segunda-feira, 31 de março de 2014

3846 - Cidades que deixaram de ser santas

Santo forte: em 1938, o nome de São Sebastião do Caí foi reduzido para Caí. 
Mas não por muito tempo.


Assim como os estados de Santa Catarina, São Paulo e  Espírito Santo, milhares de cidades brasileiras têm o nome de inspiração religiosa.
No Vale do Caí, temos São Vendelino, Salvador do Sul, São Sebastião do Caí, São José do Hortêncio, São José do Sul e São Pedro da Serra.
Montenegro já foi São João do Monte Negro e São João de Montenegro, antes de tornar-se apenas Montenegro.
Foi no ano de 1938 que muitos municípios gaúchos que tinham nomes de santo perderam a sua santidade. 
Foi assim com Montenegro, com São Sebastião do Caí e até com o distrito caiense de Santa Rita, que passou a chamar-se Berto Círio. 
Tempos depois, alguns desses municípios voltaram a usar o nome antigo, caso de São Sebastião do Caí, enquanto outros continuaram sem nome de santo, como Montenegro.
Na sua obra Monografia Caí, escrita em 1940, Alceu Masson explica a supreção do nome do santo na denominação do município da seguinte forma:

"Até o dia 1º de janeiro de 1939 - data em que, pela primeira vez se comemorou o "Dia do Município" - a denominação S. Sebastião do Caí vinha sendo geral e oficialmente usada. Por resolução do Conselho Regional de Geografia, que teve também o intuito de evitar confusões, daquela data em diante o nome da sede do município, extensivo à comuna, foi reduzido para Caí."

É muito possível que a influência do positivismo, que foi muito influente na proclamação da república brasileira e que constituía-se, também na base filosófica do Partido Republicano, tenha influído nessa decisão atribuída ao Conselho Regional de Geografia. 
O positivismo, criado pelo filósofo francês Augusto Conte, baseava-se na ciência e rejeitava o sobrenatural. Criou uma religião denominada Religião da Humanidade, que tinha os seus templos, rituais e doutrinas, e que negava as demais religiões. O positivismo foi muito influente no governo gaúcho e, possivelmente, influenciou a decisão tomada pelo Conselho Regional de Geografia em 1938.

No Caí, houve uma mobilização popular, certamente incentivada pela igreja católica, para pedir a volta de São Sebastião à denominação da cidade. O que aconteceu por volta de 1950. Em Montenegro não aconteceu o mesmo e o nome de São João ficou fora da denominação da cidade.

3845 - Parentes que se transferiram para o Paraguai


Felipe Kuhn Braun entrevista, na Argentina, pessoas que emigraram 
do Vale do Caí para países vizinhos da América do Sul




O incansável Felipe Kuhn Braun  (na foto, com camiseta branca) esteve, mais uma vez, em viagem pelo norte da Argentina, colhendo informações sobre os colonos de origem alemã que, no início do século XX, emigraram para o norte da Argentina e para o Paraguai, em busca de terras baratas.

O jovem Felipe, a continuar assim, se tornará o mais importante historiador da imigração alemã no Rio Grande do Sul.

Ele fez, na sua página no Faceboook, um breve relato dessa sua viagem:



"Nesse final de semana estivemos (eu, Jürgen e Ursula Strauch) em Puerto Rico e Capioví, Misiones, Argentina. Como sempre,  para registrar as memórias dos imigrantes teuto-brasileiros que colonizaram o nordeste da Argentina no início do século passado. Entrevistamos e registramos, com câmeras e com escritos, as memórias que Marta Hilda Goralewski HufLeonor Kuhn e Irene Flach, que nos contaram sobre o início da colonização daquela região. 

Agradecemos a Noeli Gossler Heck, Agata Schoffen e ao Camilo Träsel, que nos acompanharam nas entrevistas. Gravamos mais de seis horas com essas pessoas, registros que certamente serão veiculados posteriormente. 

É fascinante a história dessa gente, de teuto-gaúchos (A maioria do Vale do Caí), que estavam em difíceis condições de sobrevivência depois do período da Primeira Guerra Mundial.  Sofriam pelas dificuldades financeiras, falta de terras e perseguições do próprio Estado Brasileiro e emigraram então para uma região de floresta virgem, onde fundaram cidades e iniciaram tudo do zero. 

Muitos pereceram, outros emigraram novamente, mas a maioria permaneceu ali e sobreviveu através da fé e de muito trabalho. Foi emocionante registrar essas histórias em mais de seis horas de entrevistas... 

Aos poucos escreveremos tudo isso, para que a memória dessa gente teuto-brasileira-argentina, não se perca pela ação do tempo."

Marta Hilda Gorlewski Huf comentou a sua participação no trabalho de Felipe:
"Realmente emocionante. Ademas, el compartir con estas personas fue mui grato. Un abrazo, desde Paraguay. Nuevamente, muchas gracias por incluirme en vuestro maravilhoso proyecto."

