quinta-feira, 29 de março de 2018

5351 - Alto Feliz, história oficial

Até o final da década de 1950, Alto Feliz fazia parte do município
de São Sebastião do Caí assim como Feliz. Em 1959 Feliz emancipou-se
e passou a pertencer ao município de Feliz


Por volta do ano de 1846, cerca de 50 famílias de imigrantes alemães iniciaram a colonização da localidade chamada Batatenberg, o Morro das Batatas, hoje uma das localidades de Alto Feliz. 

Os colonizadores enfrentaram muitas adversidades, tendo que desbravar matas, construir picadas e erguer o povoado com o olhar firme no futuro. Assim, estabeleceram-se como proprietários de terras, visto a abundância de áreas de solo fértil, aliada a condições climáticas ideais à agricultura.

Os imigrantes italianos chegaram por volta de 1875, através da velha linha colonial traçada nas matas da Encosta da Serra. Com o mesmo ímpeto, eles somaram seus esforços para promover o crescimento de Alto Feliz.

Por volta de 1900, foi construída a estrada Júlio de Castilhos, única via de acesso entre Porto Alegre e a região norte do Estado. A povoação, antes localizada no Morro das Batatas, foi se concentrando ao longo da Rodovia, assim deslocando o centro econômico-social.

Assim, após os primórdios coloniais, a história segue se construindo. Surgem pessoas que vão marcando sua trajetória e desenhando a estrutura necessária para que, em 1992, Alto Feliz se tornasse Município.

Até 1992, Alto Feliz pertencia à cidade de Feliz. Juntamente com ela, os municípios Linha Nova e Vale Real também se desmembraram do território felizense. A justificativa apresentada para a independência política nos três casos, não se difere dos argumentos de outros territórios que obtiveram êxito nesse processo: o difícil acesso a atendimentos de saúde, escolas e a conservação de estradas estava causando êxodo rural e a perda considerável de moradores interessados em plantar o desenvolvimento do local.

Em 10 de novembro de 1991, 1.592 eleitores compareceram às urnas para votar pela primeira vez por Alto Feliz: era realizada nessa data a consulta plebiscitária para emancipação. Uma maioria significativa de 1.134 votantes se declarou favorável à emancipação. E, ela de fato aconteceu no dia 20 de março de 1992.

Em outubro do mesmo ano, ocorreu a primeira eleição municipal, que deu a Paulo Mertins o título de primeiro prefeito, com Darci Baumgarten como vice. 

‘A solenidade teve início às dezenove horas e quarenta e cinco minutos, na Sociedade Recreativa e Cultural de Alto feliz, com uma cerimônia religiosa presidida pelo Reverendíssimo Sr. Pastor Ingobert Karl Niewohner, que invocou as bênçãos de Deus sobre o nosso município. [...] a festa, porém, continuou com um animado baile, como um tributo à alegria de todos os presentes’, descreve um trecho do registro histórico, datado de 1993.

Segundo o censo demográfico de 199 a localidade, contava com 2.789 moradores. Um número que que não pode ser confirmado devido ao recorte do território após a emancipação.

 Texto extraído do site da Prefeitura Municipal de Alto Feliz


quarta-feira, 21 de março de 2018

5350 - A possse de terras do Vale do Caí no início do século XIX

A sede da antiga Fazenda Pareci situava-se na atual localidade 
de Pareci Velho, pertencente hoje ao município de São Sebastião do Caí


P0r volta de 1800, a província de  São Pedro do Rio Grande (área correspondente à do atual estado do Rio Grande do Sul) era dividida em grandes fazendas. 
Militares que serviram ao governo imperial de Portugal nos confrontos contra os castelhanos argentinos e uruguaios, eram premiados pelo imperador português com a posse de grandes fazendas em terras ainda sem dono. 
Desta forma, o império português ia consolidando a posse das terras que, pelo Tratado de Tordesilhas (firmado entre os reinos de Espanha e Portugal em 1494, com a benção do Papa) haviam sido declaradas como pertencendo à Espanha.
No Vale do rio Caí, por essa época, surgiu a fazenda Pareci, que fazia divisa, pela parte oeste, com terras de Francisco Ivo; pelo leste, com as do sargento José d’Azevedo e as do tenente-coronel Manuel Alves Guimarães e, pelo norte, com o arroio Cadeia.
Essas terras situavam-se, então, entre Maratá e São Sebastião do Caí, em ambos os lados do arroio São Salvador, e tinham uma extensão de 3 a 4 léguas quadradas. 

O nome Pareci vem de um índio do Mato Grosso que mudou-se para a região quando tinha entre 9 e 10 anos e era descendente das tribos dos Parecis.
Quando adulto recebeu terras que ganharam o nome de Fazenda Pareci e situavam-se tanto no lado esquerdo do rio Caí (na localidade de Pareci Velho, hoje pertencente ao município de São Sebastião do Caí), como no lado esquerdo do rio, onde hoje se encontra o município de Pareci Novo. 
No lado direito do rio as terras da Fazenda Pareci foram expandidas para o norte e abrangiam o que são hoje os municípios de Harmonia, Tupandi, Bom Princípio e São Vendelino.



segunda-feira, 19 de março de 2018

5349 - O amor de Pio e Bere transformado em livro


Pio e Bere: um amor de 624 páginas

O técnico em eletrônica e comunicador Pio Rambo lança livro que conta a história do seu amor pela falecida esposa


Maria Berenice e Pio formaram um casal inseparável
O harmoniense Pio Rambo é muito conhecido no Caí. Ele trabalha, há décadas, como técnico em eletrônica, consertando televisores.

Mas, além de se dedicar a essa profissão já tradicional, ele desenvolveu outra atividade que pouca gente pensava existir: a gravação de locuções. Pio grava desde propagandas para a Rádio Comunitária Caiense e para carros de som, até locuções para programas de TV.

