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sábado, 31 de março de 2012

1343 - JB Gralha e a sua Corrida Maluka

Seres estranhos vagueiam pela região em dia de Corrida Maluka

Não é fácil competir contra a equipe desse cara

As gatinhas parecem doces, mas elas são feras

Esses caras são muito estranhos


A equipe Tinker Bell e as Fadas foi destaque na corrida de 2012

O carro da equipe Scooby Doo foi o melhor da prova em 2012
Em 2012, cada equipe representou personagens de um desenho animado, como o Chaves
Ano após ano, os caienses vem batendo o record estadual de criatividade em gincanas. Isso acontece a cada vez que ocorre a Corrida Maluka. 
Essa promoção, da equipe J B Gralha, vem sendo realizada há desde 1989 e é sempre um show de originalidade e bom humor.
A Corrida Maluka  não é uma simples prova. É uma verdadeira jornada de muita diversão e confraternização.
Cada equipe é um grupo de amigos e todos se empenham em vencer a prova. Mas o que mais interessa mesmo é a farra.
A edição de 2012, que foi a 17ª, começou na segunda-feira, com uma corrida de race box, ou seja, carrinhos de lomba incrementados.
Cada equipe apresentou o seu carrinho, montado de acordo com o seu tema (um desenho animado da TV). Fantasia dos competidores e criatividade no carro contavam pontos.
O carro mais veloz foi o da equipe Popaye, que venceu o percurso (da Igreja Católica até o Country) em 22 segundos.
Na categoria feminino, a vencedora foi a equipe Marie, com 24 segundos. Um tempo tão bom que foi o segundo na competição geral (masculino e feminino).
O carro mais incrementado foi o da equipe Batman. Que, porém, não foi o mais hábil nas manobras: ele sofreu um capotamento em plena corrida.
A Corrida Maluka prosseguiu com a Largada Promocional, na noite de sexta-feira da semana passada. Duas mil pessoas compareceram para assistir ao desfile das equipes, no centro da cidade. Cada qual mais estranha que a outra.
O prêmio de melhor carro foi para a equipe Scooby Doo, que participou da prova com um Chevrolet ano 1942. O de melhor fantasia ficou com a equipe He Man. 
Na classificação geral, entre as mulheres, o primeiro lugar foi para a equipe Tinker Bell e as Fadas, com desempenho brilhante que lhe daria o segundo lugar, mesmo competindo na categoria livre.
Na força livre, venceu a equipe Tio Patinhas, que melhor cumpriu as provas ao longo do percurso somando 1660 pontos.
O trajeto incluiu as cidades de São Sebastião do Caí, Harmonia, São José  do Sul, Pareci Novo, Capela de Santana e Nova Santa Rita.
GRALHA
O nome da Equipe JB Gralha vem do seu criador: João Batista Giuriati da Silva. Nascido no Caí no dia 19 de novembro de 1961, ele é filho de José Soares da Silva, o Zé Taioba. Seu pai era policial e sua mão morava em Canela, onde Zé trabalhou certo ´período.
JB era sobrinho de João Soares da Silva, o Pai João, que era dono de um escritório de despachante e, aos 13 anos, foi trabalhar com o tio. Como ele falava o tempo todo, deram-lhe o apelido de Gralha. Ele começou, então, a fazer coisas diferentes. A primeira que aprontou foi um jornalzinho impresso no mimiógrafo do escritório.
Logo em seguida ele passou a organizar festas. Qualquer festa. Principalmente as de aniversário de amigos. Mas ele sempre colocava nas festas algo de diferente e criativo. Ganhou fama e as suas festas começaram a virar eventos destacados na cidade. Elas passaram a ser realizadas nos principais clubes da cidade (Aliança e Country). Tornaram-se festas coletivas. Uma delas, comemorando o aniversário de oito aniversariantes, reuniu 450 pessoas no Country. 
Formou-se, então, um grupo de amigos que o ajudavam a organizar os eventos: Pepé, Cabelo, Xilingue, Buserão e Mourinha.
Com eles, Gralha realizou o seu primeiro grande evento, que foi a festa de escolha da Rainha das Piscinas, no Clube Rio da Mata. O cenário incluía um vulcão e uma cachoeira. Gralha tinha 19 anos.
Depois disso ele e a sua equipe organizaram o Torneio de Taco e o concurso Garota Verão, no Ginásio A do Parque Centenário.
Veio, então, o primeiro super evento da equipe: a festa denominada Uma Noite no Velho Oeste, que teve várias realizações, no Clube Aliança e até no Ginásio de Esportes. Um grande cenário era montado para a festa e o evento começava com a encenação de uma cena de filme, com tiros, mortes e quedas espetaculares.
Mas foi em 1989, que Gralha e a sua equipe fizeram a sua maior realização. A Corrida Maluka. Uma gincana automobilística que impactou a cidade inteira. Um sucesso tão grande que a promoção vem sendo realizada até hoje. Nas suas primeiras edições, a Corrida Maluka envolvia figuras de destaque na cidade. Seja na organização, seja como competidores. Os empresários Rubi Loef e Tavinho Lamb, o engenheiro Idemir Rossetti, entre outros.
 Outro grande evento foi a Caça ao Tesouro. Uma gincana que chegou a ter a participação de 330 ciclistas.
Com tanto sucesso, Gralha tornou-se uma figura destacada da cidade. Foi convocado para organizar os bailes de escolha da Rainha da Festa da Bergamota e eleito quatro vezes presidente do Country Tênis Clube.
JB Gralha trabalha como vendedor na empresa Compumaq.