3844 - Nova Santa RiIta, a evolução do ex-distrito caiense

Santa Rita já foi distrito do Caí, depois passou a pertencer a Canoas,
até a sua emancipação, em 1992


No dia 11 de fevereiro de 1884, em Santana do Rio dos Sinos (1), no lugar então denominado “Picada do Vicente”, Justino de Souza Baptista e sua mulher, Rita Carolina Martins, doaram um terreno para construção de uma capela.
Rita pediu que a capela fosse em louvor à Santa Rita de Cássia e isto deu origem ao nome da localidade, “Santa Rita”. 
No início do século XX, a área abrangida pelo município de Nova Santa Rita fazia parte do território de São Sebastião do Caí como 6º Distrito, permanecendo nesta situação até 28 de junho de 1939, quando Canoas emancipou-se do município de Gravataí e anexou ao seu território a referida área, que passou a denominar-se 2º Distrito de Canoas, tendo como sede Berto Círio. 
Em 1987, aconteceu um movimento emancipacionista que foi derrotado nas urnas. Em 1991, foi organizada uma comissão de moradores para trabalhar pelo movimento pró-emancipação, saindo vitorioso em plebiscito realizado no dia 10 de novembro, com mais de 64% dos votos válidos. 
Em 20 de março de 1992, através da Lei Estadual nº 9585/92, sancionada pelo então governador Alceu Collares, foi criado o município de Nova Santa Rita. No dia 3 de outubro do mesmo ano foi realizada a eleição municipal que elegeu Odone Machado Ramos como primeiro prefeito de Nova Santa Rita e João Luís Alves como vice-prefeito, além de mais nove vereadores. 
Atualmente, a administração está a cargo da prefeita Margarete Simon Ferretti, tendo como vice-prefeito Antônio César Bairros dos Santos. Em Nova Santa Rita, está localizada a igreja episcopal Anglicana mais antiga do Brasil.

1 - Santana do Rio dos Sinos é o antigo nome de Capela de Santana. Antes disso a região foi conhecida como Ilha do Rio dos Sinos.


Matéria extraída da Wikipédia

Distrito criado com a denominação de Santa Rita, pelo Ato Municipal de 15-08-1912, subordinado ao município de São Sebastião do Caí. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Santa Rita, figura no município de São Sebastião do Caí.
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937.
Pelo Decreto-lei Estadual n.º 7.199, de 31-03-1938, o município de São Sebastião do Caí tomou o nome simplesmente de Caí.
Pelo Decreto Estadual n.º 7.643, de 28-12-1938, o distrito de Santa Rita passou a denominar-se Berto Círio.
Pelo Decreto Estadual n.º 7.842, de 30-06-1939, baixado com autorização contida do Decreto-lei Federal n.º 1.307, de 31-05-1939, o distrito de Berto Círio foi transferido do município de Caí (ex-São Sebastião do Caí) para o novo município de Canoas.
No quadro fixado pra vigorar no período de 1939-1943, o distrito de Berto Círio, figura no município de Canoas.
Pela Lei Municipal n.º 96, de 26-08-1949, o distrito de Berto Círio voltou denominar-se Santa Rita.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o distrito de Santa Rita (ex-Berto Círio), figura no município de Canoas.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1988.
Elevado à categoria de município com a denominação de Nova Santa Rita (2), pela Lei Estadual n.º 9.585, de 20-03-12-1992, desmembrado município de Canoas. Sede no atual distrito de Nova Santa Rita (ex-Santa Rita). Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1993.
Em divisão territorial datada de 1999, o município é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

2 - a denominação Nova Santa Rita deveu-se à necessidade de diferenciar o nome do município do antigo município de Santa Rita, na Paraíba

Dados extraidos do site do IBGE

3843 - Iguatemi compra Kombi do último lote fabricado

Iguatemi Moreira vendeu a Kombi durante décadas: agora comprou uma



Martim Müller era filho de Osvino Müller, um dos mais fortes comerciantes caienses na metade  do século XX.  
Quando jovem, ele deixou o Caí e foi ser aviador. e chegou a atuar na  segunda guerra mundial como piloto da força aérea dos Estados Unidos (país aliado do Brasil naquele conflito), fazendo o patrulhamento do Golfo do México para evitar ataques dos submarinos alemães.
Depois foi piloto de aviões  civis e acabou voltando para o Caí, onde abriu uma concessionária Volkswagen chamada Müller Veículos.
A empresa começou em 1968, com apenas dois funcionários: Iguatemi Lúcio Moreira, na administração e vendas, e o mecânico Alberto Frederico Treps.
A empresa cresceu e foi uma das mais importantes da cidade. Quando a Volks deixou de fabricar o Fusca, a fábrica mandou um veículo da última série produzida para cada revenda do país. Iguatemi teve vontade de comprar o carro para si, mas seu Martim também quis e teve a preferência. 
A empresa Müller Veículos acabou extinta, mas Iguatemi não perdeu o seu vínculo afetivo com a marca Volkswagen. 
No final do ano, a Volkswagen encerrou a fabricação da Kombi e repetiu o procedimento que teve com o Fusca: mandou uma para cada revenda e Iguatemi não perdeu a oportunidade: comprou o veículo que chegou para a conecessionária Comauto, de Montenegro. 
A Kombi era tão boa que, depois após 63 anos do seu lançamento, na Alemanha, e 56 do início da sua fabricação no Brasil, ainda era bem aceita no mercado. 
A Volks só resolveu parar a sua fabricação devido à exigência de que todos os carros fabricados no país fossem  equipados com air bag. A estrutura da velha camionete não permitia a instalação desse equipamento.
As Kombis que existem no país, agora são guardadas como relíquias. Inclusive a Kombi zerinho adquirida por Iguatemi.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo em 29 de março de 2014