O seu trabalho nessa área é muito qualificado e hoje, quem o conhece frequentemente reconhece a sua voz nas mais diversas ocasiões. 

Até mesmo viajando de avião, os caienses ouvem a voz dele solicitando aos passageiros que apertem os cintos de segurança.

Pio é, sem dúvida, um homem de ideias ousadas e de muitos talentos. Na juventude foi músico e cantor em bandas de baile. Ele também é um dos maiores especialistas no Hunsrückisch, a variação do idioma alemão que é falada no Brasil.

Agora ele se destaca numa nova atividade: a de escritor.

Não é de hoje que ele escreve. Quem quiser conhecer mais o seu trabalho nessa área pode encontrar vários dos seus ótimos escritos escrevendo o seu nome na busca do blog Histórias do Vale do Caí.

Mas agora Pio surpreende mais uma vez com o lançamento de um livro. Mas, sendo dele, não poderia ser um livro comum.

Com o nome de Bere, minha Vidinha, a obra surpreende pelo seu tamanho: tem 624 páginas.

Pio é viúvo. Sua esposa Maria Bernice, morreu em 24 de setembro de 2013. Como para Pio Rambo tudo parece incomum, também a forma dele reagir à perda da esposa não poderia ser igual a de outros maridos que passam por essa triste experiência.

Através das redes sociais ele expressou das mais diversas formas o sentimento por essa enorme perda e, desde então ele vinha preparando a edição de um livro dedicado à sua esposa.

A sua grande homenagem a Berenice tem 624 páginas repletas de lembranças dos momentos vividos pelo casal.

Muito bem escrito, como todos os seus textos, o livro retrata não apenas a vida do casal. Com a sua narrativa agradável, Pio narra momentos importantes, como o dia em que ele conheceu a futura esposa ou o trauma que foi, para o casal, a invasão da sua casa por uma grande enchente do rio Caí.

Com isso, a obra não retrata apenas a vida de um casal. Diz muito da vida de todo ser humano e particularidades da vida do povo da região.

Conectado com o mundo, Pio mandou imprimir o livro em Portugal e já recebeu alguns exemplares, que ficaram muito bons. Em breve receberá os demais exemplares, que poderão ser adquiridos por quem tiver interesse em conhecer a emocionante história desse grande e trágico romance acontecido no Caí.

Matéria publicada no jornal Fato Novo

domingo, 18 de março de 2018

5348 - O antigo Salão Hilgert, em Harmonia

Harmonia antes da sua emancipação, ainda um distrito de Montenegro. 
An0 aproximado da foto: 1973.
Na foto aparecem, do lado direito da rua, dois grandes prédios: o primeiro 
é o Salão Fink e o segundo o Salão Hilgert, depois transformado 
na Sociedade Cultural e Beneficente Harmonia,
Vivi toda a minha infância e cresci em Harmonia, cidade que fica do lado do Caí. Quando eu era pequeno, a cidade ainda era vila, pertencia a Montenegro e a vida era muito simples e tranquila. No verão, dormíamos de janelas abertas para a brisa amainar o mormaço, já que na época ventiladores eram artigos de luxo, para poucos abastados.
Na vila então, tinha uma estação rodoviária, onde os ônibus paravam para trocar passageiros e para ajustar o horário de acordo com seu itinerário. A rodoviária era administrada pela família Hilgert e destes tempos tenho maravilhosas lembranças. Carlos e Hilda sassaricavam o dia inteiro por dentro do enorme salão para atenderem devidamente a clientela. O atendimento de bar era feito numa ilha situada quase no meio do salão, o que dava um charme a mais, pois os clientes podiam circundar aquele espaço de balcóes e assim cabiam muitas pessoas ali.
Dona Hilda ficava na cozinha preparando quitutes, frituras, almoços, enfim, o que a clientela pedia. A cozinha para a época já era moderna, pois todos podiam ver o movimento e o trabalho das cozinheiras e ter uma noção da higiene no preparo dos alimentos.
Fora o movimento dos passageiros dos ônibus, haviam diversas mesas espalhadas no salão onde sentavam as pessoas da vila para um jogo de cartas, um traguinho entre amigos, namorados para ficarem mais pertinhos do que em casa, enfim, uma mistura de finalidades, mas que o lugar propiciava.
Chegou o dia em que o movimento ficou tão grande, que Carlos se obrigou a contratar um funcionário. Contratou meu irmão. E o trabalho fluía com ele correndo entre as mesas ajudando a servir todos com o máximo de ligeireza.
Carlos era uma pessoa metódica, tinha ideias próprias para muitas soluções de coisas que atrapalhavam as atividades, e assim chegou até a criar algumas máquinas. E, sendo assim, também tinha diversos conceitos e defendia muitas ideias. E ele não se poupava em falar ou repreender alguém onde visse esta pessoa fazendo algo de errado.
Certo domingo de tardezinha, salão lotado de frequentadores, todos sendo atendidos na correria por Carlos e meu irmão, quando de repente, alguém chamou de uma mesa num canto. Meu irmão prontamente foi até lá, atendeu o pedido e veio até a ilha-bar preparar o pedido. Do lado dele, Carlos estava preparando outro pedido. Quando ele viu que meu irmão estava enchendo um copo tipo martelinho só de Underberg (licor amargo de ervas), que normalmente misturavam com cachaça, colocando só um golinho, ele perguntou:
- Clóvis, quem fez este pedido de Underberg puro?
Meu irmão mostrou o cliente que fizera o pedido. Carlos foi até ele junto com meu irmão e quando ele pôs o copo na frente do cliente, Carlos disse:
- Olha, sabia que este Underberg é muito forte para tomar puro?
O cliente respondeu:
- Não é tão forte assim. - Carlos, colocando a mão na cintura disse:
- Ele é tão forte tomado puro que tira todas as curvas de teus intestinos, e se facilitar, vai te fazer cagar o próprio rabo. Abre o olho!