1342 - Costa Gama



O modal hidroferroviário  que ligava Palmares do Sul (na Lagoa dos Patos) 
a Osório e Torres foi uma obra do Engenheiro Costa Gama



O porto lacustre de Osório fazia parte do modal, que impulsionou o progresso
do litoral norte gaúcho


José da Costa Gama foi personagem importante da história de São Sebastião do Caí.
Não se tem uma biografia desse engenheiro, cuja obra no Caí é descrita na postagem 795 e outas desse blog, mas aqui vão algumas informações esparsas sobre ele.
Ele foi o condutor das obras destinadas a tornar o rio Caí permanentemente navegável até o porto da cidade de São Sebastião do Cai. O porto e a torre da igreja católica também são projetos seus.
O engenheiro José da Costa Gama, foi responsável, na década de 20, pela construção de um sistema de canais que permitia a navegação entre as lagoas existentes no litoral norte do estado. Através dele, era possível ir, de barco, das proximidades de Osório até perto de Torres. Completando o modal hidroferroviário, foi construída, em 1921, uma ferrovia que ligava Osório a Palmares do Sul, junto à Lagoa dos Patos. Dessa forma, era possível ir de Porto Alegre até Torres usando primeiro barco (de Porto Alegre a Palmares), depois trem (de Palmares a Osório) e, por fim, novamente barco até as imediações de Torres.
Este modal funcionou por quarenta anos, até que a melhoria das rodovias e o aperfeiçoamento dos automóveis e caminhões tornou a rodovia uma alternativa melhor de transporte. 
Algo muito parecido com a obra realizada por Costa Gama no rio Caí. Além da Barragem Rio Branco, ele fez várias outras obras ao longo do curso do rio, para tornar possível a navegação mesmo em períodos de estiagem. As obras do rio Caí também formavam um modal hidrorodoviário, pois do Caí a Caxias o transporte era feito por rodovia e havia o plano de implantar uma ferrovia neste trajeto.
Uma listagem dos professores ativos na Escola de Engenharia, de Porto Alegre, presente no "Relatório do Anno de 1901", inclui o nome de José da Costa Gama. Ele também fez parte das associações positivistas de Porto Alegre. 
O positivismo é uma escola de pensamento filosófico criado pelo francês Augusto Conte,  que floresceu extraordinariamente no Rio Grande do Sul, por haver inspirado o pensamento de grandes líderes políticos como Júlio de Castilhos.

1341 - O primeiro automóvel em Porto Alegre

Nas postagens 595 e 596 do nosso blog, temos notícias dos primeiros automóveis adquiridos por caienses. É interessante comparar essas informações com as que foram transmitidas pelo Almanaque Gaúcho, coluna do jornal Zero Hora que reproduzimos aqui:

O primeiro de muitos


21 de outubro de 20118
Foto:  Lunara, arquivo de Eneida Serrano
A foto acima, quase desconhecida, foi garimpada pela fotógrafa Eneida Serrano  no acervo de um pioneiro fotógrafo amador, no Rio Grande do Sul, que usava o pseudônimo de Lunara. Provavelmente o “retratista” preparou a câmera para que alguém batesse a foto e ele pudesse aparecer, refestelado e comodamente alojado, no banco traseiro (bem à esquerda) do primeiro automóvel a circular nas ruas de Porto Alegre.
O carro, um De Dion Bouton 1906, foi importado da França naquele ano por Januário Grecco (sentado no banco dianteiro, ao lado do irmão), um próspero comerciante de alimentos que representava as Indústrias Matarazzo de São Paulo aqui no Estado. Lunara, amigo de Grecco, era a composição das três primeiras sílabas do nome do destacado empresário Luiz Nascimento Ramos (1864 – 1937), que também trabalhava com secos & molhados e tinha na fotografia seu hobby predileto.
Quando o automóvel foi desembarcado do navio, no cais da Alfândega não havia quem soubesse manejá-lo. O proprietário teve de recorrer aos préstimos de um detento da Casa de Correção, Marini Constanti, italiano e familiarizado com mecânica e operação de veículos motorizados.
O carro foi empurrado até o Cadeião do Gasômetro e, dentro do pátio da penitenciária, foi acionado pela primeira vez. Marini ganhou autorização para sair algumas vezes do presídio, como motorista dos Grecco.
Foto: banco de dados
A Capital tinha 70 mil habitantes e nessa época o Código de Veículos de 1893 não previa o transporte motorizado. Em 1913, já com 188 automóveis registrados, a lei foi regulamentada: tornou-se obrigatório o uso de lanternas à noite e de buzina a cada esquina, e a velocidade máxima permitida era de 6km/h no centro, 10km/h nos bairros afastados e 15km/h fora da cidade.

1340 - Receita de liderança


Marcos Oderich (à direita) no anúncio da decisão quanto à criação da Escola Técnica do SENAI, no Caí. Na foto, também, Alexandre Oderich, presidente da ACI de São Sebastião do Caí; o coordenador de Serviços da Fiergs Carlos Heitor Zuanazzi e o prefeito caiense Darci Lauermann. Marcos foi o grande responsável pela conquista da escola para São Sebastião do Cai

















Em entrevista ao jornal Correio do Povo, Marcos Oderich falou das circunstâncias que fizeram dele um grande líder empresarial:
"Como foi a infância de Marcos Oderich? 

Iniciei desde pequeno a trabalhar nos períodos de férias escolares, aprendendo a fazer o tropeamento, colhendo e descascando milho verde manualmente, carregando e descarregando caminhões, pesando e classificando mercadorias para venda no varejo, acompanhando meu pai na compra de carnes de boi e de porco nos abatedouros do Interior, comprando legumes de madrugada na Ceasa de Porto Alegre e ajudando nas podas de pomares de figo verde. Na escola, fui líder estudantil e, por duas gestões, fui presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Sinodal de São Leopoldo. Graduei-me em Administração de Empresas pela Feevale em 1982. 

A Conservas Oderich completou 100 anos. Qual é o segredo da longevidade? 

Considero de vital importância a formação profissional, a educação austera recebida dos meus pais, o espírito de luta incutido de forma obsessiva nos campeonatos esportivos, a disciplina, a ordem e a obediência exigida em casa e no internato, a valorização de pequenas conquistas estudantis e a vida simples e humilde que os meus pais me ensinaram. 