3842 - Oderich amplia instalações e se mantém como maior empregadora caiense

Tanto na sua unidade situada no centro da cidade quanto na do bairro
Vila Rica (foto) a Oderich amplia e moderniza as suas instalações


Há muitos anos a Conservas Oderich ocupa a posição de maior empregadora caiense. Desde a sua fundação, em 1909, foi ela que por mais tempo ocupou essa posição. Em poucas ocasiões ela foi superada nesse aspecto.

Isso poderá acontecer agora, devido ao crescimento da Agrosul, que começou suas atividades em 2004 e emprega hoje 1.200 funcionários.

Mesmo assim, a Oderich continua sendo maior que a Agrosul. Até porque ela tem unidades fabris em outros municípios do estado e mesmo fora do Rio Grande do Sul. E a sua matriz, no Caí, também está crescendo muito. Conta atualmente com 1.450 funcionários e vaga para mais 60, que tem dificuldade para preencher. 
O Caí, como se sabe, vive uma situação de pleno emprego e a maior dificuldade das empresas, atualmente, é encontrar funcionários.

A Agrosul começou suas atividades no Caí em 2004. Suas perspectivas futuras são muito boas. Dentro de dois meses deverá estar concluído o asfaltamento da estrada que liga a indústria à RS-122 e, com isso, se abrirão para ela melhores perspectivas de exportação. O fato dessa estrada ser de terra representa um sério entrave devido às exigências sanitárias dos países importadores de alimentos. Esse asfaltamento é o que falta para a empresa ganhar certificação de qualidade que lhe abrirá as portas de todos os mercados mundiais. 

A empresa tem uma área de mais de 30 hectares e muitas possibilidades de expansão das suas instalações. A construção de mais um grande pavilhão industrial já está nos planos da empresa e pode se prever que o seu número de funcionários aumente bastante nos próximos anos.
PÁREO DURO

Na década de 1940, devido à segunda guerra mundial, a fábrica de escovas (atual ODIM) chegou a ter 800 funcionários. Como a China e a Alemanha (que estavavam envolvidas com guerras) eram os maiores fornecedores mundiais de pincéis e escovas, houve uma grande carência desses produtos e a ODIM aproveitou a oportunidade para uma grande expansão da empresa. Chegou a construir um grande pavilhão improvisado, na Várzea da Vila Rica, onde trabalhavam centenas de funcionários.

Pelos anos de 1950 e 60, a fábrica da Arrozeira Brasileira, em Capela de Santana, superrou a Oderich, que havia diminuído as suas atividades.

Também na década de 1990, a Azaléia, com duas fábricas instaladas no município, superou a Oderich quanto ao número de funcionários. Mas a Azaléia fechou suas fábricas caienses em 2005 e a Oderich voltou a ser, disparada, a maior empregadora.

Matéria publicada no jornal Fato Novo, em 29 de março de 2014

3841 - Líder petista fica indignado com a demora na conclusão das estradas

Obras nas estradas de Hortêncio, Linha Nova e Alto Feliz
estão paradas há décadas