Texto e foto de Pio Rambo

5347 - Sobre o edifício Ely

                   O edifício Ely, do empresário caiense Nicolau Ely, foi contruído há 
                   um século e ainda é uma das mais admiradas obras arquitetônicas 
                   de Porto Alegre.



    “O Edifício Ely, atual Tumelero, é um prédio histórico, localizado na cidade de Porto Alegre na rua Conceição nº 283, próximo à rodoviária, foi projetado e construído entre 1922 e 1923 pelo arquiteto alemão-brasileiro Theodor Wiederspahn, para ser uma loja do comerciante Nicolau Ely. Este monumento de arquitetura é considerado patrimônio cultural e um ponto turístico da cidade.
    Construído em alvenaria em estilo neo-renascentista alemão, possui 8 mil m², distribuídos em 4 andares, e 3.220 m² de fachada, decorada com abundância de janelas altas e estreitas com delicadas esquadrias, balaustradas, cúpulas, ornamentos, estatuária e grades em ferro forjado, destacando-se um belo frontão com volutas, sendo internamente simples e despojado.
    ”O prédio foi construído pelo empresário Nicolau Ely, filho da numerosa e próspera família Ely esabelecida em São Sebastião do Caí. Ele mudou-se, ainda jovem, para Porto Alegre, onde prosperou notavelmente. Deixou um legado importante para a arquitetura da capital gaúcha: o edifício Ely, hoje transformado em loja da rede Tumelero e muito bem preservada tornou-se atração turística.

Os dois primeiros parágrafos são de autoria de Victória Calil

5346 - Criação de porcos na Picada Winter

No início da sua colonização, Bom Princípio foi conhecida  como Picada 
Winter, devido ao nome do empreendedor que loteou a área e vendeu lotes 
para colonos vindos, principalmente, de São José do Hortêncio.

Fernando Albrecht é jornalista, natural de São Vendelino. Ele trabalha no Jornal do Comércio, em Porto Alegre. Veículo no qual mantém, há muitos anos, a coluna Começo de Conversa. A foto reproduzida na coluna é do acervo de Felipe Kuhn Braun, notável pesquisador e escritor, especialista na imigração alemã no Rio Grande do Sul. 
Picada Winter é o o nome pelo qual Bom Principio foi popularmente conhecida, no início da sua colonização.

Imagem do acervo de Felipe Kuhn Braun

sábado, 17 de março de 2018

5345 - Georg Heinrich Ritter do armazém em Linha Nova à indústria da cerveja no estado

Georg Heinrich Ritter foi comerciante e líder da colonização
alemã em Linha Nova
Georg Heinrich Ritter nasceu a 10 de março de 1823 em Kempfeld, na Renânia, era filho de Johann Heinrich Ritter e Caroline Juliane Roth, que imigraram para o Brasil e se instalaram na Linha Nova. Na Alemanha, aprendeu com o seu tio Roth, residente na Francônia, a arte de fazer cerveja, conhecimento que trouxe do velho mundo quando emigrou com os pais e irmãos em 1846. Casou-se no dia 28 de fevereiro de 1847, com Elisabeth Fuchs (que conheceu na viagem para o Brasil). Ela nasceu no dia 10 de janeiro de 1827, em Niederlinxweiler, e faleceu no dia 26 de junho de 1868, na Linha Nova.  
Elisabeth era filha de Georg Jakob Fuchs, (um dos adeptos mais fervorosos dos Mucker), e de Maria Noé. Ritter teve nove filhos com Elisabeth. Como ela faleceu jovem, Georg casou-se novamente no dia 27 de abril de 1869, em Linha Nova, com Maria Margarethe Konrad, nascida no dia 5 de janeiro de 1828, em Alt Simmern, falecida no dia 20 de março de 1913, em São Sebastião do Caí, viúva de seu irmão Friedrich Ritter, falecido prematuramente, com a qual teve mais dois filhos.  
Maria Margarethe trouxe do seu primeiro casamento, quatro filhos, ficando sob os cuidados deles, um total de 15 filhos. Os filhos do primeiro casamento de Maria Margarethe: 1. Maria Christine Ritter, casada com Peter Haas; 2. Elisabeth Ritter, casada em primeiras núpcias com Wilhelm Becker e em segundas, com Bernhard Sasse; 3.  Friedrich Ritter II, casado com Emma Kratz; 4. Susanne Maria Ritter, nascida no dia 02 de maio de 1862, falecida no dia 23 de setembro de 1940, casada com o Austríaco Anton Klinger, de Kittlitz-Falkenau na Bohemia, mãe do famoso general brasileiro, Berthold Klinger, que destacou-se na vida militar e nos campos de batalha contra a ditadura Vargas em 1932.  
Nos anos iniciais, Georg Heinrich Ritter foi agricultor em Linha Nova, e depois de alguns anos abriu a primeira casa comercial da localidade, ali funcionava a venda e um salão de baile. A residência da família (especialmente os dormitórios) ficava no andar superior. Georg acolheu em sua residência o Pastor Heinrich Wilhelm Hunsche assim que este chegou da Alemanha. O missionário religioso, não tinha onde ficar nos meses iniciais de seu trabalho nas localidades de Linha Nova, Nova Petrópolis e São José do Hortêncio, nas quais ele atendia.
O Pastor morou três anos com Georg, que virou um líder local, se tornou tesoureiro e presidente da Comunidade Evangélica de Linha Nova. Ritter também foi fundador da primeira fábrica de cerveja no Rio Grande do Sul, sendo considerado o pai da cerveja no sul do Brasil. Foi no sótão de sua casa em 1868 que ele iniciou seus trabalhos como cervejeiro, aplicando os conhecimentos que havia adquirido anos antes com seus familiares na Alemanha. 
A cerveja dos Ritter fez muito sucesso na localidade e na região. Anos mais tarde Georg regressou para a Alemanha para morar, deixando suas propriedades na Linha Nova aos cuidados dos filhos. Isso foi em 1883 quando ele tinha 61 anos. Com sua segunda esposa e seus quatro filhos menores, Ritter morou alguns anos em sua pátria, na cidade de Darmstadt.  A saudade lhe fez retornar e em 1889, três dias antes de completar 67 anos, Ritter faleceu na Linha Nova. 
Ritter foi um dos fundadores da localidade, líder religioso e político, cervejeiro e comerciante.