Marcos Oderich não está sozinho nesta caminhada de empreendedorismo. Nesse sentido, quem são seus principais aliados? 

Sempre tive o apoio e o suporte da minha esposa na busca do equilíbrio emocional. Conto com meus irmãos Cláudio e Lúcia, que dividem comigo o amor pelo trabalho e pela empresa. Em 1980, empregávamos 180 funcionários. Nos modernizamos e hoje, nas três plantas produtivas no Rio Grande do Sul (localizadas nas cidades de São Sebastião do Caí, Pelotas e Eldorado do Sul) e na de Orizona, Goiás, movimentamos R$ 350 milhões anualmente e geramos mais de 2.200 empregos diretos. 

O presidente das Conservas Oderich é um homem de gabinete? 

Nesses mais de 30 anos de trabalho, meu grande orgulho é ter conquistado uma condição produtiva competitiva invejável no cenário mundial, por acreditar e ter tido a coragem de conhecer pessoalmente os mercados brasileiro e internacional - carregando em minha pasta de trabalho amostras e tabelas de preços para potenciais clientes. Faço corpo a corpo, como degustação de patês em latas para os japoneses. O meu trabalho sempre foi um eterno desafio. Uso uma expressão até hoje; quando alguém me pergunta como estão os nossos negócios, digo: "Estou vivo" - pois acredito que a nossa luta pela sobrevivência não nos permite parar e desfrutar as pequenas vitórias do nosso dia a dia. 

Na sua opinião, como deve agir um líder? 

Lideramos desde os 22 anos um grupo de trabalhadores que acreditou na força da união, na humildade e na simplicidade de saber mobilizar fornecedores, banqueiros e autoridades públicas a acreditarem que uma renovação é possível quando há coragem para mudar. 

Defina sucesso:

Para mim, o grande sucesso é poder demonstrar para as novas gerações que o amor e o sonho de um projeto podem superar obstáculos considerados por muitos como impossíveis de serem transpostos."

1339 - Caí recupera pequena parte do seu território

A população do bairro São Martim se sentia caiense, mas uma parte do bairro (cercada, na foto) oficialmente era moradora do município de Capela de Santana
(clique sobre a foto para ver melhor)
O bairro São Martim tem uma característica muito estranha: metade dele pertence ao Caí e a outra metade à Capela.
O bairro fica encostado da Conceição e próximo do centro do Caí, ao qual é ligado por asfalto e por linha de ônibus com horários frequentes. Já com a Capela, o contato é muito menor e mais difícil.
A população da metade capelense do bairro utiliza o serviço de saúde do posto mantido pela prefeitura do Cai e as suas crianças estudam nas escolas municipais caienses.
Enfim, quem dá assistência à população do São Martim capelense é a prefeitura do Caí. Mas esta prefeitura não pode fazer obras (pavimentação de ruas, por exemplo) no território capelense.
A população da parte capelense do bairro São Martim se sente caiense e até vota como se fosse.
Esta situação um tanto absurda acontece porque Capela de Santana, quando se emancipou, precisou incluir no seu município o máximo de população possível, para atender às exigências da lei de emancipações. Hoje, passados mais de vinte anos, restou o problema na São Martim.
Mas, felizmente, a solução  está próxima.
Atendendo às solicitações da população local, a administração municipal caiense encaminhou um longo processo para conseguir que Capela de Santana transferisse aquela parte do seu território para o Caí. Tanto o prefeito como os vereadores de Capela colaboraram e uma solicitação conjunta, dos dois municípios, foi encaminhada à Assembléia Legislativa. 
No final da tarde da última terça-feira, os 41 deputados presentes votaram unanimemente a favor do projeto.
Resta agora, apenas, que o governador Tarso Genro sancione a lei.
Na terça-feira da votação, o prefeito Darci Lauermann passou o dia todo na Assembléia Legislativa trabalhando pela aprovação do projeto de lei que unifica o bairro. Agora, segundo ele, será possível realizar as obras que a população do São Martim necessita.
Coincidentemente, nesta semana, a secretaria de obras caiense está realizando obras no bairro. Estão sendo feitas melhorias no sistema de esgoto e colocação de saibro ou cascalho nas ruas não pavimentadas (inclusive na parte capelense). Duas ruas (na parte caiense) estão recebendo calçamento e melhoramento na rede de esgoto. Outras estão ganhando iluminação. Isso tem sido feito, progressivamente, nos últimos anos. E assim, aos poucos, a antiga Vila São Martim vai ganhando o aspecto de um verdadeiro bairro. No passado, grande parte dele parecia mais uma favela.
Na noite de ontem, foi reinaugurado o Ginásio de Esportes, que agora deverá ser mantido e utilizado com a participação da Associação de Moradores.
As obras que estão sendo feitas nesta semana já beneficiam a parte do bairro que pertencia à Capela.
   MAIS POPULAÇÃO
A anexação deste território, que é habitado por aproximadamente 1.500 pessoas (segundo estimativa da prefeitura de São Sebastião do Caí), vai aumentar as responsabilidades da prefeitura. Antes ela até podia se eximir de fazer obras naquele setor do bairro, pois a prefeitura ficava até proibida de fazer obras em outro município. Agora, passa a ser uma obrigação, pois o povo dali se torna caiense como o de todo município.
Para uma prefeitura que já luta com dificuldades para atender às necessidades da sua atual população, não será fácil atender às reivindicações desta nova comunidade, tão carente de serviços públicos.
Por isso o deputado Giovani Feltes, através do seu assessor Fernando Coferri, já faz estudos no sentido de buscar um aumento na cota do Fundo de Participação dos Municípios, um recurso federal que os municípios recebem de acordo com o tamanho da sua população.
Ocorre que o Caí está muito próximo do número de habitantes que lhe proporcionaria um aumento no retorno do Fundo de Participação. E, com o acréscimo da população no bairro São Martim, será possível aumentar em quase R$ 1 milhão no retorno por ano.