Santos Fagundes é uma das principais lideranças do PT na região. Foi até candidato a prefeito caiense, pelo PT, nas últimas eleições.
Por isso chamou atenção a seguinte postagem feita por ele no Facebook. 
“Estradas do Vale do Caí continuam sem solução. As ligações asfálticas, São Sebastião do Caí a São José do Hortêncio, Feliz a Linha Nova e Alto Feliz a Farroupilha, continuam paradas!!!
Companheiro Governador Tarso Genro, estas obras estão no nosso programa de governo e a comunidade do Vale do Caí, ainda esta acreditando na realização das mesmas.”
Realmente, o fato dessas obras estarem paralizadas há tanto tempo está se tornando escandaloso. Parece incrível que, depois das promessas que foram feitas, o governador vai terminar o seu governo sem dar andamento a elas.
Além de serem compromisso do atual governo - e de outros -essas obras são pequenas, relativamente baratas e importantes. 
A ligação de Hortêncio com o Caí é uma obra de importância para o estado, pois faz parte de uma via transversal, que ligará a BR-116 (em Ivoti e Picada Café) com a RS-122 (no Caí), a RSC-470 (em São José do Sul) e a-Rota do Sol (em Teutônia). Essa conexão de estradas vem sendo denominada Intervales porque fará a ligação entre os vales do Sinos, Caí e Taquari e terá importância econômica. Essa ligação já está quase toda asfaltada, sendo o trecho entre Hortêncio e Caí um do últimos que ainda falta ser pavimentado.
A demora na realização das obras nessa estrada - assim como nas que ligam Feliz a Linha Nova e Alto Feliz a Farroupilha tornou-se um verdadeiro símbolo da incompetência dos governos estaduais (não só o atual). São obras pequenas, que foram iniciadas há mais de uma década e que ainda não foram terminadas.
A ligação entre Feliz e Linha Nova é uma obra pequena e de baixo custo, que foi iniciada há cerca de vinte anos. A de Alto Feliz tem a importância estratégica de servir de rota alternativa em caso de obstrução na movimentada RS-122, que liga Caxias a Porto Alegre.
Santos Fagundes, considera inaceitável que essas obras, que são compromisso do governo, continuem paralisadas e espera uma definição do governo quanto a essa questão.


Matéria publicada pelo jornal Fato Novo em 29 de março de 2013

domingo, 30 de março de 2014

3840 - Mauro Coelho 1: morte súbita aos 47 anos

Mauro Coelho foi o mais famoso jogador de futebol nascido no Caí


















Nascido em 17 de julho de 1936, Mauro Coelho, contava a idade de 47 anos quando, no último domingo, dia 25 de março, morreu de maneira súbita e inesperada vitimado por um ataque cardíaco. Mauro, que foi o maior futebolista caiense de todos os tempos, morreu num campo de futebol. Havia acabado de jogar uma partida pelo time do Cachoeira, de Portão, e encontrava-se no banheiro, juntamente com alguns colegas de equipe.
Tomou um banho frio, pois acreditava que isso lhe faria bem, uma vez que estava gripado. Caiu quando estava no banho e, mesmo sendo prontamente atendido pelos companheiros e levado para o hospital de Portão, morreu antes de chegar até às mãos dos médicos. Mauro, que sempre gozou de ótima saúde, morreu de infarte agudo do miocárdio.

Matéria publicada pelo  jornal  Fato Novo em 29 de março de 1984

3839 - Mauro Coelho 2: a notícia da morte espalhou-se rapidamente

Uma multidão acompanhou o velório e o enterro do maior jogador
do futebol caiense



A morte ocorreu por volta das onze horas e quarenta e cinco minutos da manhã de domingo e a notícia espalhou-se rapidamente. A partir de uma hora e quinze da tarde, as rádios Guaíba e Gaúcha  passaram a noticiar o fato e logo a região inteira tomava conhecimento do mesmo. A incredulidade inicial ia, aos  poucos, cedendo lugar a uma profunda comoção que atingia especialmente o  meio esportivo. 
A rodada de domingo do Campeonato Caiense foi suspensa por ato do presidente da liga, Tomé Flores. Sobre o esquife em que Mauro era velado, foram colocadas bandeiras do Guarani, Riachuelo e Racing, equipes caienses nas quais atuou. No dia seguinte, os jornais da capital noticiavam o desaparecimento de Mauro lembrando-o como um dos grandes jogadores do futebol gaúcho nas décadas de 50 e 60.
O filho Mauro Roberto foi avisado em Cuiabá, no Mato Grosso, onde encontrava-se com seu time, o Curitiba, para jogar contra o Operário. Chegou ao Caí às oito horas da noite. O irmão Erasmo, que mora em Tramandaí e encontrava-se numa praia do litoral catarinense, custou a ser localizado e chegou apenas às duas horas da tarde de segunda-feira, uma hora antes do enterro.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo em 29 de março de 1984

3838 - Mauro Coelho 3: um enterro como nunca se havia visto

Mauro Coelho com o técnico Carlos Froener e o presidente do Cruzeiro
Paulo Bopp
Uma verdadeira multidão concentrava-se em frente à casa funerária em que era velado o corpo, na tarde de segunda-feira, de modo que o carro fúnebre não conseguiu aproximar-se para conduzir o corpo até a igreja e o caixão acabou sendo levado a pé até lá, seguido de uma grande procissão (1).
A grande igreja matriz de São Sebastião foi pequena para acolher a todos que queriam acompanhar as últimas homenagens prestadas ao grande esportista. Mais de 200 pessoas ficaram do lado de fora. O cortejo que, em seguida, dirigiu-se para o cemitério municipal teve a participação de 91 automóveis, dois ônibus e cinco motos. No cemitério, outros 30 automóveis aguardavam pela chegada do cortejo.
Os dois ônibus foram insuficientes para acolher o grande número de pessoas que queriam servir-se deles para acompanhar Mauro Coelho na sua última viagem. Entre os presentes, além dos desportistas e dos amigos caienses, encontravam-se Beto Froener (filho do treinador Carlos Froener), Otacir Viana e Abraão Hermann.
No cemitério, compareceram faradadas as equipes do Guarani e do Cachoeira, bem como os árbitros da Liga Caiense, dos quais Mauro era colega. O sepultamento foi procedido com simplicidade. Junto com o corpo foi enterrada a camiseta do Cachoeira, última que Mauro Coelho vestiu e defendeu com grande esforço no derradeiro jogo da sua carreira.