Matéria publicada no site BrasilAlemanha e foto do blog Memória do Povo Alemão

quinta-feira, 15 de março de 2018

5344 - História oficial de São Vendelino

A antiga casa canônica foi transformada em sede da prefeitura


No dia seis de fevereiro de 1855, o vice-cônsul francês, Conde Paulo Montravel, 
conseguiu a concessão do governo Imperial e comprou uma área de 16 léguas, situada no 
Forromeco Superior. Teria o prazo de cinco anos para colonizá-la. Enfrentando 
dificuldades financeiras, Montravel instituiu uma empresa colonizadora, juntamente com 
três sócios, Dr. Israel Soares de Barcelos, Dr. Dionísio de Oliveira Silveiro e João Coelho 
Barreto. A área de 16 léguas foi denominada de Colônia Santa Maria da Soledade, e foi 
dividida entre seus sócios. Cada lote recebeu a denominação de um dos sócios, sendo 
o Distrito Barcelos a atual São Vendelino, o centro da colônia. Portanto, o município de 
São Vendelino possui uma história muito mais antiga que muitos outros municípios da 
encosta do planalto, uma vez que sua ocupação é decorrente do segundo período de 
colonização alemã no Estado, iniciado a partir da segunda metade do século XIX.
Na atualidade, os municípios de São Vendelino e de Barão (Linha General Neto) e uma 
parte mais ao sul de Carlos Barbosa (Santa Clara, Santa Luíza e Santo Antônio do 
Forromeco) comporiam a colônia fundada por Montravel. Os primeiros habitantes de 
São Vendelino, segundo José Cândido de Campos Netto, em seu livro "Montenegro", 
editado em 1924, são os seguintes nomes: João Felipe Scheid, Antônio Kossmann, Antônio 
Ludwig, Nicolau Lermann e Nicolau Neis.
Registros assinalam que, em 1859, havia 1240 pessoas, perfazendo um total de 263 
famílias estabelecidas na Colônia Santa Maria da Soledade. Estes tinham as seguintes 
nacionalidades: 904 alemães, 81 brasileiros, 201 holandeses, 40 suíços, 13 belgas e 1 francês.
Destes, 622 eram católicos e 618 protestantes. Convém destacar que o plano inicial da 
empresa era que somente suíços seriam utilizados na colonização da região, o que 
demonstra que o plano inicial de Montravel acabou não se concretizando. A nova colônia 
era um mosaico de etnias.
Mas estas terras não eram totalmente desabitadas antes da chegada dos colonos. 
O território já se encontrava habitado por portugueses, uma vez que aparecem como donos 
de lotes nomes lusos. Além destes, havia os índios. Sentindo-se ameaçados devido à 
invasão de suas terras, os índios cainguangues, ou "bugres", como eram chamados pelos 
alemães, atacavam os lotes, destruindo as plantações, saqueando e matando os 
colonos. Um dos relatos mais impressionantes foi o ataque que aconteceu à família de 
Lamberto Versteg , por volta do ano de 1868. Eram moradores do lote nº 16 do Distrito
Coelho, à margem direita do Forromeco, uma área bastante acidentada. Na ausência do pai 
Lamberto, a esposa Valfrida e os filhos Jacó e Lucila foram atacados pelos bugres. 
Destruída a propriedade, a esposa e os filhos foram seqüestrados. De São Vendelino, 
partem os alemães em busca dos índios e da família de Lamberto, sem, no entanto, 
alcançarem o grupo. Apenas Jacó sobreviveu. Decorridos quase dez anos é que pai e filho 
irão se encontrar.
A falta de estradas para o transporte de mercadorias foi um dos fatores que dificultaram a 
fixação do imigrante à nova terra, a sua sobrevivência e principalmente o desenvolvimento 
econômico da colônia, uma vez que não pôde ocorrer uma produção em maior escala.
Em 1861, as dificuldades começam a ser superadas e São Vendelino se destaca quanto ao 
seu desenvolvimento. 
Torna-se a sede da primeira paróquia da região. Estavam estabelecidas 1387 pessoas, o 
equivalente a 291 famílias. Na época, a colônia contava com seis armazéns e outros 
estabelecimentos menores, um moinho em funcionamento e mais outro em construção, 
um ferreiro, um fabricante de cerveja , um charuteiro, um tecelão, um seleiro, dois 
marceneiros, três alfaiates, quatro sapateiros, cinco pedreiros, um tanoeiro e um funileiro.