sexta-feira, 30 de março de 2012

1338 - Novo blog sobre a Rota Estrada Rio Branco

Os imigrantes italianos que se destinavam à região da Serra Gaúcha faziam a parte inicial da viagem através do rio Caí. São Sebastião do Caí era o ponto máximo a que se podia chegar de barco, pois logo acima cachoeiras impediam a navegação

A ponte de ferro sobre o rio Caí foi construida em 1900 e continua sendo usada até hoje. Antes dela a travessia do rio Caí era muito perigosa, principalmente quando chovia e o rio ficava cheio
Até a localidade de Nova Palmira, a estrada corre junto ao rio Caí, em meio a montanhas e densas florestas nativas
Por iniciativa do professor Luiz Ernesto Brambatti, começa a ser gestado o projeto de uma nova e importante rota turística: a Rota Estrada Rio Branco.
Ela é importante porque tem a ver com uma das maiores epopéias brasileiras: a da imigração. Entre 1874 e 1914, cerca de 100.000 imigrantes, na sua maioria italianos, vieram para o Brasil e foram instalados na região da Serra Gaúcha. Esta fantástica transferência de população - que pode se traduzir em milhares histórias individuais - foi planejada e executada pelo governo imperial brasileiro, nos tempos de Dom Pedro I e do seu primeiro ministro Visconde de Rio Branco (não confundir com o Barão de Rio Branco, que foi seus filho).
Para levar os imigrantes até a região da atual Caxias do Sul, então uma imensa selva desabitada, o império fundou uma cidade chamada São Sebastião do Caí, situada no último ponto do rio Caí que ainda oferecia razoáveis condições de navegabilidade. Dali para cima, as cachoeiras impediam a navegação.
São Sebastião do Caí e Montenegro, foram - por longo tempo - sedes municipais de territórios enormes que se estendiam até o alto da serra, onde os colonos foram instalados.
Do Caí até as imediações da atual cidade de Caxias do Sul foi aberta uma estrada que, mais tarde, veio a ser chamada de Estrada Visconde de Rio Branco ou, mais resumidamente, Estrada Rio Branco.
Por ela, os imigrantes subiam a serra. No início a subida era a pé, pois o caminho aberto no meio do mato era tão precário que não permitia a passagem de carretas ou carruagens. E os pobres imigrantes, também, não teriam mesmo o dinheiro para pagar pela viagem, caso existissem ali carruagens e estrada capaz de permitir o trânsito das mesmas.
Mulas e cavalos passavam por essas estradas. Mas andar nesses animais, por estrada tão precária, era perigoso. Exigia perícia que os colonos não tinham.
É esse caminho, a Estrada Rio Branco, que os turistas serão convidados a percorrer, quando a rota for implantada. Mas a estrada ainda existe e pode ser desbravada por quem tiver disposição para descobri-la.
O blog Rota Estrada Rio Branco foi criado para difundir o conhecimento sobre esta estrada e o contexto histórico que a produziu. Ele pretende, também, colaborar para a concretização do projeto da rota turística. E deseja, ainda, mostrar às pessoas a extraordinária beleza da região pela qual a Estrada Rio Branco se estende.
Conheça o blog, ingressando nele pelo seguinte endereço:
http://estradariobranco.blogspot.com.br/



quinta-feira, 22 de março de 2012

1337 - Maratá em fase de grande desenvolvimento


Segundo município mais rico da região, Maratá tem também a prefeitura com maior capacidade de investimento

Os números são eloqüentes em demonstrar o extraordinário grau de desenvolvimento alcançado pelo município de Maratá. Exceto Tupandi,  nenhum outro município da região alcançou o mesmo êxito nesses primeiros vinte anos da sua existência.
Na tabela do Valor Adicionado  e PIB per capita dos Municípios do Vale do Caí, vemos que somente Tupandi tem, na região, um pib per capita (equivalente a renda per capita) superior ao do Maratá.
E obseve-se também que, além de haver atingido um estágio muito superior ao da maioria dos outros municípios, Maratá continua figurando entreos que mais cresceram no período 2009 a 2010 (últimos anos com números já consolidados.
Além disso, na tabela  Investimento dos Municípios em 2010, podemos ver que a administração municipal de Maratá foi a que destinou maior parte da sua receita a novos investimentos. O que é um excelente sinal, pois a capacidade de investimento é o maior fator de progresso de uma empresa, pais ou município. E a administração municipal é a principal propulsora do progresso em um município.

sábado, 17 de março de 2012

1336 - Avança o projeto do Aeroporto 20 de Setembro

O aeroporto 20 de Setembro será um dos maiores e o mais moderno do pais
O projeto de criação do Aeroporto 20 de Setembro, que já existe há muitos anos, tomou um forte impulso nos  últimos meses. A utilização do transporte aéreo aumentou muito, os aeroportos ficaram congestionados e o Governo Federal acordou para a necessidade de construir novos aeroportos, além de ampliar e modernizar os já existentes. 
A proximidade de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas levou o tomar decisões urgentes. Foi feita, então, a privatização dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, com resultados satisfatórios e isto estimulou o governo a dar novos passos neste sentido.
Agora o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, aponta a solução para o problema do aeroporto Salgado Filho, que precisa de ampliação urgente e que, mesmo assim, não atenderá à demanda por muito tempo.
Segundo Gustavo Vale declarou ao secretário de infraestrutura do estado Beto Albuquerque, é preciso começar imediatamente as providências para a construção de um novo aeroporto e a alternativa escolhida é o 20 de Setembro. Conforme mostra o mapa acima, o planejado aeroporto deverá ser construído numa área situada entre Potão, São Leopoldo, Nova Santa Rita e Capela de Santana.
A expectativa do presidente da Infraera é de que o aeroporto fique pronto em oito anos.
A área reservada para isso já foi declarada de utilidade pública, pelos municípios de Portão e e Nova Santa Rita. Ela se estende pelos dois municípios. Está previsto a implantação de duas pistas com 3.500 metros de extensão cada uma e sobrará área para a ampliação das mesmas, caso seja necessário no futuro.
Isso quer dizer que, no 20 de Setembro os maiores aviões do mundo, inclusive os cargueiros, poderão aterrisar e decolar com carga máxima.  O que é muito importante pois, assim como acontece com os navios e os caminhões, o uso de veículos maiores reduz o custo do frete. E isso representa um grande acréscimo de competitividade para a economia da indústria, comércio e produção rural nas regiões próximas ao aeroporto.
Saem beneficiadas a Região Metropolitana de Porto Alegre, especialmente os vales do Sinos e do Caí.
O Vale do Caí, que dispõe de mais espaços e já apresenta extraordinária vocação exportadora, fica em situação privilegiada. Montenegro e Caí ficam a aproximadamente 20 quilômetros do futuro aeroporto.  E Capela de Santana mais perto ainda.