1 - A antiga funerária Selbach situava-se onde  hoje está a Funerária Hartmann e o cortejo percorreu seis quadras e meia, até chegar à igreja.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na sua edição de 28 de março de 1984

3837 - Mauro Coelho 4: barrilzinho de pólvora

Mauro era juvenil do Renner, em 1954, 
quando o clube sagrou-se campeão gaúcho


Mauro nasceu no Caí, no bairro Navegantes que ele tratava pelo nome popular de Coréia. Era filho de Valdomiro Coelho, também nascido naquele bairro e lá  foi comerciante por muitos anos, e de dona Normélia. Mauro era o segundo filho do casal. Mais velha é Eloá, casada com o Doutor Ângelo Silva, e mais novos são os irmãos Egon, Erasmo e Silomar. Tal como Mauro, todos os irmãos foram jogadores profissionais de futebol. Seguiram o exemplo e o estímulo do pai, que foi atleta amador e dirigente esportivo.
Mauro despontou cedo para o futebol e não tardou para que o seu talento para a bola o levasse para Porto Alegre, onde iniciou como juvenil e acabou sendo um dos principais atletas do Cruzeiro. Time de grande projeção na época. Lá ele viveu seus momentos de maior glória no esporte, sendo temido pelo ímpeto da sua atuação como centroavante. Ficou famoso pelo apelido de Barrilzinho de Pólvora.
Além da camiseta do Cruzeiro, defendeu a de outros grandes clubes, como o Internacional de Porto Alegre, o América do Rio de Janeiro e as principais equipes catarinenses. Foi duas vezes campeão do estado de Santa Catarina.
A primeira camiseta foi a do Riachuelo (1), vestida aos 14 anos, em 1950. Quatro anos depois, ele era juvenil do Renner e chegou a jogar uma partida como titular da equipe principal que, naquele ano de 1954, sagrou-se campeão estadual. Mauro participou, portanto, desse feito raro: a única conquista do Campeonato Gaúcho por um clube que não o Grêmio ou o Internacional.
Mauro foi um dos principais jogadores do Cruzeiro de Porto Alegre, no final da década de 1950 e início da de 1960. Época de glórias para o clube. Em 1960, o Cruzeiro foi o primeiro time gaúcho a excursionar pela Europa. Obteve grandes resultados jogando  contra alguns dos maiores times europeus e a viagem durou mais de três meses. Mauro foi um dos principais destaques da equipe.

1 - Uma das mais tradicionais equipes caienses

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na edição de 29 de março de 1984

3836 - Mauro Coelho 5: futebol amador

Antiga equipe do Riachuelo, que foi o primeiro clube 
pelo qual Mauro jogou, aos  14 anos
Em virtude da tendência para engordar, a carreira de Mauro não foi muito longa e já em 1966 voltou para o Caí. Continuou a jogar futebol, agora como amador, no Racing e depois no Riachuelo. Em 1969 e voltou a ser treinador do Guarani, jogando eventualmente. Nos últimos anos, passou a jogar apenas em equipes de veteranos, mas continuou sempre ligado intimamente com o futebol, atuando como treinador e como árbitro.
Fora do futebol profissional, Mauro chegou ao Caí e foi ajudar o pai, já bastante idoso e adoentado, no seu armazém. Continuou cuidando daquela casa comercial depois da morte de seu Valdomiro, ocorrida em 1969. Elegeu-se suplente de vereador em dois períodos, nos anos de 1972 e 1976. Ultimamente administrava o seu trailler lancheria no centro da cidade e trabalhava na secretaria de obras da prefeitura como chefe das turmas que operavam na cidade.
Foi casado com dona Ozaide Tereza Flores e teve três filhos: Mauro Roberto, Paulo Sérgio (Piava) e Rosângela, aos quais transmitiu  o amor pelo esporte.  Os dois filhos homens seguem também a carreira  de jogadores profissionais de futebol.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na edição de 29 de março de 1984.