Devido às dificuldades de ordem financeira, no ano de 1873, o governo imperial rescinde 
o convênio com a empresa colonizadora e a colônia é incorporada ao Império. Em 18 de 
janeiro de 1877, pelo decreto nº 6480, a Colônia Santa Maria da Soledade é emancipada 
 do regime colonial. Nesta época, o Distrito Barcellos passa a chamar-se de São Vendelino, 
devido à forte devoção 
que os imigrantes alemães católicos tinham ao Santo e pelo fato de diversos imigrantes 
terem vindo da cidade de "Sankt Wendel", no Estado de Saarland, na Alemanha.
Em 1879, São Vendelino deixou de ser freguesia e passou a capela curada de Bom 
Princípio. No ano de 1883, por ato municipal de Montenegro, é novamente elevada á 
freguesia e criado o distrito de São Vendelino.
Quanto a sua história política administrativa ao longo do século XX temos:
1953: através de consulta plebiscitária os moradores decidem anexar-se a São Sebastião 
do Caí; 1982: com a criação do município de Bom Princípio, São Vendelino é incluído neste 
novo município; 29/04/1988: emancipou-se de Bom Princípio através de um plebiscito; 
16/04/1989: primeira eleição.
São Vendelino e Sankt Wendel (Alemanha) - Cidades Irmãs
O município de São Vendelino tem sua população formada predominantemente por 
imigrantes alemães que com uma farta bagagem cultural, aqui se estabeleceram à 
aproximadamente 150 anos. Quem foram os primeiros imigrantes? Quando e de onde 
vieram? Aonde se estabeleceram? Estas são algumas das questões que sempre mais tem 
despertado o interesse de nossa população.Desde a primeira Administração Municipal, 
sempre se buscou incentivar trabalhos e ações que visassem resgatar e preservar 
dados históricos relacionados à imigração alemã no Brasil, e em especial, em São Vendelino.
Desde 1990 a administração municipal mantém contatos com a administração e 
moradores da cidade alemã de Sankt Wendel, no Estado do Saarland, na Alemanha. 
Com uma longa trajetória de pesquisa e com a comprovação através de informações de real 
valor sobre a imigração para o Brasil, que comprovam originar-se nossos antepassados da 
região do Saarland, podemos assegurar que existem profundos laços históricos e culturais 
que unem estas duas cidades, a começar pelo nome dado ao nosso município, em 
função da forte devoção que os imigrantes alemães tinham ao São Vendelino e pelo fato 
de diversos imigrantes terem vindo da região de Sankt Wendel (São Vendelino) / Alemanha.
Como resultado deste elo de interesses entre ambas as cidades podemos destacar a ida 
de 20 jovens estagiários para região de Sankt Wendel desde 1992; vinda anual de grupos
 de turistas daquela cidade para o RS e ida de moradores de São Vendelino para lá; 
apresentação de banda alemã em 
nossa festa maior, o Kerbfest; apresentações de grupos de dança vindos de várias regiões 
da Alemanha; vinda de grupo de prefeitos da Alemanha para São Vendelino; ida de 
grupos esportivos buscando integração 
esportiva e conhecimento da região e seus moradores; inclusão da disciplina de alemão nas 
escolas municipais; vinda de uma emissora de TV da Alemanha para elaboração de um 
documentário de São Vendelino; intercâmbio entre escolas das duas cidades, com troca de 
cartas entre crianças de 7 a 12 anos, e o principal, a vinda de representantes oficiais da 
cidade de Sankt Wendel para oficialização do intercâmbio que reconhecem Sankt 
Wendel e São Vendelino, cidades irmãs. Tudo isso visando sempre mais o interesse de se 
buscar um maior intercâmbio entre as duas cidades com a implantação de projetos 
sócio-econômicos e culturais.
O dia 18 de outubro de 2003 entrou para a história como uma das datas mais importantes 
da história de São Vendelino. Desde aquele dia, a cidade tornou-se irmã de Sankt Wendel, 
na Alemanha. A assinatura do documento que reconhece as duas cidades como "cidades 
irmãs" foi trazido da Alemanha por representantes do Executivo e Legislativo de Sankt
Wendel, e assinado pelos prefeitos de ambas as cidades.