sexta-feira, 9 de março de 2012

1335 - Passo Selbach, a vau ou de barca

Quando o rio estava cheio, era impossível passar de carro pelo Passo Selbach e os motoristas tinham de fazer uma grande volta para cruzar o rio na ponte de Feliz (foto)
Até a década de 1960, havia uma barca no local denominado Passo Selbach. Ela facilitva a travessia do rio Caí para quem ia do Caí Velho ou da Bela Vista para Bom Princípio.
Ali, quando o rio estava baixo, era possível passar de carro ou a cavalo, sem que o cavaleiro ou o motorista se molhasse. Cavalos ou veículos entravam diretamente nas águas do Passo Selbach. O rio ali  era muito baixo e o estribo do carro assinalava os limites da altura de água que o carro era capaz de enfrentar.
A estrada que existia adiante do Passo Selbach passava por  Bom Princípio, que fica logo adiante, e seguia por Santa Lúcia, Santa Terezinha e Piedade, até chegar em São Vendelino.
Adiante, de forma sinuosa, ela seguia até Bento Gonçalves.
Arno Carrard, que viveu sua infância e juventude em Bom Princípio, guarda viva lembrança da barca.
Primitivamente, ela tinha seu trapiche fixado um pouco mais a montante (rio acima). Depois, houve uma retificação e o deslocaram alguns metros a jusante. 
Em dias com as águas normais, a tração da balsa era feita com um cabo de aço acionado com um pequeno cabo manual feito de madeira.  A balsa simplesmente ia para a outra margem, sem sinuosidades.  
Mas, em dias de enchente, era acionado outro cabo, que ficava suspenso bem no alto. Usava-se, então, uma longa corrente  e  soltava-se a ponta da balsa para ela se amoldar à correnteza. Ela chegava a dançar sobre as águas. Fazia uma longa volta e, aos poucos, retomava o direcionamento para o outro lado. 
Recordo-me bem que a última balsa foi construída na residencia de Manuel Assmann, conhecido por "Manec", sendo que o meu pai (Armindo Carrard) foi o coordenador do trabalho. O que fez de forma voluntária. 
Recordo-me, ainda, de ter sido chamado para mergulhar e  fixar a corrente no chassi de um caminhão que caiu nas águas bastante profundas. Isso aconteceu numa das manobras em que o veículo extrapolou o espaço e emborcou para dentro do rio. 
O barqueiro de então, pertencente à família Einzweiller, era um exímio nadador. Foi em socorro do motorista e o empurrou até a margem. Mas, inexplicavelmente,  acabou se afogando.
Foi uma das muitas mortes que aconteceram nesse e em outros passos do rio Caí.
Excepcionalmente, quando as águas se elevavam demasiadamente, os motoristas do ônibus da Empresa São Vendelino e outros carros,  avaliavam o risco e resolviam dar uma longa volta para evitar o perigo da travessia. Retornavam ao centro de Bom Princípio, atravessavam a ponte do Forromeco existente no centro da localidade, seguiam pelo Bom Fim, chegando ao centro de Feliz. Ali eles passavam pela ponte de ferro e seguiam no sentido inverso, para Escadinhas, Bela Vista, passando perto do Passo Selbach (na outra margem do rio) e chegando ao bairro caiense do Rio Branco. 
Os ônibus primitivamente serviam parte para carga e parte para passageiros. Posteriormente mantiveram transporte exclusivo para passageiros.


1334 - Um bordel chamado Crush

A Ijuí, hoje, é uma pacata rua residencial. No passado, 
foi endereço do mais famoso prostíbulo da região
Na atual rua Ijuí, atrás do posto de gasolina conhecido na época como posto do Dirceu, existia um bordel famoso na região. Os caminhoneiros estacionavam seus caminhões no posto e iam lá se divertir, assim como homens de toda a região. Inclusive figuras importantes da sociedade.
O prédio era de alvenaria, com paredes verdes. E havia na frente uma propaganda do refrigerante Crush pintada na parede. Daí que o bordel ficou conhecido com o nome de Crush.
Esta é a marca de um refrigerante criado nos estados unidos em 1916 com o nome de Ward's Orange Crush. A palavra crush, em inglês, significa esmagar. O nome, portanto tinha a ver com laranja esmagada.
Os refrigerantes Crush se difundiram pelo mundo, inclusive com outros sabores e, no Brasil, foi produzido também no sabor uva. 
Empresas brasileiras foram autorizadas a usar a marca pela multinacional  Cadbury Schweppes, que ainda detém os direitos da marca em vários paíseEmpresas brasileiras foram autorizadas a usar a marca pela multinacional  Cadbury Schweppes , que ainda detém os direitos da marca em vários países. Os refrigerantes Crush ainda são vendidos nos Estados Unidos, Canadá e alguns países da América Latina.
Já a casa noturna Crush não sobreviveu à marcha do progresso e deu lugar a outras boates famosas, como a Copacabana (na então rodovia Júlio de Castilhos, hoje RS-122, em frente ao Posto Capelaro), que também fez muito sucesso. O descontentamento dos vizinhos fez com que os prostíbulos fossem retirados da área residencial da cidade. Destinou-se a eles uma área no Morro do Rio Branco. Local bem próximo à antiga Crush, que existe ainda hoje, com várias casas de prostituição, e é mais conhecido com Zona do Rio Branco. No início do novo milênio o Caí passou a ter outra casa noturna que atraiu homens de toda a região e alimentou fantasias entre os que nunca foram até lá: o Reposs Bar, situado na entrada da cidade para quem vem de Porto Alegre. Um lugar isolado, sem vizinhos próximos. Apropriado para a sua atividade.