3835 - Mauro Coelho 6: Últimos momentos

Paulo Sérgio Coelho, o Piava, também foi grande jogador, mas
a sua careira foi interrompida devido a problemas de lesões
Mauro Coelho não tinha antecedentes de mal cardíaco e gozava, até as vésperas do seu falecimento, de excelente saúde.  No sábado à noite, foi assistir ao espetáculo do circo Robattini, juntamente com a esposa e duas sobrinhas.
Na manhã de domingo, assistiu à missa, como sempre fazia, e depois dirigiu-se para o Portão com os amigos Paulo Coling e Nestor Souza, também integrantes da equipe de veteranos do Cachoeira. Iam participar da quarta  partida do campeonato de veteranos daquele município, jogando contra o Estrela.
O treinador Delcinho não compareceu e Mauro assumiu o comando tático da equipe.
No segundo tempo, o Estrela vencia por um a zero e Mauro resolveu entrar em campo, apesar da gripe que o acometia. Atuando como centro-médio, Mauro teve a felicidade de propiciar ao centroavante Romeu o passe que resultari no gol do empate.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na edição de 29 de março de 1984.


3834 - Mauro Coelho 7 : boa lembrança

A disposição de Mauro Coelho para ajudar os moradores do seu bairro
se sobressaía quando ocorriam enchentes


Não só nos amantes do futebol a lembrança de Mauro ficará marcada. 
Muito comentada no enterro foi sempre a sua extraordinária disposição para ajudar os seus companheiros moradores, da Coréia e outros bairros inundáveis, nas ocasiões de enchente. Muitas vezes esquecendo até  da sua própria casa, situada em terreno  mais elevado mas não à salvo das grandes enchentes, Mauro cuidava cuidava para tomar providências para assistir aos necessitados.
No ano passado, como funcionário municipal, coube-lhe o encargo de prestar esse auxílio podendo contar, então, com os recursos da prefeitura.
Nos pavilhões do Parque Centenário, que encontrava-se sob a sua administração, ele abrigou dezenas de famílias, nas várias enchentes daquele ano, impondo autoridade a todos com a cara fechada que sempre usou para esconder o coração generoso.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na edição de 29 de março de 1984.


3833 - Igreja, escola e hospiital da Comunidade Evangélica de Montenegro

A  igreja  luterana de Montenegro: uma construção pequena mas notável,
como  são as realizações dessa comunidade

A escola evangélica de Montenegro sempre ofereceu educação
de qualidade aos seus alunos
O Colégio Sinodal Progresso, continua a tradição do ensino de qualidade, 
em Montenegro
A comunidade luterana liderou a construção do Hospital Montenegro


Atualmente, o Hospital Montenegro, da comunidade luterana,
é o maior hospital 100 % SUS da região

A comunidade luterana de Montenegro, desde o seu inicio, teve a preocupação de criar uma boa escola para seus filhos. A educação era uma prioridade. Por receberem educação, os evangélicos luteranos tiveram grande influência na cidade, apesar do seu pequeno número. Foi a pequena comunidade luterana de Montenegro que criou o Hospital Montenegro e até hoje o administra.
Houveram, infelizmente, episódios de conflito racial entre pessoas de origem alemã e O hospital luterano nunca foi apenas para atender luteranos. E os católicos também contribuíram nas  campanhas que foram feitas para financiar a sua construção e instalação.
No passado mais remoto, em outras terras, a intolerância religiosa resultou em guerras e outros episódios trágicos.
No Vale do Caí, o único conflito grave em que essa intolerância religiosa teve influência foi o dos mucker, ocorrido há um século e meio. Os piores conflitos ocorreram no Vale do Sinos, mas confrontos menores ocorreram também Vale do Caí. A seita  muker tinha muitos adeptos na região. Especialmente em Linha Nova e São José do Hortêncio.

Fotos dos acervos de Romélio Oliveira e da Comunidade Luterana de Montenegro


3832 - Carlos Mertins, de Alto Feliz, um pioneiro da viação rodoviária

Carlos Mertins, de Alto Feliz, foi um pioneiro da viação rodoviária
no Vale do Caí: começou  em 1937, com um ônibus como esse, tipo jardineira




O primeiro ônibus que serviu a toda região do médio Vale do Caí, pertencia a Carlos Mertins, de Alto Feliz, e passou a atuar em 1937. Partia de Alto Feliz, passando por Feliz, Vale Real, Nova Palmira, São Sebastião do Caí e Porto Alegre.
Dez anos mais tarde, essa jardineira foi vendida para a empresa Bento Transportes. 
Essa empresa pertencia aos irmãos Orestes e Isidoro Toniolo, que iniciaram as atividade da transportadora realizando o transporte entre Linha Eulália, município de Bento Gonçalves e a capital do estado, utilizando um automóvel Ford super luxe, modelo 1947, com capacidade para cinco passageiros. A partida era feita num dia e o retorno no outro, devido à grande dificuldade para percorrer as precárias estradas existentes naquela época.
Mesmo assim o negócio prosperou e, um ano mais tarde os irmãos Toniolo compraram um ônibus do tipo jardineira, com capacidade para transportar 25 pessoas. Para o ano de 1948, a jardineira era bastante superada. Mas, talvez, pela sua rusticidade, fosse o veículo adequado considerando-se as péssimas condições das estradas pelas quais era preciso passar.