quarta-feira, 14 de março de 2018

5343 - Linha Nova, berço da cerveja no RS

Construção nos fundos do armazém da família Ritter onde teria sido fabricada a primeira cerveja do estado.

O casarão dos Ritter, em Linha Nova, ainda preservado

A imigração alemã no Brasil teve início no ano de 1824, com a chegada dos primeiros imigrantes germânicos à então Real Feitoria do Linho Cânhamo, hoje cidade de São Leopoldo. A imigração foi incentivada pelo governo imperial, cujas lideranças encarregaram engenheiros para a medição dos primeiros lotes de terra, que seriam doados aos estrangeiros. As primeiras localidades ocupadas pelas famílias provenientes da Alemanha, além de São Leopoldo, foram Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos. As terras férteis e a proximidade destas com o Rio dos Sinos, aliadas à qualidade de mão de obra e à diversidade de qualificações profissionais dos pioneiros, facilitaram o desenvolvimento desta região.
À medida que as terras eram ocupadas, o Império também demarcou lotes no Vale do Caí. Nessa área, a primeira localidade povoada ficou conhecida como Picada do Rio Cadeia ou Picada dos Portugueses, posteriormente recebendo o nome de São José do Hortêncio, ocupada a partir do ano de 1828. A maioria dos imigrantes era proveniente do Hunsrück, região ao sudoeste da Alemanha. Em 1835, com a Revolução Farroupilha, a emigração para o RS foi interrompida por 10 anos. Um ano após o término da revolução, em 1846, o processo imigratório foi retomado e novas colônias foram abertas, entre elas a Picada Nova ou Linha Nova, como mais tarde foi chamada, no ano de 1847. Os primeiros habitantes de Linha Nova vieram da Alemanha, principalmente de cidades de Hessen e do Palatinado, e também das colônias mais antigas, sobretudo de São José do Hortêncio. Linha Nova era uma picada no sentido Norte-Sul, incrustada entre vales e serras, coberta de espessas matas, fazendo divisa ao Norte com Nova Petrópolis, ao Sul com São José do Hortêncio, a Leste com Picada Café e a Oeste com Picada Feliz, hoje município de Feliz. A picada original transformou-se na principal rua da cidade, hoje denominada Rua Henrique Spier. Entre os fundadores estava o imigrante Georg Heinrich Ritter, que se estabeleceu ali em 1847, juntamente com sua esposa. Georg destacou-se no Vale do Caí e mantinha em Linha Nova uma conhecida casa comercial.
Ainda na Europa, Ritter aprendeu com familiares maternos o ofício de cervejeiro. Ele foi o primeiro imigrante de que se tem notícia a fabricar cerveja, não somente para consumo próprio, mas também para a venda deste produto.  
A cerveja dos Ritter fez muito sucesso na localidade e na região. A bebida era fabricada  numa pequena construção nos fundos de casa e Ritter a vendia na loja que mantinha, nas festas e em bailes da colônia. Segundo relatos, suas primeiras cervejas foram feitas logo após sua chegada, em 1847. Registros mais confiáveis, porém, remetem ao ano de 1864. Mais tarde, em 1883, Georg retornou à Alemanha por alguns anos. Após regressar ao Estado, morreu em Linha Nova, em 1889. Seus descendentes também se dedicaram à fabricação de cerveja, como seu filho Heinrich, que em 1880 mudou-se para São Sebastião do Caí, onde se tornou sócio de seu cunhado, Cristiano Jacó Trein. Em 1888, mudou-se para Porto Alegre para auxiliar sua prima na administração da Cervejaria Becker, sob liderança do empresário hamburguense Frederico Mentz. A partir de 1894, Henrique (Heinrich) Ritter passou a administrar sua própria cervejaria no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Em 1906, Henrique e os filhos transferiram a fábrica para a Rua Voluntários da Pátria e a razão social passou a ser H. Ritter & Filhos. Mais tarde, em 1924, a Cervejaria Ritter uniu-se com outras duas empresas familiares com a razão social Bopp, Sassen, Ritter & Cia. Ltda. e o nome comercial de Cervejaria Continental. As três cervejarias uniram-se para enfrentar as mudanças no mercado, que começava a ser dominado por grandes empresas. A Continental instalou-se no prédio da Cervejaria Sassen, na Avenida Cristóvão Colombo, 625. No ano de 1946, a Cervejaria Continental foi adquirida pela carioca Companhia Cervejaria Brahma, tornando-se a maior potência cervejeira do país.
A história dos pioneiros ainda está presente em Linha Nova, seja na preservada casa comercial de 1864, no prédio onde era fabricada a cerveja – que, após criteriosa restauração, será reinaugurado às 14h do próximo domingo, como Centro Cultural –, nas antigas garrafas de cerâmica ou ainda nas conversas, contos e lembranças das pessoas. Este legado necessita ser resgatado, pois é motivo de orgulho para a comunidade linha-novense e também para todos os gaúchos.

Texto e fotos divulgados na coluna Almanaque Gaúcho,  de Ricardo Chaves.

terça-feira, 13 de março de 2018

5342 - A primeira casa gaúcha dos italianos

Foi em Nova Milano que os primeiros imigrantes italianos
se estabeleceram, em 1875







Quando se reuniram para rezar a primeira missa, em 1878, os imigrantes instalados numa pequena localidade do distrito de Vila Jansen decidiram escolher o nome do padroeiro ou da padroeira da comunidade. Não chegaram a um acordo. Algumas famílias queriam Santo Antônio, outras defendiam Nossa Senhora do Loreto. Para evitar confusão, os colonos resolveram ir até São Sebastião do Caí. A imagem que pudesse ser comprada lá seria a da padroeira. Voltaram de mãos vazias. Os italianos já estavam pensando em construir uma estátua, quando Natal Faoro disse que poderia emprestar um quadro que havia trazido da Itália.

A tela de 33 em por 40 continha a imagem de sua devoção. Só que não era a de Nossa Senhora do Loreto e muito menos a de Santo Antônio. Daquela dia em diante, Nossa Senhora do Caravaggio tornou-se a padroeira da colônia que recebeu seu nome. No ano de 1879, os moradores ergueram uma capela para a santa e começaram a realizar romarias em sua homenagem. Nesta mesma época, o quadro de Faoro deu lugar a uma estátua esculpida em cedro.Encomendada de um artesão de Caxias do Sul, a imagem foi carregada nas costas pelos colonos durante todo o trajeto até chegar ao vilarejo. Dez anos depois, a capela já estava pequena para abrigar os devotos que compareciam ao templo todo dia 26 de maio (data atribuída à aparição de Nossa Senhora na vila italiana de Caravaggio). Em 1890, os imigrantes inauguraram uma nova igreja. Até hoje, milhares de católicos visitam Farroupilha para deixar na igreja os ex-votos por graças e curas alcançadas.

Substituída por um grandioso santuário em 1968, a antiga capela está abarrotada de cabeças de cera, cruzes e placas de agradecimento. Nenhuma história é mais famosa entre os moradores da região do que a da mulher que teria sido possuída pelo demônio. Carregada por vários homens, a lavradora foi exorcizada dentro da igreja. A lenda conta que, quando o padre concluiu o exorcismo, o diabo saiu por uma janela lateral entortando as barras de ferro.

Matéria publicada no site Página do Gaúcho

5341 - A Nossa Senhora dos Milagres

Nova Milano, assim como Caxias do Sul, já pertenceu ao município 
de São Sebastião do Caí 

Quando se reuniram para rezar a primeira missa, em 1878, os imigrantes instalados numa pequena localidade do distrito de Vila Jansen decidiram escolher o nome do padroeiro ou 
da padroeira da comunidade. Não chegaram a um acordo. Algumas famílias queriam Santo Antônio, outras defendiam Nossa Senhora do Loreto. Para evitar confusão, os colonos resolveram ir até São Sebastião do Caí. A imagem que pudesse ser comprada lá seria a da padroeira. Voltaram de mãos vazias. Os italianos já estavam pensando em construir uma estátua, quando Natal Faoro disse que poderia emprestar um quadro que havia trazido da Itália.