quarta-feira, 7 de março de 2012

1333 - Depois de perder o filho, Luiz Fernando Oderich perde também a esposa




Mabel e o o marido Luiz Fernando abraçam o filho Max na sua formatura


Lembranças
Maria Isabel Paiva Oderich, mais conhecida como Mabel, foi uma mulher brilhante. No ano de 1967 ela foi escolhida   a Rainha do Atlântico Sul, um concurso promovido pela maior empresa de comunicações da época: a Caldas Júnior, que era proprietária da Rádio Guaíba e dos jornais Correio do Povo, Folha da Tarde e Folha da Manhã.
Depois disso, ela casou com o jovem empresário Luis Fernando Oderich. Ambos eram porto-alegrenses, mas em 1977 o casal mudou-se para o Caí, pois Luiz assumiu, junto com o irmão Cristiano, a administração da empresa Indústria e Comércio Oderich (Odin).
Dois anos depois, o casal construiu uma bela casa na cidade e, junto com ela, uma sala comercial. Ali, Mabel abriu uma loja de confecções femininas chamada Bellui Boutique (nome resultante da junção dos nomes Mabel e Luiz), que fez bastante sucesso. A sala foi até ampliada. Depois disso, Mabel também abriu uma locadora de vídeo, no mesmo local e até abriu uma secunda locadora em sala mais central do Caí.
Luis Fernando fundou a empresa Max Metalúrgica e Mabel o ajudou na administração. O nome da empresa também tinha um significado especial: era o nome do pai de Luiz e, também, do único filho do casal.
A empresa do casal prosperou e o filho fez o curso superior de administração de empresas, pensando em trabalhar junto com os pais. No dia 17 de agosto de 2002, uma semana antes da sua formatura, Max morreu ao ser assaltado numa rua de Porto Alegre. Foi vítima de um assaltante desastrado que nunca chegou a ser identificado e punido.
Para Luis Fernando, e mais ainda para Mabel, foi um choque terrível. Mas a reação do casal foi valente. Eles fundaram a ONG denominada Brasil sem Grandes e passaram a lutar para que a criminalidade no país diminua e que outros pais não venham a sentir a mesma dor que os atingiu tão violentamente.
DOENÇA
Mabel era valente e a dor que sentiu pela perda do filho não a impediu de viver, trabalhar e participar da luta pela diminuição da violência e criminalidade no Brasil.
Ela era também generosa e, há vários anos, promovia no Caí o Natal das Crianças, distribuindo presentes para crianças pobres da cidade.
Mas Mabel tinha problemas de saúde. Sofria de diabetes desde os nove anos de idade.
Ultimamente apresentava sintomas que preocupavam. Luz Fernando calcula que, nos últimos dois anos, ela foi ao médico cerca de 20 vezes. Consultou vários especialistas, mas nunca encontrou a verdadeira razão dos seus problemas.
Por fim, há pouco tempo, foi descoberto que ela tinha câncer já disseminado, atingindo os pulmões, fígado, espinha dorsal e ombro. Foi feito tratamento, mas não havia mais como reverter o quadro.
A origem do câncer foi no pulmão e Mabel fumava (embora não muito intensamente) desde a juventude. Há pouco tempo, aproveitando a campanha realizada pelo programa Fantástico, ela deixou de fumar. Quando soube que tinha câncer no pulmão e que seu caso era muito grave, ela enfrentou a situação com coragem e falou do seu arrependimento por ter fumado.
Ela morreu na noite do último sábado, dia 3 de março, mesmo dia em que ela, 45 anos atrás, sagrou-se Rainha do Atlântico do Sul.
O fato faz com que Luiz reflita o quanto é importante o médico clínico geral, que observe o quadro geral de saúde e investigue as diversas razões que possam estar causando os sintomas apresentados pelo paciente.
Depois de perder o filho e a esposa, Luiz Fernando continua trabalhando pela sua empresa e lutando para resolver o problema da extrema criminalidade que ainda assola o país. E, considerando-se a sua coragem e perseverança, é muito provável que ele consiga.