Foto do acervo da Empresa Caiense de Ônibus

3831 - Foto de Getúlio Vargas na Ramiro Barcelos

Foto do acervo de Romélio Oliveira


Antes de 1930, talvez na campanha para governador, talvez quando concorreu à presidência, Getúlio Vargas foi recepcionado pelos correligionários e pela população.
A foto acima já foi publicada nesse blog e voltamos a mostrá-la aqui em grande ampliação e correção de imagem através do programa de computador Photoshop.
Ela mostra a presença de Getúlio, então ainda governador do estado, à cidade de Montenegro. Como se vê, ele percorreu a rua Ramiro Barcelos a pé, cercado de correligionários, autoridades e populares. 
Getúlio marcha à frente  no meio da foto e sua imagem está marcada por um x. 
Na época, Getúlio era um quarentão. Ele nasceu em São Borja, no ano de 1982. Exerceu vários mandatos como deputado estadual e, em 1926, foi ministro no governo do presidente Washington Luiz.


Getúlio (o quarto da esquerda para a direita), em 1926, na sua posse como ministro do presidente Washington Luiz (foto publicada na Wikipédia)

Em 1927 elegeu-se governador do estado e, em 1928, assumiu o mandato, que não chegou ao fim porque, em 1930, ele liderou a revolução de 1930. Depôs o presidente da república e foi empossado na presidência, na qual permaneceu até 1945, quando ele foi deposto. Voltou em 1950, como presidente eleito, e morreu no cargo, em 1954, suicidando-se com um tiro de revólver.

sábado, 29 de março de 2014

3830 - Tragédia na estação ferroviária de Fanfa



O MAIS TRÁGICO DESASTRE FERROVIARIO DO ESTADO

Quando a pequena localidade de Porto Batista junto a estação de Fanfa foi sacudida, no sábado às 17.55 horas do dia 27 de janeiro de 1968, com o choque de um cargueiro de 683 toneladas contra dois vagões de passageiros do trem misto Porto Alegre-General Câmara, o chamado trem leiteiro, o cargueiro de 23 carros, transportando calcário, arroz e gado, ao invés de permanecer estacionado a 50 metros da Estação do Fanfa para dar passagem ao trem leiteiro disparou em grande velocidade contra a modesta composição de passageiros a destruindo completamente, justamente os dois vagões de madeira onde viajavam cerca de 100 passageiros. 
O impacto foi ainda mais brutal porque o maquinista do trem de passageiros deu maior impulso na esperança de ganhar a passagem da chave livrando o choque a locomotiva e o carro de carga quase nada sofreu uma vez que a força total do trem de carga apanhou em cheio justamente onde viajava os passageiros prontos para o desembarque. 
Diverços carros tombaram igualmente imprensando os dois vagões de madeira do trem de passageiros . Os detalhes da colisão foram revelados pela única testemunha da tragedia: o Soldado do Quarto Batalhão da Brigada Militar Zilmar de Oliveira Lemos que comprara passagem em Fanfa para Barreto. 
Ele disse que, momentos antes do choque o agente de Fanfa, Avelino Luiz Barbosa fazia sinais desesperado para o cargueiro não avançar . Apavorado ouviu os gritos de socorro dos passageiros e assistiu o instante em que a locomotiva do cargueiro saltava dos trilhos e imprensava mais uma vitima contra o barranco junto a caixa d'agua soterrando-a. 
A tragédia resultou em 40 mortos e 60 feridos.

Divulgado no Facebook por Cláudio Rollo Rollo
Foto publicada no jornal Zero Hora

3829 - Doutor Hugo Wohlgemuth e o atendimento às vítimas da tragédia de Fanfa

A memória do atendimento às vítimas do acidente foi registrada
em reportagem do jornal O Progresso







O maior acidente ferroviário acontecido no estado do Rio Grande do Sul ocorreu na estação ferroviária de Fanfa, situada na localidade de Porto Batista, no município de Triunfo, RS. 
Ele aconteceu em 27 de janeiro de 1968 e resultou em 68 mortos e 60 feridos.
O hospital mais próximo era o de Montenegro e grande parte das vítimas foram levadas para lá, onde foram atendidas no Hospital Montenegro. O único existente na cidade àquela época. 
O doutor Wohlgemuth era médico chefe da Assistência Social, em Montenegro. Funcionário do governo. Era muito dedicado ao atendimento aos mais necessitados e famoso pelo fato de, muitas vezes, tirar dinheiro do próprio bolso para pagar remédios que os seus pacientes pobres necessitavam. Ele foi vereador montenegrino e, depois da sua morte, em 1970, com 69 anos, foi homenageado pelo governo municipal com o seu nome sendo usado para denominar uma rua próxima à estação rodoviária da cidade: a rua Doutor Hugo Wohlgemuth.
O doutor Wohlegmuth nasceu na Alemanha em 19 de janeiro de 1901. Seu pai era um médico suíço e a mãe era nascida na Rússia. Veio bem jovem para o Brasil, onde casou com Erna Kerber. Estudou medicina em Porto  Alegre, formando-se com menção honrosa no ano de 1931. Foi professor na mesma escola e fez curso de especialização em Ginecologia na  Alemanha, com dois anos  de duração.


