunciada pelo padre. Na missa seguinte podiam comungar.
            Por outro lado, as 14 Colônias (2)  fizeram seus primeiros ofícios no cemitério, debaixo de uma árvore. No ano de 1844 construíram sua primeira capelinha. Nikolaus Feltens e Jakob Ludwig fizeram o serviço de carpintaria. Mesmo que naquela época pouca coisa conseguíamos fazer pela igreja, desde o início tudo o que fizemos foi de coração e com todas as forças de que dispúnhamos. 
Já naquela época, os pais de família tinham a especial preocupação de que seus filhos aprendessem a ler e escrever. Já naqueles tempos, as aulas na Picada eram ministradas por Birnfeld, mas as aulas eram nas casas e ele ia trocando de casa a cada semana. 
Nas 14 Colônias, as primeiras aulas foram dadas pelo Hans Adam Klein: No entanto, nessa escola havia uns moleques esquisitos como alunos. Havia dois ou três que já tinham uns 16 ou 17 anos e que vinham da picada do outro lado. Eles traziam suas espingardas e cães de caça e durante o trajeto abatiam muitos bichos para o assado do almoço. 
 Vejam, crianças, naqueles tempos piás grandes não tinham vergonha de ir à escola, porque percebiam a utilidade de se aprender algo na juventude. E agora, aos 12 anos, quando terminam o período escolar, as crianças acham que quase é um vergonha pegarem um livro em suas mãos. Na Picada Nova também instalaram logo uma escola, dirigida inicialmente pelo Hammes, no que foi sucedido pelo Stephan Karling.
            Desse modo, crianças, mesmo com todas as dificuldades por que passávamos, rapidamente conseguimos melhorar um pouco de situação, pois já tínhamos igreja e escola e também havíamos conseguido algum gado. De modo que, aos domingos e dias santos, podíamos consumir alguma carne. Ao invés de bobó de abóbora tínhamos batatas e no lugar de mingau de quirera de milho tínhamos pão autêntico. Encontramos também uma maneira bem sucedida de fazermos nossas plantações e logo teríamos tido algum progresso se não tivéssemos sido atrapalhados, primeiro pelos bugres e depois pelo farrapos."

1 - Capela de Santana
2 - Atual cidade de Lindolfo Collor


Texto traduzido do alemão, disponibilizado por Hari Klein
Foto do acervo de Moacir Johann