A tela, de 33 cenímetros por 40, continha a imagem de sua devoção. Só que não era a de Nossa Senhora do Loreto e muito menos a de Santo Antônio. Daquela dia em diante, Nossa Senhora do Caravaggio tornou-se a padroeira da colônia que recebeu seu nome. No ano de 1879, os moradores ergueram uma capela para a santa e começaram a realizar romarias em sua homenagem. Nesta mesma época, o quadro de Faoro deu lugar a uma estátua esculpida em cedro. Encomendada de um artesão de Caxias do Sul, a imagem foi carregada nas costas pelos colonos durante todo o trajeto até chegar ao vilarejo. 

Dez anos depois, a capela já estava pequena para abrigar os devotos que compareciam ao templo todo dia 26 de maio (data atribuída à aparição de Nossa Senhora na vila italiana de Caravaggio). Em 1890, os imigrantes inauguraram uma nova igreja. Até hoje, milhares de católicos visitam Farroupilha para deixar na igreja os ex-votos por graças e curas alcançadas.

Substituída por um grandioso santuário em 1968, a antiga capela está abarrotada de cabeças de cera, cruzes e placas de agradecimento. Nenhuma história é mais famosa entre os moradores da região do que a da mulher que teria sido possuída pelo demônio. Carregada por vários homens, a lavradora foi exorcizada dentro da igreja. A lenda conta que, quando o padre concluiu o exorcismo, o diabo saiu por uma janela lateral entortando as barras de ferro.

Matéria publicada no site Página do Gaúcho

5340 - Os teimosos de Nova Milano

Velhos prédios preservam a imagem de uma localidade que teve importante
papel na história da imigração italiana para o Rio Grande do Sul



Quase todas as 110 famílias de italianos que chegaram a Farroupilha em maio de 1875 foram logo transferidas para povoar primeiro Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul), a sede da colônia. Somente três amigos de Olmate, vila da cidade de Monza, não seguiram viagem com os companheiros de imigração. Stefano Crippa, Tommaso Radaelli e Luigi Sperafico ficaram. Comprando colônias de 24 hectares, cada um foi parar em uma localidade e prosperou de maneira diferente. Radaelli ficou plantando em Nova Milano, Crippa foi para a comunidade de Amizade e Sperafico instalou-se em São Miguel. Em 1884, Crippa construiu uma casa no atual centro de Nova Milano. “’Acho que seis anos depois ele montou a bodega na parte da frente”, calcula Ardelino Bergamo, 81 anos, neto do imigrante. “A gente vendia desde tecido até querosene”, conta o comerciante, que passou 50 anos atrás do balcão do armazém fundado pelo avô. Ao mesmo tempo em que Crippa crescia no comércio, Radaelli se destacava na agricultura. Tommaso começou plantando milho, arroz e feijão. Depois se transformou no maior produtor de uva da região, relembra o neto Thomaso Radaelli, 78 anos. Quase todas as 110 famílias de italianos que chegaram a Farroupilha em maio de 1875 foram logo transferidas para povoar primeiro Campo dos Bugres (atual Caxias do Sul), a sede da colônia. Somente três amigos de Olmate, vila da cidade de Monza, não seguiram viagem com os companheiros de imigração. Stefano Crippa, Tommaso Radaelli e Luigi Sperafico ficaram. Comprando colônias de 24 hectares, cada um foi parar em uma localidade e prosperou de maneira diferente. Radaelli ficou plantando em Nova Milano, Crippa foi para a comunidade de Amizade e Sperafico instalou-se em São Miguel. Em 1884, Crippa construiu uma casa no atual centro de Nova Milano. “’Acho que seis anos depois ele montou a bodega na parte da frente”, calcula Ardelino Bergamo, 81 anos, neto do imigrante. “A gente vendia desde tecido até querosene”, conta o comerciante, que passou 50 anos atrás do balcão do armazém fundado pelo avô. Ao mesmo tempo em que Crippa crescia no comércio, Radaelli se destacava na agricultura. Tommaso começou plantando milho, arroz e feijão. Depois se transformou no maior produtor de uva da região, relembra o neto Thomaso Radaelli, 78 anos.

Matéria publicada no site Página do Gaúcho

5339 - A primeira casa gaúcha dos italianos

Nova Milano é hoje uma localidade do interior no município de Farroupilha


A colonização italiana no Rio Grande do Sul nasceu em Nova Milano, distrito de Farroupilha. Em maio de 1875, um barracão que abrigava os primeiros imigrantes era a única visão de lar que trevisanos e vicentinos recém-chegados na América podiam contemplar. O resto era terra selvagem. Partindo daquele ponto perdido no mapa da Província, os colonos fundaram Caxias do Sul e povoaram toda a Serra. Mesmo sendo a ante-sala da imigração, Farroupilha não foi ocupado de imediato pela primeira leva de italianos. Assim que chegaram, quase todas as 110 famílias foram transferidas de local. “O dono de uma colônia particular dizia que não se começava uma cidade pelo fim do território”, relata a historiadora Miriam Giacomel, 26 anos. Depois de alguns dias no barracão, os imigrantes foram parar no ponto central da colônia situada aos fundos de Nova Palmira, mais tarde denominada de Colônia Caxias. Cerca de 10 anos depois, Luís Feijó Júnior, proprietário da colônia particular Sertorina, entre Bento Gonçalves e Caxias do Sul, achou um bom negócio começar a formar núcleos de imigrantes a partir da venda de parte das suas três léguas de terras.

Estava formada a Linha Nova Vicenza, onde em 1883 moravam 30 famílias. Com a conclusão da estrada de ferro entre Caxias a Montenegro, em 1910, a irmã mais nova conquista a estação do trem e concorre com o desenvolvimento de Nova Milano. Próximo à sede do município, Nova Vicenza assume a direção administrativa do então 3o distrito de Caxias, que desde o início estava nas mãos do núcleo mais antigo. Berço da colonização, Nova Milano não aceitou perder a posição para uma comunidade mais jovem. A pressão foi tanta que as autoridades resolvem agradar a gregos e troianos. Enquanto Nova Vicenza é promovida a 2o distrito do município em 1927, Nova Milano volta como 6o. Mas nada evitou o esvaziamento da periferia de Farroupilha. A estação do trem e a chegada da luz elétrica fizeram com que os moradores das duas comunidades mudassem suas casas para a parte alta de Nova Vícenza. O nascedouro da imigração italiana estava definhando.