terça-feira, 6 de março de 2012

1332 - São José do Inhacorá


São José do Inhacorá foi povoado por pessoas vindas do Vale do Caí 
Arno Carrard (centro) foi homenageado pela ajuda que deu à emancipação do município
Depois de emancipar sua terra natal, Bom Princípio, o advogado e ex-procurador federal Arno Carrad ajudou a emancipar centenas de municípios gaúchos. Recentemente ele foi visitar São José do Inhacorá, que lhe prestou homenagem pelo papel fundamental que ele desempenhou na criação do município.
Ele relata assim o que observou naquele pequeno e, extremamente próspero, município.
São José do Inhacorá, antigo distrito de Três de Maio. Ambos são localizados na Grande Santa Rosa e têm alguns aspectos estreitamente ligados ao Vale do Caí. Quase todas as famílias lá radicadas, são oriundas  de Montenegro, Salvador do Sul, Maratá, São José do Sul, Barão, Harmonia, Caí, Feliz, São Pedro da Serra e principalmente de Tupandi.
E isso se torna visível à medida que se relaciona os sobrenomes, que são comuns às duas regiões.
Um exemplo disso é a família Kercher, tios e primos do Prefeito Mano Kercher, de Tupandi. 
Para quem se liga na história, deve-se lembrar que, lá pelas primeira décadas do século passado, o Vale do Caí foi envolvido num grande êxodo rural. 
As famílias eram numerosas e as propriedades eram pequenas. Não havia terra suficiente para pais e filhos trabalharem e delas tirar o seu sustento. Como consequência, grandes legiões de pessoas migraram para o noroeste do Estado. 
Ficou então definido que aqui no Vale  éramos chamados como "colônias velhas". E, aquelas de lá, "colônias novas". 
Hoje, descendentes dos primeiros imigrandes espicharam seus deslocamentos para o norte do Brasil,  para o Paraguai onde são  conhecidos como "Brasiguaios" e para dentro da fronteira da Argentina.  Outra coisa em comum é que lá, como aqui no Vale, os distritos dependentes de grandes municípios (como o Caí, Montenegro e Três de Maio) vinham definhando, marcados pelo empobrecimento, esvaziamento  e sem qualquer apoio governamental. 
Líderes da localidade de São José do Inhacorá, sabedores do que Arno Carrard havia feito por Bom Princípio, pediram a sua ajuda para promover a emancipação d Acompanhado  por Guido Kercher, pai do Prefeito Mano, ele assumiu incondicionalmente os trabalhos e tudo terminou num projeto que deu certo. E, no último sábado, numa grande cerimônia realizada em São José do Inhacorá, foi outorgado o título de "CIDADÃO EMÉRITO" para o advogado. 
Para os irmãos Guido e Arno Kercher, o último com família lá radicada desde a metade do século passado, também foram concedidos diplomas de "HONRA AO MÉRITO". 
Quem hoje visita São José do Inhacorá, tem a oportunidade de constatar uma transformação indescritível. A cidade se mostra como um cartão postal. Onde termina a parte urbana, iniciam as grandes plantações de soja, como se fosse uma maquete.  Nada de grandes indústrias. A economia é baseada na rica produção agrícola e pequenas empresas. Inexitem favelas,  núcleos de carentes ou  analfabetos.  Rigorosamente todos os prédios são novos ou revitalizados, dando um cenário multicolorido. Sem exceção,  todas as salas de aula estão informatizadas e com ar condicionado. Mas, o grande atrativo é a imensa praça cuja arquitetura não tem similar. Afirma Carrard que é uma das praças mais bonitas que viu no Mundo (ele que já visitou 140 países. Não é por nada que noivos dos outros municípios lá comparecem para produzir álbuns de fotografias de casamentos. E, mais uma vez, o advogado recolhe o carinho e o agradecimento das comunidades que se mostram felizes por viverem novos tempos. Recentemente Carrard foi agraciado com o mesmo título em Mato Leitão. No próximo dia 20 deste mês de março, será em Santa Clara do Sul, terra da modelo internacional Shirlei Mallmann. Ambos os municípios pertencem ao Vale do Taquari. E essas manifestações populares vêm se multiplicando, chegando a dezenas por todo o Estado.
O sucesso de São José do Inhacorá demonstra que Carrard estava certo quando, na década de 1980, ele se empenhou tanto pelas emancipações. É inestimável a contribuição que ele deu para o progresso do estado do Rio Grande do Sul.

sábado, 3 de março de 2012

1331 - Monografia Caí, de Alceu Masson

O livro Caí, de Alceu Masson, é um registro importante para a história de São Sebastião do Caí e municípios que dele se emanciparam
No ano de 1940, a Livraria Caiense editou a monografia Cahy, escrita por Alceu Masson. O livro, é chamado de monografia, por tratar de um assunto só: o município de Caí.
O livro, conforme consta na capa, foi editado pela Prefeitura Municipal de Caí. Na época, o prefeito era Egydio Michaelsen, um homem de grande visão que, na década de 60, foi Ministro da Indústria e Comércio no governo de João Goulart.
A Livraria Caiense foi fundada em 1935, por Arno Wilibaldo Kusminsky. Tinha, portanto, apenas cinco anos de existência quando foi editado. Ela existe até hoje, em plena atividade, com comércio e gráfica no tradicional prédio situado na esquina da Rua Marechal Deodoro com 13 de Maio. Um dos pontos mais centrais da cidade.
O livro foi impresso por Luis Carlos Dietrich que, segundo Luis Fernando Selbach, atual diretor da Livraria, levou um ano para ser impresso e teve tiragem de 1.000 exemplares. Dietrich fez, também, a tipografia, com tipos móveis (a letras, em chumbo eram montadadas uma a uma sobre uma táboa, formando a página a ser impressa).
Na época, o nome do município era apenas Caí, pois o governo estadual, influenciado pelas idéias do positivismo, havia abolido os nomes de santos na denominação de municípios.
Alceu Masson era um artista eclético. Tanto dominava a arte de escrever como a de desenhar. Ele mesmo desenhou mapas e, certamente, também a capa do livro.
Na época, os municípios de Portão, Capela de Santana, Nova Petrópolis, Feliz, Alto Feliz, Vale Real, Linha Nova e São José do Hortêncio ainda pertenciam ao município do Caí.