3828 - Agência Ford de Montenegro, em 1926



Hoje as revendas de automóveis são chamadas  de concessionárias. No passado, elas eram conhecidas como agências. 
Montenegro, por  exemplo, teve a sua agência  Ford, que foi inaugurada em 1924, num simples galpão de madeira situado na esquina das ruas José Luis e João Pessoa. O negócio  deu certo e seus donos, os irmãos Lampert, resolveram mudar a loja para um prédio de melhor qualidade. Alugaram um a apenas uma quadra dali, na esquina da José Luis com a Ramiro Barcelos. O prédio que se avista na foto acima. Ele era situado onde hoje se encontra a agência da Caixa Econômica Federal.
Observe-se que a Ramiro, na época, ainda não era  pavimentada e que adiante do prédio não se vê construções. Apenas  mato.
No prédio se vê a inscrição 1926. O que significa que o prédio foi construído nesse ano. 

Foto do acervo de 






3827 - Igreja matriz de Capela de Santana em construção

A atual igreja de Capela de Santana foi construída
no mesmo local da igreja antiga, que foi demolida




No ano de 1954, a atual igreja de Capela de Santana foi construída, no mesmo local onde havia antes a antiga capela, que foi construída ainda no século XVIII
A antiga capela foi fundamental para a criação da povoação que ganhou o nome de Capela de Santana. Primeira povoação surgida no Vale do Caí. Ela foi construída numa fazenda e pertencia à paróquia de Triunfo. Quando o pároco visitava a Capela, rezava na capelinha e o povo das fazendas da redondeza ia até lá para cumprir os seus deveres religiosos. Isso foi fazendo com que aquele local se tornasse um centro regional e, assim, muito lentaemente, foi se formando um pequeno povoado. 
Capela foi, também, uma das primeiras  povoações do estado do Rio Grande do Sul e a paróquia de Capela de Santana foi criada em 1814, sendo a 19ª mais antiga do estado.
Antes dela, pela ordem, só as de Rio Grande, Viamão, Triunfo, Rio Pardo, Porto Alegre, Osório, Mostardas, Santo Amaro do Sul (distrito de General Câmara), Cachoeira do Sul, Gravataí, Taquari, Santo Antônio da Patrulha, Vacaria, Piratini, Pelotas, Jaguarão e Canguçú.
É de salientar que a paróquia de Capela foi criada apenas dois anos depois da de Pelotas.
No Vale do Caí, a primeira paróquia a ser criada, depois da de Capela, foi a de São José do Hortêncio, em 1949. A de São João Batista de Monte Negro foi criada em 1867, a de São Sebastião do Porto Guimarães (Caí) em 1873, a de São Salvador do Maratá (Maratá) em 1875. Em 1976 foi criada a paróquia de Feliz e, em 1877, a de São Vendelino.




segunda-feira, 24 de março de 2014

3826 - 400 mil visualizações de página

Com essa magnífica foto, comemoramos o momento em que o blog 
Histórias do Vale do Caí a de 400 mil vizualizações de página
Enquanto o tempo corria, a maioria das pessoas vivia sua vida sem ter a preocupação de 
guardar, para a posteridade, retratos da vida que ia passando. Alguns poucos fizeram registros, em foto ou em textos, guardando para a posteridade os depoimentos que hoje tanto valorizamos.
Por isso, o blog Histórias do Vale do Caí guarda registros, feitos nas mais diversas épocas, e os torna disponíveis para aqueles que querem conhecer melhor o pedaço de mundo no qual vivem.
No Histórias do Cai procuramos resgatar os registros feitos no passado e registrar aspectos da atualidade que, um dia, serão valorizados.
E cada vez mais as pessoas vão se interessando pelo conhecimento da sua terra. Há pouco mais de seis meses, esse blog chegava à marca de 300 mil postagens. Hoje já são 400 mil e, em menos de meio ano, provavelmente, chegaremos a meio milhão de visualizações de página. Uma marca à qual poucos blogs conseguem chegar. 
Estamos todos de parabéns.
A foto acima, feita por um antigo registrador do presente, nos revela muito sobre a Montenegro de um século atrás.
Ocorria uma solenidade na praça da Matriz. Que tinha o nome oficial de Marechal Deodoro. O sol era muito forte, o calor era intenso, mas as pessoas se vestiam a rigor. Homens, todos de terno. Neste mesmo local, hoje, encontra-se a catedral e, no lugar da velha igreja, existe uma pracinha.

Foto postada por Pirajá Lemos na página de Facebook 
Montenegro de Ontem