Matéria publicada no site Página do Gaúcho


sexta-feira, 9 de março de 2018

5338 - Postal colorizado de Montenegro - década de 1900

Montenegro no início da década de 1900, quando o cais do porto (visível na foto) 
quando ainda não tinha a sua extensão atual

Foto feita, provavelmente, do alto do Morro da Pedreira,. no início da década de 1900. Mostra o cais do porto em frente do frigorífico Renner., com comprimento menor do que o atual.

É um cartão postal colorizado no qual o nome da cidade aparece como sendo Monte Negro. Nome do morro situado rio abaixo, que deu nome à cidade.

Cartão postal colorizado da cidade de Montenegro, da década de 1910

quarta-feira, 7 de março de 2018

5337 - Produção do município de Tupandi supera a do Caí e está próxima de alcançar a de Portão







































O forte incentivo da prefeitura para a implantação de aviários e pocilgas 
transformou o pequeno município num fenômeno de crescimento econômico


A arrecadação do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) num município é proporcional à sua atividade econômica.
Por isso o valor da arrecadação de ICMS nos municípios serve como um indicador da grandeza econômica desse município.
O Fato Novo vem, há muitos anos, divulgando análises estatísticas do desenvolvimento em cada um dos vinte municípios que compõem o Vale do Caí.
Essas análises mostraram claramente que, nos municípios que mais incentivaram os seus produtores a criar aves e suínos o progresso foi muito maior do que nos demais.
Tupandi, cuja prefeitura foi a pioneira no incentivo forte à produção de aves e suínos, começou a destacar-se dos demais municípios da região desde que, em meados da década de 1990 , criou um fortíssimo incentivo para os produtores rurais investirem no setor das aves e suínos.
Os resultados vieram rapidaente e durante toda a década de 2000 a 2010 o crescimento dessa atividade continuou a evoluir de uma forma impressionante.
E esse crescimento econômico segue acontecendo agora. Como se vê na tabela aqui publicada,  
Tupandi já superou o Cai em arrecadação de ICMS e está prestes a superar Portão neste mesmo quesito.
Isso é impressionante porque a população de Portão  é sete vezes maior do que a de Tupandi.
Tupandi deu o exemplo e vários municípios da região o seguiram e se beneficiaram disso.
Os municípios de Linha Nova, São José do Sul,  São Vendelino, Maratá, São Pedro da Serra e Pareci Novo seguiram o modelo de desenvolvimento adotado por Tupandi e, hoje, figuram entre os mais ricos da região.
PODE PASSAR MONTENEGRO?
Pode parecer impossível, mas não chega a ser absurda a possibilidade de Tupandi  vir a superar Montenegro em produção e geração de riqueza.
Montenegro tem população 14 vezes maior do que Tupandi e um notável conjunto de empresas com grande porte e capacidade tecnológica. Mas, a julgar pela evolução econômica apresentada pelos dois municípios nas últimas décadas, não se pode duvidar que Tupandi  vir a superar a potência econômica de Montenegro seja algo impossível.
QUAL O SEGREDO?
Observando os resultados desta pesquisa, pode se observar que os municípios que desenvolveram programas de incentivo à produção de aves e suínos tornaram-se os mais ricos enquanto que os que atraíram indústrias se desenvolveram menos. 
Isso se deve ao fato de que a produção de aves e suínos é uma vocação da região.
A principal vocação econômica do Vale do Caí é a transformação de proteína vegetal (milho e soja) em proteína animal (carne de frangos  e suínos). Transformação que ocorre nos aviários e pocilgas.
Como o governo estadual dá mais incentivo à atividade primária do que aos demais setores econômicos, isso ajuda muito os municípios que incentivaram a implantação de aviários e pocilgas.

Matéria do publicada pelo jornal Fato Novo em 10 de março de 2018

domingo, 4 de março de 2018

5336 - Linha Nova: natureza cada vez mais preservada

Ao contrário do que muitos imaginam, o desmatamento das terras 
era muito maior no passado do que atualmente

Comparando a primeira foto (em preto e branco) com a segunda (colorida) podemos constatar um fato 
que surpreende a muita gente: hoje em dia, no entorno das cidades da região, a natureza está muito mais preservada do que antigamente.
O mesmo pode ser observado na comparações entre fotos antigas e modernas de outras cidades da região, como Caí, Feliz ou Montenegro.
Ocorre que, no passado, todo tipo de terreno era aproveitado para a plantação de cana, aipim, feijão, alfafa e outros vegetais usados como alimento para as pessoas ou animais (principalmente os bovinos, suínos e aves). 
E quando as áreas não eram usadas para essas culturas, eram usadas como campos de pastagem para os bois, vacas e terneiros. O leite que era consumido pela população das cidades não era adquirido em supermercados, como hoje, mas sim de colonos que criavam vacas em suas propriedades.
Hoje não é mais viável esse tipo de produção, pois as plantações em grandes áreas de terra,  com o uso de técnicas modernas e da mecanização, tornam os produtos muito mais baratos e é impossível que colonos da região, em pequenas áreas de terra e com menos tecnologia, consigam competir com o preço dos produtos vendidos nos supermercados.
A conseqüência disso é que áreas próximas das cidades, quando não são utilizadas para a implantação de loteamentos, acabam sendo tomadas pelo mato nativo.

Fotos do acervo de Felipe Kuhn Braun e da prefeitura de Linha Nova