sexta-feira, 2 de março de 2012

1330 - Estrada Rio Branco revisitada

O nome de Estrada Rio Branco foi uma homenagem ao Visconde de Rio Branco, grande líder político da época e pai do Barão de Rio Branco
A antiga Estrada Rio Branco, construída a partir do ano de 1874, ligou a cidade de São Sebastião do Caí a Caxias do Sul e Vacaria. Ela teve fundamental importância para o desenvolvimento do Vale do Cai e da Serra e serviu especialmente ao município de Caxias do Sul, pois foi o único meio de comunicação entre ele e a capital da província e o resto do mundo.
Existe, de certa forma, uma irmandade entre São Sebastião do Caí, Caxias do Sul e a Estrada do Rio Branco. E uma irmandade gêmea, pois os esses três entes geográficos foram concebidos conjuntamente e filhos de um mesmo pai: o governo imperial brasileiro.
Eram tempos de Dom Pedro Segundo, o Brasil havia saído vitorioso da Guerra do Paraguai e era reconhecido como uma das maiores potências do continente americano. No ano de 1871, o carioca José Maria da Silva Paranhos era o político brasileiro de maior destaque no país. Tanto que o imperador o incumbiu de formar o gabinete do governo. Ou seja, coube a ele escolher os ministros do governo imperial ficando ele como primeiro ministro.
E foi nesta época que o império decidiu dar um novo impulso à imigração de europeus para a província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Impressionado com o desenvolvimento econômico que a imigração alemã, promovida principalmente nos anos de 1824 a 1830, trouxe para a província, o império resolveu destinar mais terras desabitadas para um novo projeto de imigração. 
Antes já havia feito isso criando as colônias de Feliz e de Nova Petrópolis, nas décadas de 1840 e 1850. Ambas muito bem sucedidas. Na década de 1870, no governo do primeiro ministro Visconde de Rio Branco, foi realizado um projeto ainda mais audacioso, aproveitando as áreas da região serrana. Em 1877, a estrada  que ligava São Sebastião do Caí ao Campo dos Bugres, já aberta até o núcleo colonial, recebeu o nome de Visconde do Rio Branco.
Para isso, os índios que eram os únicos habitantes desse território, foram transferidos para o norte da província e foi montado um minucioso projeto para a efetiva implantação da nova área de colonização.
ROTA ESTRADA RIO BRANCO
Atualmente está em gestão o projeto de criação de uma rota turística que terá por mote principal a antiga Estrada Visconde de Rio Branco e a epopéia vivida pelos imigrantes europeus (predominantemente italianos) que usaram aquele caminho para chegar a uma terra selvagem e lá implantar a civilização.
Chamada Rota Estrada Rio Branco, a rota foi idealizada pelo doutor em turismo Luiz Brambatti. No dia 28 de fevereiro, foi realizada uma reunião preparatória para a implantação do projeto. Ela ocorreu no estande da Prefeitura de Caxias do Sul na Festa da Uva, que estava se realizando na ocasião. Estavam presentes os prefeitos Ivo Sartori, de Caxias do Sul; Nestor Seibert, de Bom Princípio e Darci Lauermann, de São Sebastião do Caí e representantes dos demais municípios.


Mais informações sobre a Estrada Rio Branco e a Rota Estrada Rio Branco, você encontra em  http://estradariobranco.blogspot.com/





quinta-feira, 1 de março de 2012

1329 - CR Diementz: tudo começou em Capela de Santana


Capela, na época de fundação da empresa, era um distrito de São Sebastião do Caí
Reinaldo Mentz foi um homem simples, nascido na localidade de Divisa, perto da atual cidade de Capela de Santana. Na época, tanto Capela como Divisa pertenciam ao município de São Sebastião do Caí. 
Tudo era muito difícil, naquela época, e Reinaldo não teve muita oportunidade de estudar. Mas aprendeu com seus pais, Luis e Emília Mentz, o valor do trabalho. Trabalhava desde a infância, ajudando seus pais nas atividades rurais. Adulto, ele dedicou-se à criação de gado e a produção de acácia negra. Com bom tino para negócios, chegou a alcançar uma boa situação econômica.
Com isso pode proporcionar aos filhos um melhor nível de educação.
Seu filho mais velho, José Ernesto Mentz, quando garoto, foi estudar em Novo Hamburgo, no Colégio São José. Um dos melhores do estado, naquela época.
José destacou-se nos estudos. Era um dos melhores alunos da sua classe. Se continuasse os estudos, certamente se tornaria um doutor, como aconteceu com colegas seus que disputavam com ele os primeiros lugares na turma.
Mas seu pai tinha outros planos para ele. Por achar que o filho estaria melhor com a família e acreditando fundamentalmente no valor do trabalho como formador do caráter das pessoas, ele decidiu construir um bom prédio em Capela de Santana e começar ali um armazém. Mas seu Reinaldo não pretendia abandonar as suas atividades habituais de criação de gado, plantio de acácia, compra e venda destes produtos. Atividades às quais ele se dedicava com grande êxito.


1328 - Começo difícil

Hoje uma grande loja da rede CR Diementz ocupa a área onde foi criado o primeiro armazém da família Mentz

Para cuidar do armazém, que recebeu o nome de Casa Reinaldo Mentz  ou CR Mentz, seu Reinaldo chamou de volta o seu filho José Ernesto, que tinha, então, 16 anos. E, para ajudá-lo no comando da loja, convocou também as filhas Maria Emília e Sueli Terezinha, ainda mais novas. Isso aconteceu no ano de 1956.
Para aprender a arte do comércio, antes da abertura do armazém José Ernesto foi trabalhar, por um mês, no estabelecimento do comerciante Gentil Batista da Silva,  no bairro Campina (então Vila Campina), em São Leopoldo
O trio de adolescentes, sob o olhar protetor da mãe, dona Ireda, tinha um enorme desafio pela frente. Existiam, naquela época, concorrentes fortes em Capela de Santana. Comerciantes estabelecidos há muito tempo, com muito mais experiência e capital do que eles.
Mas os jovens irmãos não desanimaram. Foram à luta, compensando as suas deficiências com esforço e dedicação.
Sem saber disso, José, Emília e Terezinha investiram num fator muito importante para ser o principal diferencial da sua loja: a qualidade do atendimento.
José Ernesto costumava levar o “rancho” (compras volumosas, difíceis para o cliente levar nas mãos) na casa do cliente. E, como a empresa não dispunha de um veículo motorizado, ele fazia isso com um carrinho de mão. Só depois de alguns anos de atividades foi possível comprar uma carroça para fazer a entrega dos ranchos. Foi somente em 1962, seis anos depois do início das atividades, que a firma conseguiu comprar uma pick up usada para executar esta tarefa.